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© Equipe Editorial Bibliomed
Neste Artigo:
- Qual a origem da
histeria?
- Como
as pacientes histéricas foram vistas ao longo da história?
- Existe uma personalidade
histérica?
- Os homens apresentam histeria?
- Quais as
características de uma crise de histeria?
- Existe
associação entre histeria e depressão?
Qual a origem da
histeria?
Conhecem-se relatos de quadros de histeria desde os
primórdios da humanidade, podendo-se citar como exemplo os relatos presentes em
documentos egípcios, escritos há 4 mil anos. Esse documento descreve casos de
mulheres que apresentavam diversos sintomas associados, geralmente dores por
todo o corpo, associadas à incapacidade de caminhar e até mesmo abrir a boca.
Na antiguidade, atribuía-se como causa alguma alteração uterina.
Acreditava-se que, devido ao descaso por parte do parceiro ou por fatalidade do
destino, o útero deslocar-se-ia no interior do corpo da mulher, afetando o
funcionamento dos outros órgãos e causando os sintomas. Por isso o nome
"histeria", derivado do grego "hyster", que quer dizer
útero.
Hipócrates, o pai da medicina, já falava sobre a histeria,
entre as doenças das mulheres. Ele também acreditava na hipótese da
movimentação do útero pelo organismo feminino, e o tratamento que ele
recomendava era o mesmo indicado pelos egípcios: inalação de vapores e
fumaças produzidas pela queima de produtos exóticos (que exalavam mau cheiro)
e manobras físicas com o objetivo de fazer o útero retornar ao local.
Interessante notar que, naquela época, esses quadros eram muito associados à
abstinência sexual, de forma que em casos mais complicados, era indicada a
introdução de uma espécie de "consolo" embebido em substâncias
perfumadas, na vagina da mulher. Para a prevenção da histeria, recomendava-se
a prática de relações sexuais.
Como
as pacientes histéricas foram vistas ao longo da história?
Durante a Idade Média, as pacientes com quadros histéricos
começaram a ser identificadas como "bruxas", sendo que muitas
pacientes foram assassinadas com base nessa suposição. O quadro de histeria
era associado à conjunção com os demônios. Na época foi até publicado um
livro (o "Martelo das Bruxas"), o qual orientava os inquisidores a
diagnosticar e castigar tais mulheres.
Existe uma
personalidade histérica?
Quando se fala em personalidade, refere-se à maneira como a
pessoa vive e se relaciona com o meio ao seu redor. Existem características
que, às vezes, podem ser destacadas como marcantes e específicas em cada
pessoa, permitindo a classificação de sua personalidade. Quando existe apenas
a característica, falamos em "traço de personalidade". Quando essa
característica prejudica a forma como a pessoa age e reage frente ao mundo,
falamos em "transtorno de personalidade".
O paciente histérico caracteriza-se, geralmente, por
apresentar um traço denominado "histriônico". Essa palavra estranha
significa teatralidade. Assim, esse paciente costuma ter comportamento afetado,
exagerado e exuberante, como se estivesse representando um papel. A pessoa é
extrovertida, dramática e eloqüente; busca sempre chamar a atenção e seu
comportamento varia de acordo com as reações das pessoas ("a
platéia").
Eles costumam apresentar emoções exageradas, apresentam
acessos de mau humor, choro e acusações, quando deixam de ser o centro das
atenções. No início as pessoas costumam se encantar por esse indivíduo, mas
a necessidade de ser sempre o centro das atenções acaba minando essa
admiração.
Os homens apresentam
histeria?
Como vimos, desde a origem da palavra histeria, a doença
sempre foi considerada exclusiva das mulheres. Era um dos maiores absurdos falar
em histeria masculina. Além disso, a histeria era ligada à fraqueza moral da
mulher, à sua incapacidade de mentir, sua imaturidade e necessidade de chorar e
chamar a atenção e aos seus caprichos. Chegou-se a escrever que a histeria
seria um componente essencial da natureza feminina.
Atualmente, porém, a histeria deixou de ser encarada como
desordem resultante de "irritação" uterina, passando a representar
um distúrbio da mente. Por isso, pode-se falar em histeria masculina. No
entanto, o estigma ainda existe, e o homem histriônico costuma apresentar
quadros atípicos de histeria, de forma que muitas vezes o diagnóstico
realizado é outro. Sabe-se que, nos homens, a existência de um evento
traumático que desencadeie a crise é essencial.
O homem histriônico, além dos sintomas típicos
apresentados pelas mulheres, costuma ter preocupações com doenças cardíacas,
vertigens e dores pelo corpo, além de preocupação com a aparência, o modo de
falar e de se vestir. Costuma ser tão sedutor quanto a mulher histriônica.
Quais
as características de uma crise de histeria?
A histeria é encarada como uma neurose, podendo
manifestar-se com sintomas diversos, estranhos, muitas vezes transitórios.
Frequentemente, os pacientes apresentam alterações das sensações, como
cegueira, surdez, perda da voz, dores ou perda de sensibilidade (anestesia) em
determinados locais. Outras queixas comuns são: dores de cabeça (até mesmo
crises de enxaqueca), contrações da musculatura, dificuldade para caminhar,
abrir a boca, elevar os braços, etc.
De uma forma geral, os sintomas que o paciente apresenta são
muito influenciados pelo seu meio cultural, já que esses indivíduos costumam
ser muito sugestionáveis. Assim, embora a doença seja involuntária (o
paciente não controla o surgimento dos sintomas), parece que existe um
componente intencional inconsciente. Vale lembrar que esses pacientes não
costumam aceitar que existe um componente emocional no surgimento do quadro,
atribuindo os sintomas apenas a alterações orgânicas que ele acredita
existirem de verdade.
Existe
associação entre histeria e depressão?
Essa associação é cada vez mais reconhecida, e estima-se
que aproximadamente 38% dos pacientes histéricos apresentem também o
diagnóstico de transtorno depressivo. Sabe-se que os indivíduos histéricos,
para desenvolver as crises, necessitam de vivências emocionais significativas,
ou seja, precisam passar por situações/eventos que tragam grande
ansiedade/estresse/sofrimento. Como os pacientes com depressão apresentam maior
sensibilidade às dificuldades encontradas ao longo da vida, vivenciando os
conflitos de forma mais dolorosa, eles tendem a reagir com sentimentos mais
fortes. Assim, temos a combinação perfeita para o desenvolvimento das crises
de histeria.
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05 de julho de 2007
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