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Durante a última década, chegaram ao mercado alguns
novos tipos de preservativos e outros estão sendo desenvolvidos e testados.
Talvez o evento mais importante tenha sido a introdução do preservativo
feminino, que se popularizou e está atualmente sendo usado em mais de 30 países
(564).
Os avanços da tecnologia e um melhor controle de qualidade
permitem que os melhores fabricantes possam agora fazer preservativos de látex
que são uniformes, resistentes e elásticos (207, 564). As inovações mais
recentes incluem novos materiais, tamanhos, formatos, cores, texturas, odores e
sabores, além de novos tipos de lubrificantes (210). Ao mesmo tempo, novos
métodos de barreira e microbicidas estão sendo desenvolvidos.
O preservativo feminino
O único preservativo feminino disponível atualmente é
fabricado pela Female Health Company (FHC) (179). Aprovado em 1993 pela FDA
(órgão que controla alimentos e medicamentos nos EUA), o preservativo da FHC tem
o nome de Reality nos EUA e outros nomes em outros lugares, incluindo
Femidom e Care Contraceptive Sheath. A Medtech Company está
atualmente desenvolvendo um outro preservativo feminino (10, 199).
Outra variação é o preservativo feminino Janesway, que é na
verdade uma calcinha de algodão com uma bolsa de látex na área genital. A
calcinha cobre inteiramente toda a área genital externa feminina e sua
finalidade é impedir o intercâmbio de fluidos corporais ou o contato de uma
pessoa com as partes genitais do parceiro(a) (254, 450). O preservativo Janesway
está sendo desenvolvido pela HHH Development e o Conselho de Saúde Familiar da
Califórnia (196).
O preservativo feminino Reality é feito de poliuretano.
Trata-se de uma bolsa, delgada e macia, com dois anéis flexíveis, um em cada
ponta. O anel da ponta fechada serve para inserir o preservativo na vagina e
mantê-lo no lugar. O anel exterior fica do lado de fora da vagina e cobre as
partes externas dos órgãos genitais (158, 324). Embora tenha sido concebido para
o uso feminino, este preservativo também já foi utilizado por homens que
praticam o sexo anal com outros homens (70, 262, 353).
Nos testes de laboratório, o preservativo feminino de
poliuretano demonstrou ser impermeável ao esperma e aos organismos infecciosos,
inclusive o HIV (163, 371). Apesar de serem ainda poucos os dados dos estudos
clínicos sobre sua eficácia e prevenção de doenças, as taxas de eficácia
anticoncepcional e de prevenção de doenças parecem ser comparáveis às dos
preservativos masculinos (193, 507).
Veja Figura 9
Vantagens e desvantagens. O preservativo feminino da FHC
tem muitas vantagens sobre os preservativos masculinos. Ele pode ser mais
conveniente de usar porque pode ser inserido antes da relação sexual, sua
inserção não requer que o pênis esteja ereto e, igualmente aos preservativos
masculinos de plástico mas diferentemente aos de látex, o preservativo feminino
pode ser usado com lubrificantes à base de óleo (31, 82, 98, 158, 163, 267, 281,
419, 455, 604).
Uma vantagem importante do preservativo feminino é que a
mulher pode se envolver mais na decisão sobre o uso (10, 187). Segundo relatos
da Costa Rica, Indonésia, México, Senegal, Tanzânia e Zimbábue, as mulheres
acham que este preservativo lhes confere maior poder. Muitas acrescentaram que
eles lhes permitem expressar melhor seu interesse em relações sexuais mais
seguras (6, 163, 249, 436). Na Filadélfia, as mulheres americanas declararam
gostar do preservativo feminino porque ele as protege, permite uma sensação
natural e lhes concede a iniciativa quanto à proteção sexual (455).
Apesar destas vantagens, o sucesso do uso do preservativo
feminino está associado, como no caso do preservativo masculino, a questões de
poder, a técnicas de comunicação e às complexas habilidades de negociação e
tomada de decisão em conjunto (12, 31, 72). Os estudos mostram que as objeções
dos homens foram responsáveis pela interrupção do uso por parte de algumas
mulheres (68, 370, 604). Muitos estudos estão sendo realizados sobre a questão
da negociação e outros aspectos do uso dos preservativos femininos (365).
