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Os preservativos podem ser eficazes na prevenção tanto da
gravidez como das infecções sexualmente transmissíveis (IST). No entanto, para
que os preservativos sejam realmente eficazes, as pessoas têm que saber usá-los
de forma constante e correta.
Eficácia contra a gravidez
Os estudos de anticoncepcionais consideram,
freqüentemente, duas medidas diferentes de eficácia: a de uso perfeito e a de
uso típico. A eficácia de uso perfeito é a eficácia de um método
anticoncepcional quando este é usado corretamente e de forma perfeitamente
constante; ela somente leva em conta as falhas técnicas de um método
anticoncepcional, por exemplo, um vazamento de esperma através de um orifício em
um preservativo defeituoso. Como a eficácia de uso perfeito pode ser difícil de
medir, exceto no uso prático, a maioria dos relatórios aceita como eficácia de
uso perfeito os melhores níveis de eficácia observados no uso prático (537, 538,
575). Em contraste, a eficácia de uso típico leva em conta todas as
razões de uma gravidez involuntária, inclusive uma falha ocasional das pessoas
ao usar o método, um uso incorreto e as falhas técnicas do método.
Veja Figura 5
Eficácia de uso perfeito. Entre as pessoas que usam
preservativos de forma constante e correta, são bastante baixas as taxas de
ocorrência de gravidez—em torno de 3 gravidezes por cada 100 mulheres, no
primeiro ano de uso.
Em comparação, outros métodos tais como a esterilização
cirúrgica, os implantes Norplant® , o DIU TCu-380A, os anticoncepcionais
injetáveis de ação prolongada e, quando usados corretamente, os
anticoncepcionais orais, têm as taxas mais baixas observadas, ou seja, uma ou
menos gravidezes por cada 100 mulheres, no primeiro ano de uso (538).
Eficácia de uso típico. A eficácia de uso típico varia
grandemente entre vários estudos e até entre grupos diferentes dentro de cada
estudo. Por exemplo, os dados dos estudos DHS indicam que o número de gravidezes
por cada 100 usuárias dos preservativos, durante o primeiro ano de uso, foram de
mais de 16 no Egito, quase 6 na Indonésia e mais de 8 na Tailândia (20).
Estima-se que a taxa de ocorrência de gravidez entre usuárias de preservativos
nos EUA é de 14 por cada 100 mulheres. Esta taxa é maior do que a observada com
a maioria dos outros métodos (367, 537, 538).
Eficácia contra HIV/AIDS e outras ISTs
Mesmo enfrentando a AIDS, as pessoas provavelmente não usam o
preservativo toda vez que têm relações sexuais.
Mesmo assim, algum uso é melhor do que nenhum uso (411).
Apesar de não garantirem "relações sexuais absolutamente
seguras", os preservativos reduzem substancialmente o risco individual de
infecção.
Os testes de laboratório mostram que nenhuma ISTs, incluindo
a infecção por HIV, pode atravessar um preservativo de látex intacto (111, 112,
162, 284, 446, 494).
(Note-se que, às vezes, os organismos infecciosos podem
atravessar preservativos feitos de tripas de ovelha, freqüentemente chamados de
preservativos de pele natural, os quais devem, portanto, ser usados apenas para
a contracepção e não para a prevenção de infecções (86, 363).)
Proteção contra HIV/AIDS. Os preservativos são altamente
eficazes na proteção contra a infecção do HIV, desde que sejam usados
corretamente em todo tipo de relação sexual.
Todos os 10 estudos de coortes realizados em 1995, que
avaliaram o uso de preservativos por casais heterossexuais, demonstraram que o
uso constante de preservativos protege contra a infecção do HIV (166).
Veja Figura 6
Na verdade, a evidência mais convincente da eficácia dos
preservativos foi obtida por estudos feitos com casais sero-discordantes para o
HIV, ou seja, casais em que um parceiro está infectado e o outro não (166, 557).
Estes estudos constataram que nestes casais o risco de infecção do HIV era
baixo, se eles usavam os preservativos de forma constante (22, 166, 167, 177,
311, 378, 416, 557). Em três estudos recentes, foram constatadas taxas de
infecção menores que 1% ao ano entre usuários constantes de preservativos (134,
141, 473).
Um estudo, feito em vários países da Europa, acompanhou 256
casais sero-discordantes para o HIV durante uma média de 20 meses e não
registrou nenhuma infecção entre os casais que usaram o preservativo em todas as
suas relações sexuais no período (134).
