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Neste Artigo:
- O
que é a cafeína?
-
Estudos sobre cafeína
-
Contraponto: pesquisas também apontam benefícios da cafeína
-
Mal de Parkinson
-
Dores de cabeça
-
Risco de Aborto Espontâneo e a
cafeína
- Mitos
e fatos
A cafeína pode ser
considerada uma das substâncias psicoativas mais consumidas no mundo. Ainda
existe, no meio científico, muita discussão sobre seus potenciais benefícios e
riscos para a saúde. Uma substância também utilizada em remédios, a cafeína pode
até mesmo atuar de forma terapêutica, quando adequadamente prescrita por um
médico."
O
que é a cafeína?
A cafeína pertence ao grupo de
compostos das metilxantinas, em que se inclui também o chá. São substâncias que,
se tomadas em grandes quantidades e com freqüência, estimulam o sistema nervoso,
produzindo estado de alerta de curta duração. Em medicina, a cafeína tem sido
usada emergencialmente para excitar padrões deprimidos de respiração e até como
terapêutica auxiliar no tratamento de dores de cabeça.
A cafeína é também encontrada,
em menores proporções, em outras bebidas além do café, como as bebidas contendo
cacau, cola, chocolate, além do chá e de alguns remédios do tipo analgésico ou
contra gripes.
Existem evidências de que a
cafeína possa funcionar como droga de adição, causando dependência em seus
consumidores. Não existem relatos, entretanto, de pessoas que tenham cometido
atos desmedidos por estarem sob o efeito da substância. Para os especialistas, a
explicação para isto está na quantidade de droga ingerida: caso fosse possível
isolar a cafeína, seus efeitos seriam bastante potentes, semelhantes aos da
cocaína, por exemplo. Existem, no entanto, aspectos psicológicos inerentes ao
uso da cafeína, estipulados culturalmente através dos séculos. Tradicionalmente
ela é usada como um estimulante leve, aceito em todas as famílias. Há também o
efeito de sugestão, muito presente no uso da cafeína: a pessoa toma duas ou três
xícaras de cafezinho, por exemplo, e fica a noite inteira sem dormir. O que está
ocorrendo é muito mais o fato de a pessoa acreditar que esta dose lhe tira o
sono do que o efeito da droga ingerida, propriamente dito.
A cafeína talvez seja a
substância estimulante de maior consumo em todo mundo. Somente nos Estados
Unidos, os dados epidemiológicos indicam que a ingestão diária é superior a
150mg, o equivalente a 3,5 kg de café por ano. Os países latinos têm
tradicionalmente o hábito de tomar café mais concentrado, com maior teor de
cafeína, enquanto que os americanos preferem o café bem mais diluído, de
preferência descafeinado. Isto porque a bebida não é tão popular nos Estados
Unidos como é no Brasil e em Cuba, os maiores produtores de café. O café coado
tem menos teor de cafeína que o café sírio, por exemplo, que não é filtrado,
ficando o pó assentado no fundo do recipiente. Este último é o que tem maior
proporção de cafeína, que produz um certo estado “energético” (o valor calórico
da cafeína é desprezível) e que, em altas doses, pode provocar uma dependência
moderada.
Há ainda outros ingredientes no
café que podem elevar o nível de colesterol, além de estimular a acidez no
estômago. Algumas pessoas apresentam sintomas de azia com o uso exagerado da
bebida. Os pacientes portadores de gastrite e outras doenças gástricas costumam
receber a indicação de que não devem tomar café, em especial se estiverem com o
estômago vazio.
Estudos sobre cafeína
Estudos recentes mostraram
alguma evidência de que beber duas ou três xícaras de café pode elevar a pressão
e aumentar o cortisol, hormônio do estresse.
Existe de fato a possibilidade
de que a cafeína aumente o estresse: basta se lembrar das pessoas que fumam,
pois elas formam um círculo vicioso - tomam café para fumar, ou fumam para
justificar a ingestão de café. Isto, porém, não é um dado alarmante, apenas algo
que as pessoas devem preferencialmente evitar.