O preservativo feminino tem desvantagens também. O fato de
cobrir toda a genitália externa torna-o desagradável para algumas pessoas. Além
disso, ele pode ser ruidoso e algumas mulheres acham seu uso doloroso, sobretudo
devido ao anel interno. Ele pode ser difícil de manusear e inserir,
especialmente para as usuárias inexperientes, pode se deslocar durante a relação
sexual e certas mulheres podem rejeitar seu uso quando, como no caso do
preservativo masculino, o associam à prostituição ou à infidelidade (31, 98,
281, 419).
O alto custo pode ser a maior desvantagem dos preservativos
femininos. O preço do preservativo no varejo, a partir de 1 dólar, torna-o
inacessível para muitas pessoas nos países em desenvolvimento (163). Com a
finalidade de baixar o preço dos preservativos femininos ao consumidor, o
Programa Conjunto de HIV/AIDS das Nações Unidas (UNAIDS) negociou em 1996 um
contrato de 3 anos com a FHC para a venda de grandes quantidades do preservativo
feminino a um preço reduzido de cerca de 62 centavos de dólar por unidade (10,
249, 430). (Note-se que o preço do preservativo masculino no mercado mundial,
para vendas a granel, é atualmente inferior a 3 centavos de dólar por unidade
(200).) Além disso, muitos preservativos femininos fornecidos nos termos do
referido contrato são distribuídos por programas de marketing social, o que
reduz ainda mais o preço final ao consumidor (veja a página 21).
Os preservativos femininos seriam mais econômicos se pudessem
ser reutilizados. No entanto, como no caso do masculino, recomenda-se que o
preservativo feminino seja usado uma única vez e imediatamente descartado (163).
A reutilização é arriscada pois organismos infecciosos poderiam permanecer no
preservativo e este poderia perder sua integridade estrutural (604). Apesar
disso, algumas mulheres estão reutilizando os preservativos femininos (576).
Estão em andamento muitos estudos sobre o uso múltiplo dos
preservativos femininos (130, 163, 206, 432). Em um estudo de laboratório, os
preservativos foram lavados, secados e relubrificados dez vezes, e não se
constatou uma deterioração significativa de sua integridade estrutural (347). A
agência reguladora de drogas (USFDA) dos EUA não aprovou ainda a reutilização do
preservativo feminino e poderá não fazê-lo em até mais cinco anos, se é que o
fará (10).
Aceitação e uso. Os poucos estudos realizados até
agora como, por exemplo, os de Quênia e do Brasil, indicam que muitas pessoas
gostam dos preservativos femininos e continuarão a usá-los (31, 455). No Brasil,
75% das mulheres declararam ter gostado "muito" do preservativo feminino,
enquanto apenas 5% disseram não ter gostado (281). As profissionais do sexo, que
tendem a ser pessoas muito cientes dos perigos da infecção, demonstraram, com
freqüência, estar ansiosas por obter os preservativos femininos (98, 163, 331).
A distribuição dos preservativos femininos aumentou
rapidamente nos últimos anos, especialmente nos países em desenvolvimento. Desde
1992, cerca de 30 milhões de preservativos femininos foram vendidos no mundo
todo (313).
A Female Health Company anunciou vendas totais de 4,2 milhões
de preservativos femininos, no período de outubro de 1997 a abril de 1998, um
aumento substancial em comparação aos 1,3 milhões vendidos no mesmo período do
ano anterior (429). Entretanto, o número de preservativos femininos produzidos,
distribuídos e usados continua muito pequeno se comparado aos masculinos. A
África do Sul, Uganda, Zâmbia, e Zimbábue relataram vendas substanciais de
preservativos femininos (152, 273). Os programas de marketing social estão agora
fornecendo preservativos femininos em muitos países da África, Ásia e América
Latina, principalmente sob o patrocínio do Population Services International
(PSI) (14, 143, 428-430).
