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Neste artigo:
- Introdução
- Sintomas
- Hereditariedade
- Detecção
- Tratamentos
O Alzheimeir é uma doença degenerativa do sistema nervoso central, caracterizado por
início insidioso de demência (redução progressiva da memória e da função cognitiva
global, ou seja, deterioração das habilidades intelectuais previamente adquiridas que
interfere na atividade ocupacional ou social). A doença é ainda responsável
por aproximadamente 65% de todos os casos de demência em adultos.
Introdução
Segundo a médica especialista em neurologia, Dra. Mercês Quintão Fróes, ocasionalmente
esta doença afeta pessoas com menos de 50 anos, mas comumente com mais de 65 anos. A
prevalência estimada é de cerca de 1 a 6% da população até 65 anos; a prevalência
aumenta consideravelmente com a idade, chegando até a 50% das pessoas que atingem os 85
anos de vida. Há uma forma pré-senil, que ocorre entre os 50 e 60 anos e uma forma
senil, que inicia mais tarde. Também existe a forma familiar e a esporádica, sendo esta
última mais comum.
O aspecto clínico da Doença de Alzheimer (DA)
pode ser razoavelmente variado e está
divido em três estágios progressivos - precoce, médio, e tardio - de 2 a 3 anos cada. A
característica mais comum é a deterioração progressiva e constante da função
intelectual, apesar desta deterioração ser altamente variável. Muitos pacientes
experimentam períodos de platô, quando a progressão parece parar. A sobrevida média é de
7-10 anos.
Os distúrbios de memória, explica a neurologista, são os sintomas mais comuns e
precoces, porém eles raramente existem isoladamente. A maioria dos pacientes está
debilitada em duas ou mais áreas cognitivas. As áreas mais comuns de déficit são:
memória (87%) e linguagem (72%), mas os déficits na função visuo-espacial e atenção
também são comuns (44%-49%).
Sintomas
A Dra. Mercês Fróes esclarece que a memória, nos casos mais recentes, é a mais
precocemente afetada. Geralmente o paciente esquece compromissos, repete perguntas sobre
fatos do dia, esquece onde colocou as coisas, etc. Além disso, ele apresenta dificuldade
em repetir uma lista de palavras ou reproduzir formas após uma observação rápida. No
caso da linguagem, passamos a notar problemas na adequação de palavras, levando a
discurso não fluente e "vazio". Em estágios mais avançados, observamos outros
déficits da linguagem, além da linguagem expressiva, como: dificuldades na leitura,
compreensão, repetição e escrita.
No caso da função visuo-espacial, informa a médica, logo no início da doença, os
pacientes apresentam déficits nas tarefas mais complexas (como desenhar a figura de um
relógio, por exemplo) e até mesmo na habilidade para desempenhar tarefas menos
complicadas, como desenhar uma forma conhecida. Há também desorientação espacial, no
início em ambientes novos e depois nos locais familiares.
Existe ainda uma série de mudanças da personalidade e humor, que segundo a médica são
sintomas comuns, mas variáveis. Muitas pessoas demonstram acentuação de
características da sua personalidade. Outros pacientes experimentam uma inversão da
personalidade. Em alguns casos, há desinteresse, apatia e
inibição. Desconfiança e
paranóia também podem ocorrer. No início da doença, os pacientes podem apresentar
depressão, provavelmente pela percepção de seu próprio declínio. Em geral, eles
experimentam afastamento, perda da complexidade e falta de controle. Os pacientes perdem a
capacidade de julgamento, geralmente se sentindo muito bem, sem percepção da doença
atual. Podem, ainda, apresentar euforia, agitação, andar sem destino, perda
da higiene, da iniciativa, emudecimento afetivo.
A neurologista explica ainda que mais tardiamente acontecem problemas com a
marcha e até
sinais neurológicos conhecidos como extrapiramidais (tremores, rigidez) e mioclonias
(movimentos involuntários dos músculos). As crises convulsivas generalizadas podem
aparecer em 10% dos casos. No estágio final da doença o paciente fica imobilizado, sem
controle das funções do organismo, não se comunica e não consegue deglutir. A morte
normalmente ocorre por complicações respiratórias, como aspiração e pneumonia.
Em 10% dos casos ocorrem apresentações clínicas atípicas, com déficits em apenas uma
área cognitiva ou paranóia e comportamento bizarro, acrescenta.
Hereditariedade
Segundo a médica, a etiologia e a patogênese da Doença de Alzheimer não são
totalmente conhecidas. Este distúrbio pode estar relacionado a múltiplas causas. As
causas genéticas já são aceitas, podendo interagir com um ou diversos fatores
ambientais e fatores associados à saúde.
Aproximadamente 25% dos pacientes com esta doença têm um parente que já apresentou este
tipo de condição. Nestes casos, a doença surge precocemente, entre os 50 e 60 anos de
idade. Parece haver relação entre a Síndrome de
Down e a Doença de Alzheimer, com
genes ligados às duas doenças estando no cromossomo 21, e sinais clínicos desta doença
aparecendo em pacientes com Síndrome de
Down que sobrevivam por mais tempo.
