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Neste Artigo:
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Características da Adolescência que Favorecem a Infecção pelo HIV
- Curso Natural da AIDS nos Adolescentes
- O Cuidado Clínico dos
Adolescentes com AIDS
- O Tratamento Específico dos
Jovens com AIDS
- A Prevenção da AIDS na Adolescência
- Veja Outros Artigos Relacionados ao Tema
"A adolescência é um período da vida caracterizado por intenso crescimento e
desenvolvimento, que se manifesta por transformações físicas, psicológicas e sociais.
Ela representa um período de crise, na qual o adolescente tenta se integrar a uma
sociedade que também está passando por intensas modificações e que exige muito dele.
Dessa forma, o jovem se vê frente a um enorme leque de possibilidades e opções e, por
sua vez, quer explorar e experimentar tudo a sua volta. Algumas dessas transformações e
dificuldades que a juventude enfrenta, principalmente relacionado à sexualidade, bem como
ao abuso de drogas ilícitas, aumentam as chances dos adolescentes de adquirirem a
infecção por HIV, fazendo-se necessário a realização de programas de prevenção e
controle da AIDS na adolescência".
Estudos de vários países tem demonstrado a crescente ocorrência de AIDS entre os
adolescentes, sendo que, atualmente as taxas de novas infecções são maiores entre a
população jovem. Quase metade dos novos casos de AIDS ocorre entre os jovens com idade
entre 15 e 24 anos. Considerando que a maioria dos doentes está na faixa dos 20 anos,
conclui-se que a grande parte das infecções aconteceu no período da adolescência, uma
vez que a doença pode ficar por longo tempo assintomática.
Hoje, as mulheres representam quase metade dos jovens infectados. Entre os pacientes
menores de 13 anos com AIDS, a transmissão ocorre em sua maioria através da mãe, no
período gestacional. Entre as mulheres maiores de 13 anos predomina a transmissão sexual
(metade dos casos), seguida do contágio por uso de drogas injetáveis. Entre os homens a
transmissão por via sexual representa mais de 50% dos casos, sendo que a prática
homossexual é responsável por cerca de 30% desses casos. O contágio por uso de drogas
injetáveis representa cerca de 20% das infecções entre os homens.
Características
da Adolescência que Favorecem a Infecção pelo HIV
Existem algumas características comportamentais, socio-econômicas e biológicas
que fazem com que os jovens sejam um grupo propenso a infecção pelo HIV. Dentre as
características comportamentais, destaca-se a sexualidade entre os adolescentes. A
atividade sexual na maioria das vezes se inicia na adolescência, sendo que, cerca de 50%
dos jovens norte-americanos já tiveram relações sexuais aos 17 anos e apenas metade
desses jovens relata uso de preservativo na última relação. Muitas vezes, a não
utilização dos preservativos está relacionada ao abuso de álcool e outras drogas, os
quais favorecem a prática do sexo inseguro. Outras vezes os jovens não usam o
preservativo em "namoros firmes", justificando que seu uso pode gerar
desconfiança em relação à fidelidade do casal. Apesar de que, no mundo hoje, o uso de
preservativo nas relações poderia significar uma prova de amor e proteção para com o
outro. Observa-se também que muitas jovens abrem mão do preservativo por medo de serem
abandonadas ou maltratadas por seus parceiros. Por outro lado, o fato de estar apaixonado
faz com que o jovem crie uma imagem falsa de segurança, negando os riscos inerentes ao
não uso do preservativo.
Outro fator importante a ser levado em consideração é o grande apelo erótico emitido
pelos meios de comunicação, freqüentemente direcionado ao adolescente. A televisão
informa e forma opiniões, unificando padrões de comportamento, independente da
tradição cultural, colocando o jovem frente a uma educação sexual informal que propaga
o sexo como algo não planejado e comum, dizendo que "todo mundo faz sexo, mas poucos
adoecem".
Os jovens têm pouco acesso às informações sobre doenças sexualmente transmissíveis e
sobre o planejamento familiar. Boa parte dos adolescentes obtém as informações sobre o
sexo de colegas e amigos, cujas opiniões, na maioria das vezes, são distorcidas e
baseadas em mitos e preconceitos, como, por exemplo, a crença de que o uso do
preservativo poderia dificultar a ereção e o desempenho sexual.
Segundo Futterman e col, alguns fatores biológicos contribuem para o aumento da
infecção entre as mulheres jovens. Em primeiro lugar elas possuem células imaturas
dentro da cavidade vaginal e no colo do útero que não impedem a infecção, como nas
mulheres mais velhas. Em segundo lugar, os homens possuem uma grande capacidade de transmitirem
doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), o que, por sua vez, facilita a infecção
pelo HIV. Por fim, as mulheres possuem um grande número de DSTs assintomáticas, o que faz
com que grande parte dessas infecções não sejam tratadas e, dessa maneira, aumentam as
chances de contrair o HIV.
