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A AIDS deu início a uma nova era de promoção dos
preservativos. Os preservativos constituem um dos mais antigos métodos
anticoncepcionais e já estão disponíveis há muitos anos, mas antes da AIDS,
somente alguns poucos programas realmente promoviam o seu uso no planejamento
familiar (105). Hoje, os preservativos são promovidos amplamente como parte das
campanhas de prevenção da AIDS (12, 92, 528). A promoção normalmente destaca o
papel duplo dos preservativos, que podem ser usados tanto no planejamento
familiar como na prevenção de HIV/AIDS e outras infecções transmitidas
sexualmente (ISTs).
Às vezes, pode ser difícil promover uma prática ou produto
que pode interferir com o prazer sexual e ser estranho de usar, que não traz uma
recompensa imediata, é freqüentemente associado à desconfiança e à imoralidade e
cuja confiabilidade e eficácia são freqüentemente questionadas. Para ser eficaz,
a promoção do uso do preservativo deve cativar as pessoas, tocá-las
emocionalmente e persuadi-las de que seu uso é importante, conveniente e aceito
pela sociedade. Como demonstra o sucesso das campanhas de promoção dos
preservativos, as estratégias de comunicação bem planejadas, quando combinadas
com um maior acesso aos preservativos, têm o potencial de reduzir a disseminação
das ISTs.
Estratégias de comunicação
Para ser eficaz na promoção dos preservativos, é
essencial ter uma estratégia de comunicação. A melhor estratégia propõe uma
mudança de comportamento, baseia-se em pesquisas anteriores que identificam o
público-alvo adequado e o tipo de mensagens que podem comovê-los, e usa uma
variedade de meios que se reforçam mutuamente para passar a imagem de modelos de
comportamento sexual saudável e para oferecer sugestões específicas de ação—por
exemplo, "compre preservativos".
Modelos de mudança de comportamento. As mensagem
baseadas em modelos comprovados de mudança de comportamento podem influenciar o
comportamento das pessoas no que se refere à saúde, inclusive o uso de
preservativos (12, 75, 291, 415). Um modelo influente de mudança de
comportamento ligado à saúde é a Teoria das Etapas de Mudança, desenvolvida por
James O. Prochaska e seus colegas no campo da psicoterapia. Esta teoria consiste
de 5 etapas, onde primeiro as pessoas se conscientizam sobre a necessidade de um
novo comportamento e, depois, seguem um processo gradual de adoção deste
comportamento (433).
O campo da saúde reprodutiva adaptou esta abordagem de cinco
etapas para guiar as atividades promocionais. Por exemplo, o esquema Steps To
Behavior Change (passos para uma mudança de comportamento) usado pelo Centro de
Programas de Comunicação da Universidade Johns Hopkins, propõe cinco passos para
mudar o comportamento relacionado à saúde, iniciando-se com o conhecimento e
passando sucessivamente pela aprovação do grupo, intenção, prática e,
finalmente, defesa e promoção (415). Outro esquema, Behavior Change for
Communication (mudança de comportamento pela comunicação), que guiou os esforços
do AIDSCAP (Projeto de Controle e Prevenção da AIDS), também consiste de cinco
etapas: conhecimento, percepção do potencial de risco, motivação para a mudança,
teste de um novo comportamento e, finalmente, adoção e manutenção do novo
comportamento (12).
Outros modelos usados na prevenção da AIDS incluem o "Modelo
de Crença na Saúde", "Modelo de Redução do Risco da AIDS", "Modelo de Estágios
de Mudança", "Teoria Cognitiva Social", "Difusão e Inovação", "Redução de Danos"
e Teoria da Ação Bem Pensada" (9, 242).
Comunicação baseada em pesquisas. A promoção dos
preservativos pode ter mais impacto quando identifica um público específico e
testa anteriormente suas mensagens em uma amostra deste público. A pesquisa com
o público é que orienta o desenvolvimento dos conceitos, mensagens e espírito da
campanha. A realização de discussões com grupos focais, entrevistas em
profundidade e levantamentos asseguram que as mensagens e materiais satisfazem
às necessidades e preocupações de cada público-alvo (415).