Alguns estudos também apontam a
cafeína como um dos responsáveis por aumentar o poder de hipertensão de alguns
remédios, o que significa que o mais adequado é não fazer uso da cafeína
combinada com tratamentos médicos que exijam uso de medicamentos. Esses estudos
mostraram ainda que bebidas cafeinadas, tomadas sob estresse antes de exames,
provocavam pressão sistólica sanguínea aumentada em mais de 14mmHg. O efeito
combinado sobre a pressão sanguínea é tão intenso que as pessoas com tendência à
hipertensão devem evitar bebidas cafeinadas, dizem os relatórios dos estudos.
Além disso, pessoas que vão medir a pressão sanguínea devem evitar tomar cafeína
antes.
Contraponto: pesquisas também apontam benefícios da cafeína
Mal de Parkinson
Alguns estudos, no entanto,
indicam que a cafeína também pode ser utilizada para controlar uma série de
doenças. Entre eles, destacamos a pesquisa realizada por pesquisadores da
Mayo Clinic em Rochester, Minnesota, que indica que beber café pode reduzir
o risco da doença de Parkinson. O Dr. Demetrius M Maraganore, que coordenou a
pesquisa, identificou, com sua equipe, 196 pessoas que desenvolveram a doença
entre 1976 e 1995. Os casos foram distribuídos estatisticamente, por idade, sexo
e comparados à indivíduos da população em geral, que não desenvolveram a doença.
O artigo, publicado na revista
Neurology, aponta que o uso de café foi significativamente mais comum em
indivíduos controles do que nos casos que desenvolveram a doença. O motivo para
esta associação não é conhecido, e os pesquisadores advertem que este resultado
não significa, ainda, que tomar café tem um efeito protetor contra a doença de
Parkinson, embora o estudo traga a observação de que há uma tendência de risco
progressivamente mais baixo, relacionado ao número de xícaras de café ingeridas
por dia. Para completar, os pacientes que tomavam café apresentaram um início
mais tardio da doença, quando comparado aos que não tomavam.
Dores de Cabeça
Um outro estudo, chefiado por
Seymour Diamond, da Diamond Headache Clinic (Clínica para Dor de Cabeça
Diamond), em Chicago (Illinois), e publicado na revista Clinical Pharmacology
and Therapeutics (Farmacologia Clínica e Terapêutica) envolveu 301 pessoas
que sofrem de dor de cabeça com freqüência. A investigação mostrou que uma dose
de cafeína também pode ajudar a tratar a cefaléia comum associada à tensão e
atingir resultados ainda melhores se combinada com ibuprofeno. Da população
pesquisada, 80% dos que tomaram a combinação da droga e da cafeína verificaram
que a dor melhorou significativamente em seis horas, comparados a 67% que
tomaram somente a droga e 61% que tomaram somente cafeína. Também observaram
melhora neste prazo em 56% dos pesquisados que tomaram apenas placebo,
substância inócua.
Os pacientes que receberam
ibuprofeno associado à cafeína tiveram um alívio da dor quase uma hora antes dos
pacientes que tomaram apenas ibuprofeno. Cabe ressaltar que os pacientes
pesquisados apresentavam dores de cabeça associadas à tensão conhecidas como
cefaléias episódicas por tensão, de 3 a 15 vezes por mês e que pessoas com dor
de cabeça crônica devem evitar a cafeína, pois, nestes casos, a substância pode
acentuar os sintomas.
De acordo com a pesquisa, a
combinação de cafeína e ibuprofeno também pode auxiliar no alívio das cólicas
menstruais e certos tipos de dores pós-cirúrgicas. Acredita-se que a cafeína,
por ter a propriedade de contrair os vasos sangüíneos, compensa a dilatação dos
vasos da cabeça, que causam a dor. Para os especialistas, a cafeína parece
potencializar os efeitos analgésicos do ibuprofeno, pois a metade dos pacientes
que só tomaram cafeína relataram inicialmente um alívio da dor semelhante aos
pacientes no grupo do ibuprofeno ou no grupo da combinação, mas a dor de cabeça
voltou logo depois.