O uso amplo e constante dos preservativos poderia reduzir
bastante o número de pessoas infectadas com o HIV a ponto de reduzir a
disseminação do HIV/AIDS (410). Os preservativos podem ajudar a evitar a AIDS a
longo prazo, não só bloqueando a transmissão do HIV mas também protegendo contra
outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). As pessoas afetadas por ISTs,
sobretudo as que causam lesões vaginais—vírus do papiloma humano (HPV) genital e
cancróide, herpes simples e sífilis—têm de 2 a 7 vezes maior probabilidade de
serem infectadas com o HIV do que as pessoas que não sofrem de ISTs (142, 306,
307, 401, 416).
Alguma proteção contra outras ISTs. A partir da década de
70, os estudos feitos sobre uso típico demonstraram que os preservativos dão
alguma proteção contra gonorréia, sífilis e clamídia (39, 46, 85, 86, 131, 253,
346, 400, 492). Por exemplo, o uso constante dos preservativos provavelmente
reduz (entre 60 a 80%) o risco de infecção por clamídia e gonorréia (471). Um
estudo comprovou que os preservativos reduzem o risco de tricomoníase em cerca
de 30% (457). Os preservativos oferecem uma menor proteção contra o herpes, o
vírus das verrugas genitais (HPV) que se relaciona com o câncer cervical, e
contra outras ISTs que podem ser transmitidas pelo contato epidérmico com partes
do corpo não protegidas pelo preservativo (86, 93, 146, 300).
Os preservativos tratados com o espermicida mais comumente
usado, o nonoxinol-9, não parece oferecer maior proteção contra as ISTs do que
os outros preservativos (162). Apesar dos espermicidas serem eficazes contra as
ISTs mais comuns, o teor de espermicida encontrado nos preservativos é apenas um
terço do encontrado nos espermicidas vaginais e poderá não ser suficiente para
evitar a transmissão de infecções sexualmente transmissíveis (26, 533). Um
estudo recente de profissionais do sexo na República Dominicana não constatou
nenhuma diferença entre as taxas de ISTs entre mulheres que usavam preservativos
lubrificados com nonoxinol-9 e mulheres que usavam preservativos lubrificados
com silicone (454).
Proteção contra a doença inflamatória pélvica e a gravidez
ectópica. Ao evitar as ISTs, os preservativos podem também ajudar na
prevenção da doença inflamatória pélvica e suas conseqüências, a infertilidade e
a gravidez ectópica (fora do útero) (285, 319). A gravidez ectópica representa
perigo de vida e exige cirurgia, além de, provavelmente, provocar infertilidade
em até dois terços das mulheres que sobrevivem (225).
Uso correto e constante dos preservativos As pessoas
freqüentemente usam preservativos de forma inconstante ou incorreta. Muitos, mas
não todos os estudos feitos para pesquisar por que os preservativos falham,
constataram que o uso inconstante ou incorreto é causa muito mais provável de
falha do que uma incapacidade de julgamento causada pelo consumo de álcool ou
drogas (123, 198, 315, 445, 462, 483, 515).
Muitos casais não usam preservativos todas as vezes que têm
relações sexuais. Em Bangladesh, por exemplo, apenas 60% dos homens casados que
disseram usar preservativos para fins anticoncepcionais realmente os usaram em
todas as relações sexuais (5). Uma análise de 1990, feita com mulheres
americanas que usavam preservativos para fins anticoncepcionais, constatou que
somente 46% das mulheres casadas e 42% das mulheres que nunca foram casadas
declararam um uso constante (403). A constância do uso poderá variar de acordo
com o tipo de relação, sendo o uso mais constante encontrado nas relações de
mais alto risco (350). Entre os usuários de preservativos, o uso inconstante é
responsável por um alto percentual de gravidezes involuntárias.
Por exemplo, um estudo de 1982-84 conduzido nos EUA indicou
que o uso inconstante foi responsável por 60% das gravidezes ocorridas entre
usuários de preservativos (500).
O uso incorreto também pode resultar em gravidez e infecções.
No mesmo estudo americano já citado, o uso incorreto foi responsável por pelo
menos um quarto das gravidezes involuntárias (500). O preservativo poderá romper
ou rasgar como resultado de usos incorretos tais como desenrolar o preservativo
antes de colocá-lo, tentar colocar o preservativo ao contrário, com a aba
enrolada em direção ao corpo ao invés da direção contrária, deixar que se
prendam nas unhas ou anéis, e reutilizar os preservativos (502). Outras práticas
incorretas, que permitem um contato desprotegido, incluem iniciar o ato sexual e
depois retirar o pênis para colocar o preservativo, ou não segurar a aba do
preservativo ao retirar o pênis depois da ejaculação, o que poderá fazer o
preservativo mover-se e vazar o sêmen (383, 502).
A maioria dos estudos mostra que menos de 2% das vezes que os
preservativos se rompem ocorrem durante o coito vaginal ou a retirada do pênis
da vagina, dentro de uma variação entre estudos, de menos de 1% a 13%.