As mensagens e imagens que servem para um grupo poderão não
servir para outro. Por exemplo, o desenho de uma onça que aparece em alguns
preservativos distribuídos pela USAID, é popular no Caribe e no Zaire, mas
testes realizados em Burquina Faso e Malavi mostraram que, nestes países, os
homens associam a onça com o perigo e violência (118, 380). Já na Libéria, os
homens associavam a ilustração da onça com comida de gato (532).
Como atingir o público-alvo. Muitas campanhas de
prevenção da AIDS estão voltadas ao público de mais alto risco (138, 248, 444,
505, 587), o qual inclui profissionais do sexo, adolescentes, homossexuais
masculinos, caminhoneiros, migrantes masculinos, militares, mineiros e outros
profissionais que trabalham longe de casa (138, 587). Estas campanhas ilustram
como é possível concentrar a atenção em determinados públicos específicos. Mas o
perigo de dirigir a promoção somente ao público de alto risco, sobretudo o
público marginalizado como é o de profissionais do sexo, é que outras pessoas
que também correm risco poderão ignorar a mensagem.
As campanhas de promoção de preservativos feitas com
profissionais do sexo tiveram bons resultados (581). Por exemplo, em Kinshasa,
no Congo, um projeto que forneceu preservativos e orientação gratuitos durante 3
anos a 531 profissionais que tinham testes negativos para o HIV, aumentou a
porcentagem das profissionais que sempre usavam preservativos de 11% para 52%,
depois de 6 meses, e para 68%, depois de 36 meses. Na verdade, o maior obstáculo
reportado pelas profissionais era de que muitos clientes se recusavam a usar os
preservativos (305, 587). Em Bali, na Indonésia, um programa de educação e
distribuição de preservativos entre profissionais do sexo e seus agentes
aumentou o conhecimento sobre HIV/AIDS e outras ISTs, e aumentou o índice de uso
do preservativo de 18% para 75% dos atos sexuais em uma área de estudo, e de 29%
para 62%, em outra (181).
Os meios de comunicação e as mensagens. Uma promoção
eficaz dos preservativos usa uma variedade de canais de informação para alcançar
públicos específicos com mensagens adaptadas aos seus interesses e necessidades
(155, 286). Atualmente, em muitas partes do mundo, os preservativos são
promovidos no rádio e na televisão, inclusive em noticiários, novelas e
programas humorísticos.
As campanhas de promoção também usam jornais, cartazes,
panfletos e apresentações em escolas (60). Outros meios utilizados incluem
canções (437), competições musicais, representações teatrais (184, 185, 469,
470), vídeos, filmes (178, 286), tendo-se notícia até de um "carnaval dos
preservativos" (361, 362) e de sermões religiosos que os promoveram (467). Em
resumo, vale a pena usar qualquer meio que atinja o público desejado.
A publicidade referente aos preservativos aborda,
freqüentemente, seu papel na prevenção de doenças. Recentemente, ao reconhecer
que valia pouco apelar para o medo das pessoas, os anunciantes de preservativos
nos meios de comunicação de massa resolveram enfatizar o lado positivo do uso
dos preservativos, ao invés de focalizar a prevenção das doenças (234, 527). Nos
EUA, por exemplo, a Durex planejou a veiculação de anúncios nos meios de
massa que se concentram mais nos benefícios emocionais do uso dos preservativos
(35, 151). A Ansell começou a colocar cartazes em jornais universitários, os
quais enfatizam os aspectos dos relacionamentos e do prazer (33).
Orientação
A orientação—ou seja, a comunicação pessoal entre os
profissionais de saúde e os clientes—pode ajudar a mudar as atitudes e os
comportamentos individuais. A orientação pode ajudar as pessoas a aplicarem as
informações sobre preservativos e ISTs às suas próprias circunstâncias, a
decidir usar ou não os preservativos, a desenvolver suas habilidades de
comunicação e negociação, e a aprender como usar os preservativos corretamente
(324, 392, 449, 451, 488). Para dar uma orientação relevante sobre o uso dos
preservativos, os orientadores ou conselheiros devem estar motivados e
convencidos de que os preservativos são eficazes (564).