No Zimbábue, em 1996, 30.000 mulheres solicitaram ao governo
acesso aos preservativos femininos. Em 1997, o governo relançou um programa de
marketing social dos preservativos, administrado pela organização PSI, o qual
introduziu o preservativo feminino (584). Estimava-se que as vendas seriam de
apenas 4.000 unidades por mês mas, somente nos dois primeiros meses, foram
vendidas 80.000 (583). Como reflexo do aumento de interesse nos preservativos
femininos, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) deu início a uma
campanha de conscientização de seu pessoal de campo sobre estes preservativos,
enviando modelos e materiais impressos a todos os escritórios do UNFPA e
procurando doadores para financiar a compra de preservativos femininos para os
países em desenvolvimento (200).
Novos preservativos masculinos
Os preservativos masculinos já estão sendo feitos tanto
de plástico como de látex, além de haver novos modelos e formatos. O objetivo é
tornar o uso dos preservativos mais fácil, confortável e prazeroso.
Novos materiais. Os novos preservativos de plástico
têm aproximadamente a mesma espessura que os preservativos de látex (188, 211),
são menos apertados, não são danificados por lubrificantes à base de óleo e não
causam reações alérgicas (198, 375, 517). Também deterioram-se mais lentamente
que os preservativos de látex, apesar de estes também poderem ser muito estáveis
se forem embalados em papel laminado (188).
No início de 1999 a USFDA já tinha aprovado oito
preservativos masculinos (além do feminino) sintéticos. Dos preservativos
masculinos de plástico, somente dois (versões basicamente idênticas ao
preservativo Avanti, fabricado pelo London International Group), estavam
disponíveis comercialmente nos EUA no início de 1999. Os outros eram quatro
marcas que usam o tactylon (plástico a base de estireno) feitos pela Sensicon e
duas marcas Trojan da Carter-Wallace, Inc (303). Os preservativos Avanti
estão disponíveis em 10 países da Europa (582).
O preservativo de poliuretano EZON, desenvolvido pelo
Family Health International e fabricado pelos Laboratórios Mayer, Inc., foi
introduzido em vários mercados europeus em 1998 (278, 388), mas ainda não está
disponível em outros lugares nem foi ainda aprovado nos EUA. Dois preservativos
de plástico muito fino—Unique, para homens, e Unisex, para homens
e mulheres—estão disponíveis na Colômbia e outros países da América do Sul (188,
207). Outro preservativo de plástico também está sendo desenvolvido pela
Ortho-McNeil Pharmaceutical, no Canadá (211).
Novos modelos. Em resposta às reclamações de que os
preservativos de látex são muito apertados e desconfortáveis (173, 437, 486), os
fabricantes têm produzido ultimamente novos modelos, os quais são as primeiras
variações executadas, há muito tempo, nos modelos tradicionais de preservativos
masculinos (220, 342). Os preservativos Lifestyle, fabricados pela Ansell,
foram lançados em nova linha Xtra Pleasure, que conta com uma área
alargada na ponta do preservativo (33). Um preservativo da Sensicon, feito de
plástico tactylon, também tem um formato mais "folgado", mas ainda não foi
lançado no mercado (220).
O preservativo de poliuretano EZON é ultrafino e tem
um design mais folgado e "bidirecional", ou seja, ele pode ser desenrolado em
ambas as direções, além de poder ser puxado ao invés de desenrolado na sua
colocação sobre o pênis. O EZON parece ter um índice de falhas similar ao
dos preservativos de látex, mas custará mais caro (278, 342, 388).
Outros fabricantes estão também introduzindo variações dos
preservativos alargados. Também disponíveis estão os preservativos com várias
combinações exóticas de sabores, odores e/ou cores (113). Estes não atendem
necessariamente às normas de fabricação e podem não ter sido submetidos a testes
adequados (564).