Normalmente, o coito anal sujeita o preservativo a uma maior tensão. Mesmo
assim, em 3 de 4 estudos, as taxas de ruptura de preservativos durante o coito
anal foram de 2,1% ou menos; a faixa nos quatro estudos foi de 1,6% a 7,3% (135,
217, 530, 567). Os estudos indicam que os preservativos saem completamente do
pênis em cerca de 1% a 5% dos coitos vaginais e deslizam-se descobrindo o pênis
mas sem sair totalmente do mesmo em 3% a 13% dos coitos (17, 198, 314, 374, 375,
458, 536). As taxas de deslizamento parcial durante o sexo anal variam de menos
de 2% a 21% (135, 217, 501, 567, 575).
O fato de esquecer de colocar o preservativo ou usá-lo
incorretamente não resulta necessariamente em gravidez. A mulher somente é
fértil durante poucos dias de cada ciclo menstrual e suas chances de engravidar
durante um único ato sexual, em um dia qualquer, foram estimadas entre 2% a 4%,
em média (526). As mulheres americanas relataram em uma pesquisa 443 rompimentos
de preservativos que resultaram em 19 gravidezes – ou seja, uma gravidez para
cada 19 rompimentos, ou 4,3 gravidezes para cada 100 rompimentos (240).
Nem todos os tipos de rompimentos de preservativos
representam o mesmo risco, dependendo do nível de exposição ao sêmen e fluidos
vaginais (198). Os rompimentos que ocorrem ao colocar o preservativo não
apresentam risco, desde que o usuário note o rompimento e coloque um outro
preservativo.
Os estudos mostram que entre 24% e 65% dos rompimentos
ocorrem antes da relação sexual (508, 510, 511, 536, 539).
Da mesma forma, a maioria das exposições ao risco de infecção
não provoca necessariamente uma infecção. Por exemplo, as chances de infectar-se
com o HIV por uma exposição única durante uma relação sexual desprotegida foram
estimadas dentro de uma faixa muito variável, que vai desde menos de 1 infecção
por 1000 exposições a mais de 1 infecção por 10 exposições, dependendo se a
transmissão é de homem para mulher, de mulher para homem ou de homem para homem,
e dependendo se a pessoa exposta apresenta úlceras genitais (18, 29, 73, 340,
393).
Como usar os preservativos da melhor forma. As taxas de
rompimento de preservativos diferem notadamente entre os casais (5, 405, 580).
Um estudo constatou que os homens casados rompem preservativos mais
freqüentemente com suas namoradas do que com suas esposas (263). O rompimento
está concentrado numa minoria de usuários (503). Em um estudo com 6 voluntários
para testar preservativos novos e envelhecidos, um só homem foi responsável por
quase metade de todos os rompimentos (189). Outro estudo retrospectivo feito com
41 profissionais do sexo do estado de Nevada, nos EUA, indicou que uma só mulher
foi responsável por mais de 40% de todos os rompimentos de preservativos (17).
Outros estudos, mas não todos, constataram que usuários
inexperientes rompem os preservativos com maior freqüência do que os experientes
(17, 240, 263, 322, 405). Em geral, os casais de mais idade que já usam os
preservativos há algum tempo e outros casais fortemente motivados a evitar a
gravidez são os usuários mais eficientes, como acontece com a maioria dos
métodos anticoncepcionais (509).
Uma lubrificação vaginal insuficiente pode contribuir para o
rompimento dos preservativos, problema este que poderia ser muitas vezes
remediado por um período maior de carícias prévias (298). Alguns homens têm
preferência pelo "coito seco ", como foi relatado em partes da África, e isso
pode contribuir para o rompimento (465). O uso de preservativos lubrificados ou
de lubrificantes apropriados junto com os preservativos pode ajudar a reduzir o
rompimento.
No entanto, os lubrificantes usados com preservativos de
látex não devem conter óleo. A presença de óleos vegetais ou minerais em um
lubrificante aumenta substancialmente o risco de rompimento porque os óleos
enfraquecem o látex em cinco minutos ou ainda em menos tempo (573). Estes óleos
são encontrados em produtos comuns tal como o petrolato, as loções para a pele e
o óleo de cozinha. Muitas pessoas usam estes produtos para lubrificar o
preservativo (510, 536).
Os produtos que contêm água em lugar de óleo—por exemplo,
glicerina, clara de ovo e a vaselina ou creme K-Y— não estragam o látex.