Entretanto, nem todos precisam de orientação e existem
pessoas a quem a orientação não consegue ajudar. Algumas pessoas preferem obter
informações e preservativos de forma mais discreta, geralmente através de
parentes e amigos.
Outras, independentemente de suas aptidões interpessoais, não
têm esperança de mudar o comportamento sexual do parceiro ou parceira (82).
Evidentemente, o acesso aos preservativos nunca deve ser limitado porque a
orientação não está disponível. Os meios de comunicação de massa podem fornecer
muitas informações sobre como usar os preservativos, onde obtê-los e até como
discutir seu uso com o parceiro sexual.
A orientação é ainda mais importante para os que correm mais
riscos como, por exemplo, os clientes que fazem tratamento de ISTs. A orientação
pode ajudar as pessoas a iniciar e manter o uso dos preservativos. Quando se
discute e se demonstra ao cliente cada passo do uso do preservativo, desde sua
compra até seu descarte, o cliente tem maior probabilidade de transformar seu
uso em rotina. Nas situações de alto risco, poderá ser necessário manter um
processo contínuo de orientação. Em Kigali, na Ruanda, os casais onde um dos
parceiros estava infectado pelo HIV eram testados e orientados a cada 3 meses. O
programa resultou num maior uso dos preservativos e menores índices de infecção
entre estes casais, quando comparados a outros (22).
Ensino prático do uso dos preservativos. Se bem que
seu uso pode parecer simples, os preservativos exigem um certo grau de técnica e
destreza (8, 386, 439, 499). Muitos homens não sabem como usar os preservativos
e isso pode ser embaraçoso, levar à perda da ereção, mau funcionamento do
preservativo e até a desistência de seu uso inteiramente. Sobretudo os jovens
necessitam estar confiantes de que saberão usar os preservativos quando surgir a
oportunidade. Os programas tanto de orientação como de educação sexual podem
informar e treinar os jovens quanto às técnicas de comunicação e negociação
necessárias para um uso constante e eficaz (47).
A orientação pode ajudar as mulheres a aprender a pedir e até
a insistir quanto ao uso dos preservativos (12, 463, 602). O fortalecimento da
auto-estima feminina e da insistência das mulheres em usar preservativos reforça
sua capacidade para negociar este uso com os parceiros (255, 287, 464). Os
orientadores e clientes podem, trabalhando juntos, planejar a busca das
respostas mais apropriadas às circunstâncias e hábitos pessoais dos clientes,
inclusive preparando respostas às objeções masculinas (575).
Muitas vezes, a abordagem adotada pelos programas para dar
orientação sobre o uso dos preservativos procura concentrar-se no fortalecimento
das habilidades das mulheres para negociarem e comunicarem-se com os homens. Os
programas também precisam abordar diretamente a mudança da atitude dos homens
com relação aos preservativos, já que são geralmente os homens que têm maior
poder de decisão em um relacionamento e já que, de qualquer maneira, são eles
que devem usar os preservativos (238). A orientação dos casais, juntos ou
separadamente, é de muita importância (12, 137, 239) e pode ser feita de várias
formas, seja por colegas ou companheiros ou em grupos (439), buscando atingir
grupos maiores da comunidade e particularmente os grupos de alto risco.
Orientação dada por companheiros. As pessoas são
influenciadas consideravelmente pelas atitudes de seus colegas e companheiros,
inclusive pelo seu comportamento sexual (7, 15, 50, 121, 534). Cada vez mais, os
programas buscam contar com a ajuda de colegas e companheiros para orientar as
pessoas quanto a comportamentos saudáveis e para fornecer informações sobre ISTs
e preservativos (11, 12, 287).
O envolvimento de colegas e companheiros é um método
particularmente promissor para tentar atingir os jovens, para ensinar um
comportamento sexual saudável e estimular o uso dos preservativos (2, 171, 327,
262, 384, 387, 513) (veja o quadro 3).
