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Neste Artigo:
- Introdução
- Icterícia
"fisiológica" do recém-nascido
- Icterícia
"não-fisiológica"
- Icterícia
relacionada ao aleitamento materno
- Tratamento
"A icterícia é a coloração amarelada da pele e das
mucosas (mucosa da boca, parte branca dos olhos), causada pelo acúmulo de um
pigmento chamado bilirrubina".
Introdução
As células vermelhas de nosso sangue, as hemácias, são as
responsáveis pelo transporte de oxigênio aos tecidos. Elas apresentam uma vida
média de 120 dias, após o qual são destruídas no baço e seus componentes
são reaproveitados na produção de novas hemácias. Nessa destruição, o
componente responsável por carregar o oxigênio, a hemoglobina, é quebrada em
partes menores, uma das quais é convertida em bilirrubina.
Essa bilirrubina é capturada pelo fígado e após sofrer
alguns processos é excretada (jogada fora) através da bile, que fica
armazenada na vesícula. Quando alguma parte de todo esse complexo sistema está
afetada, pode ocorrer icterícia.
Grande parte dos recém-nascidos apresenta icterícia nos
primeiros dias de vida, sem significar, contudo, a presença de alguma doença.
É a chamada icterícia "fisiológica" (ou normal) do recém-nascido.
Porém, em alguns casos a icterícia decorre de alguma doença, devendo ser
corretamente identificada, para permitir o tratamento adequado.
Icterícia
"fisiológica" do recém-nascido
Esse tipo de icterícia acomete aproximadamente 2/3 dos
recém-nascidos não-prematuros, sendo ainda mais freqüente nos prematuros. É
uma circunstância normal, apresentando-se de forma leve na maioria das vezes e
que regride espontaneamente, mas às vezes requer tratamento para evitar os
problemas causados pelo excesso de bilirrubina no sangue.
Ela decorre de um conjunto de fatores que acabam levando ao
aumento da produção de bilirrubina, a uma dificuldade de sua captação pelo
fígado (o que permite seu acúmulo no sangue) e a um aumento da sua
reabsorção nos intestinos. Tudo isso faz com que a concentração de
bilirrubina no sangue aumente.
Embora esse acúmulo possa ser considerado normal, nem sempre
as conseqüências são inócuas, especialmente se o bebê for prematuro. Neles,
dependendo da situação, existe a necessidade de tratamento para evitar-se a
impregnação da bilirrubina no cérebro, o que causa graves danos à criança.
Icterícia
"não-fisiológica"
Quase todos os casos de icterícia não-fisiológica devem-se
à exacerbação dos mesmos mecanismos que causam a icterícia fisiológica.
Assim, as principais causas estão relacionadas com os distúrbios da produção
de bilirrubina, da captação hepática, do metabolismo, da excreção e da
reabsorção intestinal.
Algumas doenças que podem causar icterícia neonatal são:
• Anemia hemolítica: quando as hemácias são destruídas
em excesso;
• Infecções;
• Síndrome de Gilbert, de Criegler-Najar: distúrbios do funcionamento de
enzimas que atuam no metabolismo da bilirrubina;
• Icterícia do aleitamento materno;
• Jejum prolongado;
• Estenose hipertrófica do piloro.
Existem alguns dados que alertam os médicos para uma
provável natureza patológica para a icterícia. Um dado importante que pode
ser percebido pelas mães é a descoloração das fezes, o que se associado à
icterícia, sugere um distúrbio da excreção de bile (que contém
bilirrubina). Assim, o acompanhamento médico do recém-nascido desde seu
nascimento permite a suspeita de algum problema, e faz com que sejam realizados
exames que objetivam identificar a causa do problema.
Icterícia
relacionada ao aleitamento materno
Aproximadamente um terço das crianças amamentadas ao seio
apresentam concentrações aumentadas de bilirrubina no sangue. Apesar disso,
não devemos atribuir ao leite materno a única causa da icterícia, sendo
necessária a exclusão de outras causas potenciais.
Existem duas formas dessa icterícia. Uma inicia-se
precocemente, é conhecida como icterícia do aleitamento e deve-se
provavelmente à ingestão de poucas calorias e líquido, nos primeiros dias de
vida. A outra forma é a icterícia do leite materno, de início mais tardio e
de causa ainda não esclarecida; acredita-se que haja algum distúrbio
(inibição) do metabolismo da bilirrubina.
Se o recém-nascido estiver bem e a concentração de
bilirrubina não estiver acima dos níveis de risco, o aleitamento não deve ser
interrompido. Porém, se as concentrações apresentarem comportamento
ascendente e atingir níveis de risco, deve-se pesquisar outras causas e iniciar
o tratamento. Se as outras causas forem excluídas, pode-se tentar interromper o
aleitamento por 72 horas. Mas após esse período ele deve, sempre, ser
reintroduzido.
Tratamento
O principal objetivo do tratamento é evitar o acúmulo de
bilirrubina no cérebro, o que pode causar uma doença chamada kernicterus, a
qual traz grandes problemas ao desenvolvimento da criança. Quando é
identificada um causa tratável de icterícia, esse tratamento específico é de
extrema importância. O tratamento da icterícia inclui basicamente duas
opções.
A fototerapia ou banho de luz é a primeira opção, na
maioria dos casos. Deve ser realizada no hospital, de preferência no alojamento
conjunto. É ideal naqueles casos em que a elevação da bilirrubina é mais
lenta e no tratamento da icterícia do prematuro. Consiste na exposição da
criança a uma fonte de luz. A luz converte a bilirrubina, impregnada na pele e
nas mucosas, em outra substância, que é "incolor" e não acumula no
cérebro.
O outro método é a exsangüinotransfusão. É indicada para
reduzir rapidamente a concentração de bilirrubina, quando há risco de
acometimento do cérebro, especialmente se houver hemólise (destruição das
hemácias). O risco de aparecimento de kernicterus é indicação absoluta para
a realização desse tratamento. A exsangüinotransfusão consiste na retirada
de todo o sangue da criança e a sua substituição por outro sangue, sem as
concentrações altas de bilirrubina.
Palavras chave: fototerapia, banho de luz, icterícia,
amarelão, kernicterus, exsangüinotransfusão.
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Revisado 26 de Outubro de 2006
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