O mesmo ocorre com as geleias ou espumas espermicidas, as quais agem duplamente
como lubrificantes e podem promover uma proteção extra, se bem que podem causar
irritação se forem usadas muitas vezes ao dia. No entanto, alguns destes
lubrificantes seguros são difíceis de encontrar ou são mais caros em alguns
países. Os programas de saúde podem ajudar na identificação de produtos mais
econômicos e acessíveis que as pessoas poderiam usar como lubrificantes seguros.
Como assegurar a qualidade dos preservativos
Os preservativos são confiáveis, mas a tecnologia atual não
permite ainda fabricar preservativos que sejam inteiramente livres de defeitos
(564). Os preservativos devem ser fabricados e testados de acordo com normas
estabelecidas e reconhecidas, para garantir que tenham alta qualidade. Mas, como
a produção não pode ser perfeitamente uniforme, essas normas permitem que um
pequeno percentual da amostra dos preservativos falhe em cada teste (207).
Também deve-se ter cuidado em cada estágio do percurso da fábrica ao consumidor
para que os preservativos não se deteriorem significativamente durante o
armazenamento e transporte (207, 564, 598). Quando são distribuídos
preservativos de baixa qualidade, as pessoas sofrem, desperdiça-se dinheiro e
prejudica-se a imagem dos preservativos.
Geralmente, existem normas estabelecidas quanto ao tamanho,
resistência ao rompimento, ausência de orifícios, e embalagem e etiquetagem. As
normas também prescrevem como os preservativos devem ser testados quanto a
vazamentos e à resistência ao rompimento, antes de serem comercializados (476).
No mundo inteiro, três agências principais estabeleceram normas de fabricação de
preservativos: a Organização Internacional para a Padronização (ISO), o Comitê
Europeu de Normatização (CEN) e a Sociedade Americana de Testes e Materiais (ASTM).
Nos últimos anos, estas três organizações posicionaram-se para obter uma maior
uniformidade de normas.
Veja Figura 7
Normalmente, somente os preservativos novos são testados
quanto a vazamento (476). Preservativos artificialmente envelhecidos são
testados para avaliar se, e por quanto tempo, manterão inalterada sua
resistência, depois de sair da fábrica. Depois que uma embalagem se rompe ou
rasga, a deterioração do preservativo na embalagem é muito rápida.
A exposição aos raios ultravioletas, calor, umidade e ozônio
deteriora o látex e enfraquece os preservativos feitos com este material (43,
190, 564, 573). Quanto mais tempo os preservativos estiverem expostos a estas
condições, mais facilmente romperão. Uma nova norma da ISO, aprovada em 1999,
cobre os preservativos fabricados para climas tropicais.
Entre outras exigências está a de uma embalagem em papel
laminado impermeável para impedir inteiramente a deterioração oxidativa mesmo a
temperaturas elevadas (188, 191).
A Organização Mundial de Saúde (OMS), o Fundo de População
das Nações Unidas (UNFPA), a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento
Internacional (USAID) e outras organizações que compram grandes quantidades de
preservativos, os testam para garantir que atendem às especificações de compra,
as quais são similares às normas nacionais (207). Para garantir que os
preservativos não se deterioraram durante o transporte e armazenamento, os
compradores das instituições e agências reguladoras podem testar amostras de
preservativos em vários pontos ao longo da cadeia de distribuição. Entretanto,
este teste é raramente realizado (119, 201, 207, 324, 598).
Os diretores de programas podem fazer suas próprias inspeções
visuais regulares de amostras aleatórias retiradas de vários pontos do sistema
de distribuição. Se algum dos preservativos ou suas embalagens parecerem
estragados, uma amostra do lote afetado poderia ser enviada a um laboratório
para ser testada. Estoques mais antigos de preservativos poderão apresentar
deterioração mesmo que não haja nenhum dano visível nas embalagens (207). Se
possível, deve-se testar em laboratório as amostras de preservativos estocados
há mais de 3 anos (597).
A manutenção contínua da alta qualidade é cada vez mais
motivo de preocupação, já que aumenta o número de fabricantes de preservativos
no mundo inteiro (560). Como um controle cuidadoso da qualidade aumenta os
custos de manufatura, alguns fabricantes inescrupulosos aproveitam para relaxar
no cumprimento das normas e testes. A OMS recomenda que os procedimentos de
compras governamentais incluam a pré-qualificação dos fornecedores e exijam a
realização de testes, lote a lote, para garantir o cumprimento (562, 563). Em
1998, autoridades sul-africanas tiveram que devolver milhões de preservativos
defeituosos importados que não foram adequadamente testados (438). Logo depois
do incidente, a África do Sul tornou mais rígidas suas especificações de
preservativos e exigências de testes (564).
Population Reports is published by the Population Information Program,
Center for
Communication Programs, The Johns Hopkins School of Public Health, 111
Market Place, Suite 310, Baltimore, Maryland 21202-4012, USA
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