A orientação prestada por colegas e companheiros também pode atingir certos
grupos marginalizados como, por exemplo, profissionais do sexo, usuários de
drogas intravenosas ou refugiados (323). Em Pokhara, Nepal, um programa
educativo que utilizou as próprias colegas das profissionais do sexo conseguiu,
em quatro meses, aumentar a distribuição gratuita de 2.000 para 8.000
preservativos por mês (302). Em Calcutá, na Índia, um programa deste tipo
conseguiu aumentar o uso de preservativos de 1% para 42% das profissionais do
sexo, em apenas um ano (578).
Promoções com dois objetivos e dois métodos Como os
preservativos protegem contra as ISTs e previnem a gravidez, os promotores e os
profissionais de saúde devem decidir se enfatizam um ou ambos os benefícios. Às
vezes, os casais devem ser aconselhados a usar os preservativos junto a um outro
método anticoncepcional.
Promoção com dois objetivos. Muitas promoções
enfatizam os benefícios duplos do uso do preservativo (219, 234). Um número
crescente de programas de planejamento familiar está fornecendo informações e
orientação sobre as ISTs e promovendo os preservativos tanto para a prevenção
das ISTs como para a contracepção. Ainda assim, existe um grande caminho a
percorrer. Um estudo de clínicas de nove países africanos comprovou que somente
de 2% a 36% dos novos clientes eram informados de que os preservativos eram um
método eficaz para evitar as ISTs (359).
Quando se oferece às pessoas mais de uma razão para usar os
preservativos, seu uso aumenta (171). Em Gana, uma pesquisa com grupos focais
constatou que as mulheres se sentiam mais à vontade para discutir com seus
maridos o uso dos preservativos quando alegavam o planejamento familiar, mesmo
quando estavam preocupadas também com a transmissão de doenças (31, 426). No
Zimbábue, as mulheres disseram que a discussão sobre a contracepção foi um bom
ponto de partida para a negociação do uso do preservativo (424).
Promoção com dois métodos. Outro desafio da promoção
dos preservativos é alcançar as pessoas que já estão usando outro método
anticoncepcional eficaz, tentando convencê-las de que necessitam usar também os
preservativos para se protegerem contra as ISTs (28, 104). É possível que a
promoção de um segundo método nestes casos provoque a redução do uso do outro
método (104, 126, 155, 180, 237, 499). Sobretudo porque o uso de dois métodos
aumenta o custo total para os usuários (480).
Em geral, o uso consistente de preservativos como método
secundário decresce na medida em que aumenta a eficácia do método
anticoncepcional primário (174, 472). Nos EUA, o uso dos preservativos diminuiu
entre as mulheres que adotaram os implantes Norplant ou o injetável
Depo-Provera. Deve-se observar que o decréscimo estava mais concentrado nas
mulheres que tinham um único parceiro, enquanto que o uso do preservativo
aumentou entre mulheres com múltiplos parceiros (126).
Muitos casais acham difícil utilizar dois métodos
anticoncepcionais (237). Atualmente, alguns fornecedores recomendam que todos os
usuários de preservativos e outros métodos de barreira devem ter pílulas
anticoncepcionais de emergência (PAEs) disponíveis, como método de reserva.
Lembre-se, no entanto, que as PAEs não protegem contra as ISTs (48).
Vinculação da prevenção de ISTs aos programas de
planejamento familiar. Tradicionalmente, na maioria dos países, os programas
de planejamento familiar e os programas de prevenção das ISTs funcionavam de
forma separada, com objetivos diferentes, diferentes razões para a promoção dos
preservativos, pontos diferentes de venda ou distribuição e até público e
clientela diferentes. O maior interesse no uso dos preservativos para evitar a
HIV/AIDS surgiu fora dos programas de planejamento familiar e programas de saúde
materno-infantil (SMI), porque muitos destes ficaram preocupados com o efeito
que seu envolvimento com a AIDS e outras ISTs teria sobre sua reputação.
