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Contracepção de emergência

Neste Artigo:

- Introdução
- O estudo
- Comentários
- Conclusão
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A contracepção de emergência deve ser utilizada quando ocorre exposição não planejada à gravidez, seja por coito (relação sexual) não programado, por ruptura de condom (preservativo; "camisinha") ou por estupro. A paciente deve estar consciente da existência da contracepção de emergência como método eficaz de prevenção de gravidez, mas não deve basear-se nele como um método repetitivo.

O momento em que o médico faz a prescrição de um método contraceptivo de emergência para uma paciente deve ser usado como base para o esclarecimento sobre outros métodos mais apropriados de contracepção.

Introdução

A contracepção de emergência é uma situação que requer métodos especiais. Desde o início do século XX, várias formulações à base de altas doses de estrogênios (hormônios femininos) foram usadas para prevenir a gravidez indesejada em animais e, a partir de 1963, começaram a ser realizados estudos com esses medicamentos em mulheres.

Um estudo publicado pela revista Archives of Family Medicine, em agosto de 2000, realizado pela Dr.ª Caroline Wellbery, demonstrou a importância da contracepção de emergência através de uma revisão detalhada dos principais aspectos deste assunto.

Nos Estados Unidos, menos de 1% das mulheres já fez uso de um método contraceptivo de emergência. Apesar dessa diminuta quantidade de mulheres, a contracepção de emergência se mostrou eficaz.

De acordo com dados recentes, através da utilização de um programa piloto de distribuição de contraceptivos de emergência, em farmácias em que a paciente possui acesso direto, em Washington, Estados Unidos, foram evitadas pelo menos 700 gravidezes. Destas, aproximadamente metade terminaria em abortamentos, de acordo com estudos realizados anteriormente.

Os advogados sugerem aos médicos que a contracepção de emergência deva ser informada às pacientes rotineiramente, sobretudo àquelas mais susceptíveis e mais prováveis de procurarem serviço médico para contracepção de emergência, no futuro. Estão incluídas neste quadro mulheres jovens, com idade inferior a 25 anos, nulíparas (que nunca tiveram filhos) e que fizeram uso, em algum período anterior, de métodos contraceptivos.

O FDA (Food and Drug Administration), um órgão americano responsável pelos alimentos e medicamentos, em Washington, aprovou um kit de contracepção de emergência, que consiste em pílulas compostas de hormônios combinados (estrógeno e progesterona), um teste de gravidez para ser realizado na urina, e um folheto de informações à paciente.

Mais recentemente, o FDA aprovou um medicamento contraceptivo (pílula) composto somente pelo hormônio progesterona. Este anticoncepcional possui menos efeitos adversos, com uma eficácia semelhante ou melhor, se comparado ao contraceptivo composto por hormônios combinados (estrógeno e progesterona).

Um recente estudo demonstrou que a inibição da ovulação isoladamente, não esclarece a eficácia dos tratamentos hormonais. Outros tipos de tratamento foram sugeridos. Estes incluem outras alterações no processo precedente à ovulação, na parede uterina, na secreção (muco) do colo do útero e no transporte dos espermatozóides.

O estudo

Neste trabalho, foi realizada uma avaliação dos principais aspectos da contracepção de emergência. Dentre estes aspectos, estão incluídos: a eficácia dos métodos contraceptivos, as dosagens dos medicamentos e os efeitos colaterais dos anticoncepcionais de emergência.

Os métodos contraceptivos hormonais (pílulas anticoncepcionais), o mifepristone e o DIU (dispositivo intrauterino) são os mais utilizados em todo o mundo. Medicamentos em que há a combinação de hormônios (estrógeno e progesterona) são os mais comumente utilizados nos Estados Unidos.

De acordo com o método de Yuzpe, a primeira dose da pílula (anticoncepcional) que contém estrógeno e progesterona deve ser administrada à paciente, decorridas, no máximo, setenta e duas horas do ato sexual, seguida de outra dose após doze horas da primeira dose do medicamento. Através deste método, o número de gravidezes não planejadas é reduzido aproximadamente em 75%.

Um dispositivo intrauterino (DIU) pode ser introduzido decorrido um período de cinco dias após a relação sexual desprotegida e consiste em uma opção, para evitar-se uma gravidez não planejada, de custo-efetividade favorável.

Os medicamentos (hormônios anticoncepcionais) à base de altas doses de estrogênio agem no organismo da mulher, provocando alterações no útero, mais especificamente na camada uterina mais interna, denominada endométrio, impedindo a implantação de um possível óvulo fecundado. Por esse motivo, o seu uso deve ser feito até setenta e duas horas após a relação sexual, para que tenha um bom índice de sucesso.

Quando, apesar do seu uso, ocorre a gravidez, existe um risco teórico, mas pequeno, da ocorrência de efeitos maléficos sobre o feto. O índice de falhas do método contraceptivo de emergência é de 1 a 2%. Várias são as dosagens de hormônios (estrogênios) que podem ser utilizadas.

Os efeitos colaterais (indesejáveis) são náuseas, vômitos, dor nas mamas (mastalgia), dor de cabeça (cefaléia) e alteração do ciclo menstrual (atraso ou adiantamento da menstruação). A utilização de um medicamento que diminuía a ocorrência de vômitos (antiemético) junto com o hormônio anticoncepcional, alivia este sintoma nas mulheres.

Comentários

A contracepção de emergência não interrompe uma gravidez estabelecida. O mecanismo pelo qual ocorre a prevenção da gravidez não está definido. Apesar disso, diversos estudos têm demonstrado que os métodos hormonais de contracepção de emergência e o mifepristone inibem a ovulação.

A contracepção de emergência não objetiva a interrupção da gravidez, uma vez que a implantação do ovo tenha ocorrido, não obstante o método usado.

Estima-se que, se cem mulheres tiverem um único episódio de relação sexual desprotegida, sem preocupar-se com a época do ciclo menstrual, oito delas engravidarão.

Através da aprovação, pelo FDA, da contracepção de emergência, com a indicação da utilização de hormônios contraceptivos, este método provavelmente, obteve uma maior divulgação e difusão, como um meio de impedir gravidez indesejada.

Conclusão

Segundo este trabalho, embora a contracepção hormonal de emergência esteja indicada até um período de 72 horas após a relação sexual, quanto mais precocemente for instituída esta terapia, mais eficaz será este método de evitar uma gravidez.

Os contraceptivos orais com hormônios combinados (estrógeno e progesterona), usados como método de contracepção de emergência, reduzem a gravidez em cerca de 75%.

Fonte: Arch Fam Med. 2000;9:642-646.

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