Risco de aborto espontâneo e a
cafeína
Um grupo de pesquisadores
americanos, dirigidos por Dr. Mark A . Klebanoff, vinculado ao National
Institute of Health, analisou medições seriais de paraxantina, o principal
agente da cafeína, em 487 mulheres com aborto espontâneo ocorrido antes da 20ª
semana de gestação, participantes do estudo Collaborative Perinatal Project,
entre 1959 e 1966. Elas foram comparadas com 2.087 pacientes cuja gravidez teve
curso normal. Os dados estatísticos mostraram que as concentrações de
paraxantina foram maiores no grupo que sofreu aborto (725 ng/dl), em comparação
com o grupo de controle (583 ng/dl) (p<0,001). No entanto, o risco de aborto
espontâneo só foi superior nas participantes com cifras de paraxantina acima de
1845 ng/dl, depois de ajustar dados segundo idade, tabagismo e raça.
Ainda que não seja possível
estabelecer de forma precisa a relação entre o nível de paraxantina e o consumo
de cafeína, os autores afirmam que, extrapolando os dados de um estudo piloto
prévio, cifras superiores a 1845 ng/dl corresponderiam a seis taças diárias de
café, ou 600 mg de cafeína, em uma mulher de 60kg não fumante e 11 taças ao dia
(1100 mg de cafeína) em uma fumante. Desta maneira, conclui-se que só o consumo
elevado de cafeína está associado com um risco aumentado de aborto espontâneo.
No editoral que acompanha o
estudo, a Dra. Brenda Eskenazi, vinculada a University of California School
of Public Health, assinala que as evidências recentes sugerem que um consumo
diário de cafeína superior a 150 mg, ou duas xícaras de café, incrementa o risco
de peso baixo ao nascer e aborto espontâneo.
Vale a pena ressaltar que desde
1981, a FDA recomenda que as mulheres grávidas evitem a ingestão de bebidas ou
medicamentos que contenham cafeína ou que o consumam apenas esporadicamente, uma
vez que a cafeína comprovadamente atravessa a barreira placentária e atinge o
feto. As grávidas não devem se alarmar nesse sentido nem chegar a extremos de
abolir totalmente o café, quando ele já faz parte da sua mesa: o ideal, com
tudo, é a moderação.
Mitos
e Fatos
A cafeína contém vitaminas ou
proteínas?
Não. A cafeína não apresenta
nenhum valor nutricional, sendo considerada simplesmente uma bebida estimulante.
Como ela provoca uma dependência leve, é comum que as pessoas sofram de dores de
cabeça quando retiram subitamente a cafeína de sua dieta, sintoma que desaparece
em alguns dias.
A cafeína provoca insônia, ou
sono de baixa qualidade?
Esta é uma noção popular, embora
não se tenha também quaisquer dados significativos a respeito. O que se sabe é
que o estado de alerta buscado na cafeína pode ser obtido através de uma
caminhada ou de exercícios, os quais facilitam um bom sono e conseqüente melhor
estado de alerta na manhã seguinte.
É muito arriscado ingerir
cafeína em estado de estresse?
Igualmente não existem
diretrizes para isso. Mas os estudos sugerem que é melhor evitar seus excessos,
pois o efeito na pressão sanguínea é suficiente para reduzir os efeitos de
medicamentos ou de outras mudanças benéficas no estilo de vida.
As mulheres têm mais
sensibilidade à cafeína?
Pesquisadores de Oklahoma
constataram que não, que as mulheres têm respostas semelhantes aos homens,
embora os mecanismos do aumento de pressão sanguínea tendam a diferir.
Está comprovado que a cafeína
faz mal às crianças?
Os estudos não encontraram
nenhum indício sobre isto, embora quase todos os médicos recomendem que o ideal
é a criança não fazer uso demasiado de café, bebidas com cola ou refrigerantes,
bem como chocolates, preferindo a isto frutas e bebidas tipo suco.
O nível de cortisol (hormônio
associado ao estresse) aumenta com a ingestão de cafeína?
Estudos mostraram que sim, porém
esse aumento está também ligado a situações de estresse e não exclusivamente ao
uso de cafeína. Nesses casos, convém também substituir a bebida por sucos.
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09 de Fevereiro de 2006.
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