Veja Figura 13
Mesmo assim, com a promoção mais ampla dos preservativos como
fonte de proteção dupla, a associação do planejamento familiar com os programas
de controle das ISTs tornou-se mais aceitável. Muitos observadores têm até
sugerido uma maior vinculação ou integração destes dois tipos de programas (49,
105). A Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento, realizada
no Cairo em 1994, declarou em seu programa de ação: "Os programas de
planejamento familiar funcionam melhor quando fazem parte ou estão vinculados a
programas mais abrangentes de saúde reprodutiva" (542).
Apesar das diferenças entre estes dois tipos de serviços
poderem dificultar a integração (12, 84, 294), muitos observadores concluíram
que os benefícios superam as dificuldades (51, 52, 294, 328, 334, 545, 554).
Mesmo assim, uma análise recente de 5 países africanos constatou que os
programas não governamentais de planejamento familiar de objetivo único são
freqüentemente mais eficazes que os programas governamentais integrados de saúde
reprodutiva. Os pesquisadores concluíram que os programas precisam adaptar-se às
situações locais (514).
Freqüentemente, a escassez de fundos e a relutância
institucional e do pessoal encarregado impedem a integração (554), mas em muitos
países os programas de planejamento familiar e os programas de saúde
materno-infantil incorporaram com grande sucesso a prevenção das ISTs em suas
atividades normais. No Nepal, por exemplo, a preocupação com um possível estigma
das ISTs demonstrou ser infundada (12).
Em outros países, o aumento da publicidade sobre os
preservativos, em função das campanhas de prevenção de AIDS, acabou melhorando a
sua imagem e aumentando seu uso para fins anticoncepcionais. Pesquisas feitas no
México, Jamaica e Brasil comprovaram que a inclusão de mensagens sobre a AIDS
nas comunicações sobre planejamento familiar não mudou a imagem dos
preservativos como método anticoncepcional (102, 176). Na Colômbia, uma campanha
de rádio, de 3 meses, promoveu os preservativos na prevenção da AIDS e mencionou
a "Asociación Pro-Bienestar de la Familia (PROFAMILIA)", uma organização de
planejamento familiar. Os estudos mostraram que a imagem dos preservativos
melhorou e as atitudes continuam positivas com relação à PROFAMILIA (36, 385).
A Associação de Planejamento Familiar da Jamaica (FAMPLAN)
passou a incluir a orientação quanto ao sexo mais seguro e a prevenção do HIV
nas suas clínicas de planejamento familiar, nos serviços de alcance rural e nos
programas voltados aos trabalhadores migrantes, nas fábricas e junto à
juventude. A embalagem do preservativo FAMPLAN salienta o duplo benefício dos
preservativos e o uso de dois métodos (481). Depois de um ano de operação, este
programa integrado distribuiu 213.000 preservativos em 1994, comparado com
60.000 em 1992, o ano anterior à integração (481).
A integração tem que ser pensada cuidadosamente porque a
integração de diagnóstico e tratamento das ISTs com os serviços de planejamento
familiar não é necessariamente a forma mais eficaz de reduzir a prevalência das
ISTs. Recomenda-se aos programas que têm o apoio da USAID concentrar-se,
contudo, em prevenir as ISTs pela promoção e distribuição de preservativos e
pelo estímulo a um comportamento sexual seguro, particularmente entre os grupos
de alto risco (553).
A promoção dos preservativos funciona A promoção dos
preservativos funciona. Ela pode aumentar o uso e ajudar a baixar as taxas de
infecção (338). No Senegal, por exemplo, o governo começou a promover os
preservativos logo após a descoberta da AIDS no país, o que ajudou a manter a
taxa de prevalência do HIV em menos de 2% dos adultos, uma das menores taxas na
África sub-saariana. A prevalência das ISTs entre as profissionais do sexo foi
reduzida em mais da metade, passando de 55%, em 1991, para 20%, em 1996 (478).
Os exemplos da Tailândia, Uganda e Nepal demonstram como a promoção dos
preservativos pode produzir efeito.
Tailândia. O "Programa de 100% de Preservativos" da
Tailândia é uma das mais bem sucedidas campanhas de promoção do uso dos
preservativos no mundo (308). A meta do programa era fazer com que todas as
profissionais do sexo adotassem o hábito de uso dos preservativos. Se o cliente
se recusava a usar o preservativo, a profissional deveria recusar o ato sexual e
devolver o dinheiro do cliente. O governo fechou os prostíbulos que não
cumpriram as determinações do programa (226 304, 308, 456).
