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Histórico da Resposta Sexual Humana

No reino animal, a atração sexual é intrinsecamente ligada a reprodução. Isto é um mecanismo natural básico para assegurar a sobrevivência das espécies.

Incontestavelmente, o homem ainda possui o estímulo instintivo primitivo para acasalar-se e reproduzir-se. Mas, no homo sapiens foram acrescentadas duas novas dimensões: a emocional e a espiritual. E, a partir dessas dimensões tão humanas, é possível separar o ato sexual da inevitabilidade da reprodução.

A sexualidade humana pode ser vista tanto em seu significado emocional e espiritual, quanto como instrumento para a perpetuação da espécie. Uma vida sexual feliz e plena é uma importante fatia da felicidade e da totalidade da natureza humana. Para que a sexualidade seja agradavelmente completa, o sexo precisa ser emocional e esteticamente prazeroso e fisicamente competente.

Seres humanos expressam sua emoção em objetos afetivamente significativos. Somos animais relacionais por excelência, devido às nossas características biológicas. E essa expressão se manifesta através de gestos, movimentos, olhares e, talvez o mais importante, a manifestação através de toques e carícias, particularmente nos complexos jogos que antecedem o ato da união e dos vínculos.

Mas o seu sistema nervoso evoluiu e no seu cérebro desenvolveu-se a neocórtex, permitindo ao homo sapiens a comunicação simbólica, através do uso de palavras.

E o aprendizado de suas experiências aventurosas foi-se acumulando nos diferentes povos, de diferentes regiões, em contextos denominados "culturas".

A realidade que se organizou, então, naturalmente, foi: somos animais grupais, porém avaliadores, culturalizados e quase sempre teatrais, vivendo papéis, estigmatizados pelo sistema e pela matriz social. Podemos concluir dizendo: somos uma relação."

Quem define quais os estímulos que têm conotação sexual é, predominantemente, a cultura, mais do que nossa biologia básica.

Em alguns grupos étnicos, certos fatores ou situações são considerados sexualmente excitantes, enquanto em outros os mesmos fatos e situações são neutros ou até desestimuladores.

Existe também uma certa divisão de gênero, nesses fatores motivacionais.

O homem pode apresentar uma divisão entre afeto e sexualidade genital e tende a ser mais fragmentado nos seus estímulos. Por apresentar um mapa erótico focalizado principalmente nos músculos e no pênis, sua tendência é a de projetar esse mesmo mapa na mulher, ou seja, em uma parte do corpo (seio, coxas, nádegas etc.).

A mulher, por apresentar uma libido mais generalizada, constrói seu mapa erótico mais amplamente, unindo a emoção e o afeto com a sexualidade genital. Todo o seu corpo e uma grande área erógena, ou seja, as mulheres erotizam seus pés suas pernas, suas coxas, seu genital, sua pelve, suas mãos, seus braços, sua boca, seu rosto e seu cabelo.

Daí, a tendência é naturalizar esse sentimento e projetá-lo no seu objeto de estímulo, o homem, que é visto por ela não pelo seu pênis ou pelo seu bíceps mas, sim, pelo que ele representa no seu mundo afetivo, social e, finalmente, sexual.

É evidente que, em nível de estrutura psicológica e social, esses dois indivíduos também têm histórias diferentes que facilitam à mulher a integração ampla do afeto e do corpo e dificultam, ao homem, essa mesma integração.

Mas, estamos falando da grande universalidade do mundo feminino e do mundo masculino. Assim, é evidente que existem exceções que podem seguir roteiros diferentes.

Outro detalhe importante que não pode ser negligenciado que, com o decorrer da idade e do tipo de relacionamento, os estímulos motivadores vão-se modificando.

Isto significa saúde mental, pois o desenvolvimento e a elaboração de pequenos, médios ou grandes conflitos vão modificando as pessoas e seus respectivos anseios amorosos e sexuais. O patológico é a paralisia e a fixação, quando não existe evolução do indivíduo em seu crescimento pessoal.

A conclusão é que não podemos analisar a resposta sexual humana sem observar uma série de fatores que, inter-relacionados, fazem parte da totalidade da natureza humana.

Fonte: Patologia e Terapia Sexual - 1ª Ed. - 1994.

Copyright © 2002 Bibliomed, Inc.               04 de Junho de 2002

   

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