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Neste artigo
- Uso, abuso e
dependência
- Estratificação dos riscos
- Efeitos da ingestão
excessiva de álcool
- Recomendações
- O consumo de álcool
associado a energéticos
"A ingestão de bebida alcoólica é uma prática comum em
todo o mundo, mas deve-se tomar alguns cuidados para evitar os problemas
relacionados com o álcool. É importante diferenciar os termos uso, abuso e
dependência e identificar os padrões de uso que trazem riscos à saúde física e
mental. Leia também os efeitos do consumo excessivo, as recomendações sobre a
ingestão de bebidas alcoólicas e a associação do álcool com energéticos."
Uso, abuso e dependência
Quando se fala dos problemas relacionados com o álcool é
importante distinguir os termos uso, abuso e dependência. A palavra uso se
refere a qualquer ingestão de álcool. A Organização Mundial de Saúde (OMS) usa o
termo baixo risco de uso de álcool para se referir à ingestão de álcool dentro
dos parâmetros médicos e legais que geralmente não resulta em problemas
relacionados ao álcool. O abuso de álcool é um termo geral para qualquer nível
de risco, desde a ingestão aumentada até a dependência do álcool. O abuso de
álcool pode produzir danos físicos ou mentais à saúde sem a presença de
dependência.
Já a dependência do álcool é uma síndrome que consiste em
sintomas cognitivos, comportamentais, e psicológicos. O diagnóstico da
dependência do álcool dever ser feito apenas se três ou mais das seguintes
situações foram experimentadas ou exibidas durante um período de 12 meses:
- Um forte desejo ou senso de compulsão para beber;
- Dificuldades em controlar a ingestão de álcool, em relação ao seu início,
término, ou nível de uso;
- Alteração psicológica quando o uso de álcool é cessado ou reduzido, ou o
uso de álcool para aliviar ou evitar sintomas de alterações psicológicas.
- Evidência de tolerância, como doses cada vez maiores para atingir os
mesmos efeitos causados pelas doses menores anteriores;
- Perda progressiva de interesse por atividades antes realizadas ou por
outras fontes de prazer devido ao uso do álcool;
- Uso contínuo mesmo com claras evidências das conseqüências danosas.
A dependência do álcool afeta uma pequena, mas significativa,
proporção da população adulta em muitos países (cerca de 3 %-5%), mas o abuso e
uso arriscado do álcool geralmente afeta uma grande proporção da população
(15%-40%).
Estratificação do risco
Assim como a identificação da condição de uso prejudicial ou
dependência, é igualmente importante a compreensão do padrão de uso do álcool
que produz riscos. Algumas pessoas podem ingerir a quantidade de álcool
recomendada, mas em ocasiões particulares bebem em excesso. Tal ingestão pode
alcançar o ponto de intoxicação de forma aguda e levar ao risco de lesões,
violência e perda do controle afetando outros e a si mesmo. Outras pessoas podem
beber excessivamente de forma regular e, tendo estabelecido uma tolerância
aumentada para o álcool, podem não apresentar um grande aumento nos níveis de
álcool no sangue, mas o consumo excessivo crônico apresenta riscos a longo
prazo, como lesões no fígado, certos cânceres e desordens psicológicas.
Foi elaborado um teste pela Organização Mundial de Saúde
contendo 10 questões para estratificar o risco do consumo de álcool, o AUDIT (Alcohol
Use Disorders Identification Test). Este teste identifica quatro zonas de risco.
A zona I, se aplica a maioria das pessoas e indica um consumo de álcool de baixo
risco ou pessoas que não ingerem álcool. A zona de risco II ocorre em uma
proporção significativa. Consiste no uso de álcool em excesso, que corresponde a
mais de 20g de álcool puro por dia, o que equivale aproximadamente a uma garrafa
de cerveja ou duas taças de vinho. As pessoas que excedem esses níveis aumentam
as chances de problemas de saúde relacionados ao álcool como acidentes, lesões,
aumento da pressão arterial, doença do fígado, câncer, e doença do coração,
assim como violência, problemas legais e sociais, baixo rendimento no trabalho
devido a episódios de intoxicação aguda. A zona de risco III geralmente indica o
uso prejudicial, mas pode também incluir pessoas já em dependência, essas
pessoas já experimentaram os problemas relacionados com o excesso de álcool
relatados acima. A zona IV é o nível mais alto de risco, e se refere a pessoas
dependentes do álcool e que necessitam de atenção especial em centros
especializados para a sua recuperação.