A Doença de Alzheimer é multifatorial. "Está clara a sua associação também à
idade, ao envelhecimento cerebral, com possibilidade da interação de fatores tóxicos
exógenos (alumínio), endógenos (glutamato), deficiência de fator metabólico
intrínseco (fator de crescimento neural), defeitos metabólicos sistêmicos da haste
hipotalâmico-hipofisária adrenal, agentes inflamatórios ou infecciosos ("prion") e acúmulo de bAP no cérebro",
explica .
Detecção
O diagnóstico da Doença de Alzheimer é feito por exclusão. Nenhum exame isoladamente
pode estabelecer o diagnóstico, mas existem 3 princípios básicos para norteá-lo, que
são: ocorrência de déficits progressivos na memória e em pelo menos uma outra área
cognitiva; os déficits cognitivos gerando um comprometimento significativo das atividades
sociais e ocupacionais; e que outras causas possíveis de demência sejam
excluídas.
O diagnóstico, informa a especialista, é feito através de uma avaliação clínica, com
uma anamnese detalhada e avaliação neurológica (para excluir outras doenças
neurológicas), testes neuropsicológicos, avaliação da atividade da vida diária e
exames de imagem (tomografia computadorizada e ressonância magnética), além
de exames laboratoriais.
Com relação a possibilidade de cura da doença, a médica informa que isto infelizmente
ainda não é uma realidade. O diagnóstico preciso e precoce da Doença de Alzheimer pode
proporcionar algum controle dos sintomas e retardar o ritmo de progressão da doença.
Tratamentos
A médica frisa que existem três abordagens básicas para melhorar a qualidade de vida do
paciente de Azheimer, retardando sua dependência, desacelerando a deterioração
cognitiva, e facilitando a vida do cuidador (aquele que toma conta do paciente).
A primeira delas relaciona-se às medidas psicossociais, com a finalidade de avaliar as
atividades do dia-a-dia, promovendo recursos para auto-manutenção física, higiene, atos
de vestir, comer, tomar banho e se arrumar. Depois devem ser avaliadas as atividades
instrumentais da vida diária, como comunicação, fazer compras, arrumar a casa e se
locomover. O "cuidador" do paciente é a pessoa ideal para descrever o seu
comportamento. Quando o cuidador é o cônjuge ou outro membro da família, a carga
emocional propicia um grande número de transtornos, devido ao grau aumentado de estresse
como as doenças físicas, depressão, insônia, perda de peso, abuso de álcool e de
medicamentos psicotrópicos, abuso físico e verbal do paciente. Por isto é de grande
importância o cuidado com estas pessoas, para que também elas não adoeçam física e
emocionalmente. Outros membros da família, amigos, pessoas contratadas e grupos de apoio
devem estar envolvidos, reforça a médica.
A segunda medida é a terapia comportamental. O paciente com Doença de Alzheimer pode
desenvolver uma ampla variedade de transtornos comportamentais, que incluem
depressão,
agitação, alucinação, delírios, ansiedade, violência, insônia, perambulação, que
podem causar sofrimento considerável para os membros da família e para quem cuida do
paciente, profissionalmente. As abordagens não farmacológicas devem ser buscadas antes
da terapia medicamentosa. Entre elas, podemos encontrar atividades simples, que ocupem o
tempo e tragam satisfação e bem-estar, como se sentar à mesa, tirar o pó da casa e uma
variedade de atividades manuais, além de promover reuniões sociais, evitar cochilos
durante o dia, usar o banheiro antes de deitar, manter ambiente calmo, evitar confronto
com o paciente. Tudo isto preenche a sua vida e promove um sono noturno mais tranqüilo.
A terceira abordagem é o tratamento medicamentoso da demência. Este já foi tentado de
várias formas, no início com vasodilatadores e medicamentos neurotrópicos.
No entanto, não há evidências de que tenham sido úteis. Como a fisiopatologia mais bem
caracterizada na Doença Alzheimer é a múltipla redução de neurotransmissores, a
elevação do nível destas substâncias deveria proporcionar alívio sintomático.
O sistema de neurotransmissor mais consistentemente envolvido é o colinérgico, sendo as
primeiras tentativas de tratamento realizadas no sentido de aumentar a carga destas
substâncias. Depois se tentou utilizar medicamentos agonistas diretamente em receptores
chamados de muscarínicos.
Uma terceira estratégia, instituída mais recentemente, tem sido a utilização
de inibidores da colinesterase para reduzir o metabolismo da
acetilcolina (Ach), elevando seus níveis nas sinapses (junções dos nervos com
as outras estruturas).
Acredita-se que o ritmo de deterioração do paciente seja reduzido com o uso
de medicamentos inibidores da colinesterase, quando utilizados na DA leve a moderada. As
avaliações em longo prazo são, obviamente, demoradas e de difícil adesão, porém o
maior conhecimento das causas da doença e estes avanços farmacológicos criaram um ponto
de esperança no controle desta temida patologia.
"Continuam nossas esperanças em
novas experiências com drogas que tenham o poder de prevenir o início da doença
ou de interromper a sua progressão. Alguns destes agentes já se encontram em
experimentação.
A terapia genética se vislumbra como uma possibilidade para o futuro", finaliza
a especialista.
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27 de Maio de 2004
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