De 1989 a 1994, o uso de preservativos em locais de comércio
do sexo aumentou de 25% de todos os atos sexuais para mais de 90%. Os índices de
ISTs entre as profissionais do sexo diminuíram em mais de 85% (226, 456). Além
disso, pesquisas com recrutas recém ingressados no exército, feitas no início da
campanha (1991) e novamente dois anos depois, mostraram que os recrutas mais
recentes tinham não só maior probabilidade do que o grupo anterior de terem
usado o preservativo como também freqüentavam menos os bordéis (100, 308).
Apesar da AIDS continuar a ser um problema na Tailândia, a
promoção do preservativo e outras atividades de prevenção foram responsáveis
pelo declínio na prevalência geral do HIV e de outras ISTs (321) (veja a
figura 2). Uma forte campanha
feita com os meios de comunicação de massa e distribuição gratuita de
preservativos conseguiu reduzir a epidemia de AIDS (157). Como disse um
representante da UNAIDS: "A Tailândia é um bom exemplo de que, quando se tomam
as providências corretas, pode-se ter um impacto significativo no desenrolar da
epidemia de AIDS" (308).
Uganda. Este país já teve o maior índice de infecção
de AIDS do mundo (133). No entanto, enquanto a maioria dos outros países em
desenvolvimento presenciou o aumento de HIV/AIDS, Uganda viu o índice de
infecção de HIV reduzir-se em até 25%, comparado com os índices que prevaleciam
nos anos 80. A Uganda é o único país da África sub-saariana onde a incidência de
AIDS diminuiu (330, 603).
Yoweri Museveni, o presidente de Uganda desde 1986, é
ativista e defensor dos programas de prevenção da AIDS (133). A Força Tarefa
Nacional de Uganda contra a AIDS foi organizada em 1990 (32). Em 1991, teve
início um programa multi-setorial que inclui a distribuição e promoção dos
preservativos com o uso de música popular e grupos teatrais, orientação e
serviços de apoio (2). Em 1995, deu-se início a uma campanha de promoção
nacional com a utilização de músicas, novelas, peças, cartazes e outras
atividades que promovem o sexo seguro, a abstinência, um menor número de
parceiros e o uso dos preservativos pelos jovens (286).
Houve, posteriormente, um aumento da idade média da primeira
relação sexual e da monogamia, além de um decréscimo da prevalência do HIV,
especialmente entre as pessoas mais jovens (147, 270). A porcentagem de mulheres
grávidas com HIV caiu a partir de 1991, conforme se constatou com a realização
de exames de sangue em cinco locais (2,270, 338). O uso dos preservativos
aumentou substancialmente entre os jovens. Entre os homens de 15 a 19 anos de
idade, a porcentagem dos que já usaram o preservativo alguma vez passou de 20%,
em 1989, para cerca de 60% em 1995 (270).
Nepal. No Nepal, a campanha de promoção concentrou-se nas
profissionais do sexo e seus clientes, os motoristas de caminhão. Estes
constituem uma clientela importante porque são homens que fazem viagens muito
longas e que procuram as profissionais do sexo quando estão longe do lar por
muito tempo (382, 453, 493, 587). O fornecimento de preservativos e informações
ao longo das rotas dos caminhoneiros ajudou a reduzir o comportamento de risco
tanto das profissionais do sexo como dos caminhoneiros. Entre 1994 e 1996, quase
dobrou o uso dos preservativos pelas profissionais do sexo ao longo das rotas
dos caminhoneiros, chegando a 61%. Em contraste, o uso dos preservativos caiu no
grupo de profissionais do sexo que não receberam informações, grupo este usado
como comparação (269).
Population Reports is published by the Population
Information Program,
Center for Communication Programs, The Johns Hopkins School of Public Health,
111 Market Place, Suite 310, Baltimore, Maryland 21202-4012, USA
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