Efeitos da
ingestão excessiva do álcool
O abuso do álcool pode trazer inúmeros efeitos em todo o
corpo, incluindo alteração do comportamento e várias doenças graves como:
Agressividade, irritação, violência, depressão e nervosismo;
Dependência do álcool;
Perda de memória;
Envelhecimento precoce;
Câncer de boca e garganta;
Resfriados frequentes, risco aumentado de pneumonia e outras infecções;
Fraqueza do músculo cardíaco, insuficiência cardíaca, anemia;
Câncer de mama;
Doença do fígado, deficiência de vitamina, sangramentos intestinais,
inflamação do estômago e pâncreas, úlceras, vômitos, diarréia e desnutrição;
Tremor nas mãos, nervos dolorosos;
Impotência sexual nos homens;
Risco de malformação e bebês de baixo peso em mulheres grávidas.
Recomendações
É recomendado não ingerir mais de dois drinks por dia, e até
menos se há uma tendência de sentir os efeitos do álcool com um ou dois drinks.
Um drink padrão equivale a aproximadamente uma latinha de cerveja (330 ml a 5%),
uma dose de whisk, gin ou vodka (40 ml a 40%), uma taça de vinho (140 ml a 12%)
ou uma pequena taça de licor ou aperitivo (70 ml a 25%). E para minimizar o
risco de desenvolver dependência, deve-se sempre evitar ingerir bebida alcoólica
pelo menos dois dias na semana, mesmo que em pequenas quantidades. Deve-se
sempre evitar a intoxicação aguda, que pode resultar de apenas dois ou três
drinks em uma única ocasião.
É importante lembrar que existem situações que mesmo um ou
dois drinks já podem ser muito, como por exemplo quando se vai dirigir ou operar
uma máquina e durante a gravidez ou aleitamento.
É recomendada a abstinência total para pessoas com as
seguintes condições:
- História de dependência de álcool ou drogas no passado;
- Pessoas com doença mental séria atual ou passada;
- Mulheres grávidas;
- Pessoas em uso de medicamentos que requerem abstinência;
- Falhas na tentativa de reduzir o consumo de álcool;
- Doença do fígado ou pressão alta;
- Presença de tremores pela manhã durante os períodos de ingestão excessiva.
Existem situações que podem levá-lo a ingerir grandes
quantidades de álcool, como situações em que outras pessoas estão bebendo e
esperam que você também beba (festas, saídas após o trabalho, etc); sentir-se
entediado ou deprimido, especialmente nos finais de semana; após uma briga de
família; sentir-se sozinho em casa. É importante identificar as situações que o
levam a ingerir grande quantidade de álcool e tomar algumas medidas para
evitá-las, como encontrar outras atividades (por exemplo exercícios físicos),
limitar o número das saídas após o trabalho para beber com os amigos, e procurar
sempre ingerir a quantidade recomendada.
O
consumo de álcool associado a energéticos
Por fim, uma constante discussão acerca do consumo de álcool
está na sua associação com bebidas energéticas.
O uso de bebidas energéticas, que contêm cafeína e outros
estimulantes, tem ganhado grande popularidade nos últimos anos. O principal
objetivo com essa combinação tem sido aumentar o efeito estimulante do álcool,
como alegria, euforia, extroversão e vigor. Um grande número de estudos
estimulou a teoria de que as bebidas energéticas poderiam retardar o efeito
depressor do álcool. Mas de acordo com uma pesquisa recente da Universidade
Federal de São Paulo, essas bebidas não possuem quantidade suficiente de cafeína
para causar tal efeito. A combinação das bebidas energéticas com vodka, whisk,
ou outras bebidas alcoólicas podem apenas dar a sensação de menor efeito do
álcool, mas parece não alterar seu efeito final.
Deve-se evitar o uso de bebidas alcoólicas associadas a
energéticos até que se tenham mais evidências cientificas
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14 de Outubro de 2004
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