Lubrificantes para preservativos. A epidemia de AIDS e
o aumento de outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) intensificaram o
interesse na descoberta de novos lubrificantes para preservativos, especialmente
os que puderem ser eficazes contra as infecções. Alguns preservativos são
lubrificados com o espermicida nonoxinol-9 (N-9), que destrói o HIV e outros
(mas não todos) germes causadores de ISTs (243, 396, 586). Estudos recentes não
conseguiram ainda demonstrar que o uso do N-9 no preservativo dá proteção
adicional contra as ISTs (159, 454, 565). Isto talvez ocorra porque o próprio
preservativo já é muito eficaz, quando usado adequadamente. Também, o N-9 pode
irritar o epitélio vaginal e aumentar o risco de infecção do trato urinário (1,
512, 575).
Inovações em outros métodos de barreira
Também estão em desenvolvimento ou já estão disponíveis
novos métodos de barreira. Alguns destinam-se a evitar a gravidez, enquanto que
os germicidas buscam também evitar as infecções sexualmente transmissíveis.
O Escudo Lea é uma barreira que cobre o colo do útero.
Feito de silicone, ele não requer colocação por um clínico. Pode ser usado por
pessoas alérgicas ao látex e não é danificado por lubrificantes derivados do
petróleo (34). Quando é usado com espermicida, parece prevenir a gravidez pelo
menos tão bem quanto os outros métodos de barreira convencionais (64, 120, 165).
O uso deste dispositivo nos EUA ainda não foi aprovado pela agência FDA, mas já
está disponível no Canadá e Europa (153).
O Femcap é um "gorro" cervical que se ajusta adequada
e confortavelmente no colo do útero, mas não se firma tão fortemente quanto os
diafragmas convencionais (64,120, 165). Como é feito de silicone, as mulheres
alérgicas ao látex podem utilizá-lo. O Femcap aguarda a aprovação da FDA nos EUA
e ainda não está disponível em nenhum outro lugar.
A Esponja Protectaid contém três espermicidas que
também podem proteger contra as ISTs e funciona como anticoncepcional de 3
formas: como uma barreira que previne a entrada do esperma no útero, como um
absorvente de sêmen e como espermicida (435). Ele pode ser colocado até 12 horas
antes do contato sexual, dando proteção para quantos atos sexuais ocorrerem
durante este período (120).
Pode ser comprado sem receita médica no Canadá e em outros
países (40). Um dispositivo similar, a esponja anticoncepcional Today, está
sendo reintroduzida nos EUA.
Microbicidas. Alguns consideram os microbicidas
vaginais— cremes, espumas e géis que matam o HIV e outras ISTs e esperma na
vagina—como o futuro da proteção controlada pela própria mulher (154, 180). Os
pesquisadores estão desenvolvendo mais de 45 microbicidas que poderão ser usados
contra o HIV e outras ISTs mas, até agora, não surgiu nenhum microbicida
adequado ao uso tópico, vaginal ou retal e capaz de destruir ou desativar
microorganismos específicos, tais como o HIV e outras ISTs (474).
Veja Figura 10
Cientistas da Universidade Johns Hopkins criaram um novo tipo
de gel anticoncepcional (chamado BufferGel) que podeprevenir as ISTs e a
gravidez (116, 571). No início de 1999, estavam quase concluídos os estudos
realizados na Índia, Malavi, Tailândia e Zimbábue sobre a segurança do BufferGel,
bem como outros estudos sobre o uso do BufferGel sozinho e com diafragma (114).
Entre os microbicidas que formam uma barreira à transmissão
de doenças está um "preservativo líquido", à base de polímeros, que está sendo
desenvolvido no Centro de Doenças Infecciosas da Universidade Laval, no Canadá.
Aplicado sob a forma de um líquido transparente nas áreas genitais ou anais
antes do ato sexual, este material insípido e não tóxico forma, à temperatura
corporal, um gel que bloqueia fisicamente a transmissão do HIV e do vírus do
herpes simples (115, 160, 245). Os testes pré-clínicos e o primeiro teste
clínico do gel estão próximos a serem concluídos (56).
Population Reports is published by the Population Information Program,
Center for
Communication Programs, The Johns Hopkins School of Public Health, 111
Market Place, Suite 310, Baltimore, Maryland 21202-4012, USA
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