Curso Natural da AIDS nos
Adolescentes
De acordo com Futterman e col, apesar do curso clínico da infecção pelo HIV,
para a maioria dos adolescentes, ser igual ao dos adultos, alguns achados podem ser
semelhantes à infecção tanto quanto no adulto, quanto na criança. Estudos mostram que
a gravidade da doença varia marcadamente de acordo com o tipo de transmissão. Assim
sendo, os indivíduos jovens que adquirem o vírus através do contato sexual costumam
manter-se assintomáticos por algum tempo, mas possuem o número de linfócitos T CD4 menor
que 410/ml (o que representa uma disfunção imunológica moderada). Já os indivíduos
que adquirem a doença da mãe apresentam-se assintomáticos por muito tempo e possuem
pouca disfunção imunológica. Portanto, os médicos precisam estar atentos ao fato de
que, muitas vezes, o diagnóstico de AIDS congênita pode ser feito apenas na
adolescência, e que a realização do exame da AIDS deve ser feito também nos filhos
adolescentes de mães infectadas, uma vez que a infecção pode ficar latente por muitos
anos.
O Cuidado Clínico dos
Adolescentes com AIDS
Os adolescentes precisam de atendimento médico orientado para seu grupo e os
profissionais de saúde precisam ser preparados para resolver as suas necessidades. A
atenção ao adolescente deve ser dada por uma equipe multidisciplinar, incluindo os
serviços de saúde mental, o atendimento ginecológico específico para pacientes com AIDS
e os programas de prevenção e educação.
Conforme Futterman e col, a privacidade é um aspecto muito importante nas consultas dos
adolescentes, pois geralmente estes têm vergonha das mudanças que ocorrem em seu corpo.
Devido à alta incidência de DSTs nesse grupo de pacientes, os testes de detecção
dessas doenças devem ser feitos logo no início do diagnóstico da infecção, estes
testes incluem o exame preventivo do câncer de colo, exames para detecção da presença
de clamídia, gonorréia, sífilis, herpes genital e hepatite B. Outros exames que devem
ser feitos incluem a contagem de células CD4, contagem da carga viral, hemograma
completo, exames de avaliação hepática, exames de avaliação renal, exame de urina de rotina, exames sorológicos para detecção de toxoplasmose e citomegalovirose, teste de
gravidez e, por fim, os exames para detecção de tuberculose.
Os adolescentes devem receber as seguintes vacinas: tríplice viral (rubéola, caxumba e
sarampo), dupla para difteria e tétano, hepatite B, Antiinfluenza,
Antipneumococo e anti-haemófilos. A segunda dose da vacina BCG só não deve ser feita em
pacientes com sintomas de AIDS.
O Tratamento Específico
dos Jovens com AIDS
A dosagem dos anti-retrovirais é baseada no desenvolvimento da puberdade, de
acordo com a classificação de Tanner (escala que classifica o desenvolvimento dos
adolescentes de acordo com as fases da puberdade), e não pela a idade. Dessa forma as
doses pediátricas devem ser usadas nos pacientes com classificação I e II (fase
pré-adolescente), as dosagens dos pacientes que se encontram na fase inicial da
adolescência (III e IV) devem ser baseada de acordo com o fim ou não da fase do estirão
da puberdade (fase de crescimento acelerado que ocorre nas mulheres entre 11 e 12 anos e
nos homens entre 13 e 14 anos), por fim os adolescentes que se encontram na fase V devem
ser tratados como adultos.
Deve-se dar atenção ao fato de que muitas drogas prescritas para adolescentes (como os
anticoncepcionais, o metronidazol, usado para o tratamento de clamídia e tricomonas, e
alguns antidepressivos) possuem interações medicamentosas com os anti-retrovirais.
No uso dos anti-retrovirais, as doses dessas drogas devem ser ajustadas
pelos médicos.
De acordo com Futterman e col, a aderência ao tratamento entre os adolescentes é
relativamente baixa, sendo que apenas 56% das mulheres e 65% dos homens (participantes de
um estudo para avaliação da aderência ao tratamento em pacientes com infecção pelo
HIV) revelaram que faziam uso corretamente dos antiretrovirais. Os principais motivos
ligados à baixa adesão ao tratamento são os efeitos colaterais, os inconvenientes
gerados pela grande quantidade de comprimidos e o esquecimento.
A Prevenção da AIDS na
Adolescência
Atualmente existe uma necessidade urgente de tornar os adolescentes capazes de se
protegerem da AIDS e de outras DSTs, e de garantir-lhes o direito a um desenvolvimento
sexual seguro e saudável. As iniciativas devem incluir a educação sexual nas escolas, o
trabalho de jovens em entidades religiosas e a integração a atividades esportivas.
É preciso que o adolescente seja envolvido ativamente, para assegurar que as atividades
sejam relevantes e úteis. É necessário descobrir o que os jovens pensam e quais são as
suas necessidades. Os programas a serem desenvolvidos devem ser baseados nos problemas,
crenças e necessidade de informação, identificados pelo próprio paciente.
Os jovens precisam muito mais do que fatos sobre sexo, eles precisam questionar,
desenvolver a capacidade de tomar decisões, comunicá-las aos outros, lidar com os
conflitos e defender as suas opiniões, mesmo que essas sejam contrárias às opiniões
dos outros.
Por fim, o comportamento do adolescente é muito influenciado pela família, amigos,
professores e principalmente pela mídia. Estes podem desempenhar um papel fundamental, e
devem atuar aumentando a conscientização sobre as práticas que afetam a saúde do
adolescente, como o abuso de drogas e de álcool e a prática do sexo inseguro.
Copyright © 2003 Bibliomed, Inc.
01 de Dezembro de 2003
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