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Neste artigo:
- Introdução
- Quais fatores
aumentam o risco de câncer de próstata?
- Quais os sintomas?
- Como é feito o diagnóstico?
- Como é feito o
rastreamento do câncer de próstata?
- E o tratamento?
"A próstata é uma glândula que tem o tamanho de uma noz, e se
localiza abaixo da bexiga, envolvendo a uretra masculina. Ao longo da vida do
homem, a próstata pode sofrer processos inflamatórios agudos ou crônicos e, a
partir de determinada idade, transformações de sua estrutura. A principal função
da próstata é produzir a secreção prostática, que compõe uma parte do sêmen,
servindo de alimento e transporte para os espermatozóides".
Introdução
O câncer de próstata representa a quarta causa de morte por
câncer, no Brasil. Além disso, a taxa de mortalidade por essa doença vem
aumentando nos últimos anos. Mas o mais importante, é que essa doença pode ser
diagnosticada precocemente e, caso seja tratada nessa fase, o paciente tem alta
chance de cura. Como já dito, com o avançar da idade a próstata sofre
transformações, de modo que se acredita que aproximadamente 75% dos homens com
50 anos ou mais apresentem algum tipo de alteração. Essa porcentagem sobe para
95%, quando avaliamos homens com idade superior a 80 anos.
Quais fatores
aumentam o risco de câncer de próstata?
Existem vários fatores que podem afetar o risco de
desenvolvimento do câncer de próstata, alguns deles ainda controversos. Vamos
enumerar os principais:
• Idade: assim como em vários outros tipos de câncer, a idade é um fator de
risco importante. Tanto a ocorrência de câncer de próstata quanto a mortalidade
por essa doença aumentam após os 50 anos.
• História familiar: história de pai ou irmão com câncer de próstata,
principalmente em idade inferior a 60 anos, aumenta muito o risco (em 3 a 10
vezes).
• Dieta: ainda não está totalmente definido o papel da dieta, mas acredita-se
que o alto consumo de calorias, de carne vermelha, gorduras e leite aumente o
risco desse câncer. Por outro lado, o consumo de frutas, vegetais ricos em
carotenos (tomate, cenoura) e leguminosas (feijão, soja, ervilha) seria um fator
de proteção contra o câncer. Outros possíveis protetores seriam as vitaminas A,
D e E e minerais como o selênio.
• Consumo excessivo de álcool.
• Tabagismo.
• Vasectomia: ainda não está estabelecido definitivamente.
• Vale ressaltar que se sabe muito pouco sobre a maioria
desses fatores.
Quais os sintomas?
O câncer de próstata apresenta um crescimento lento e, na
verdade, muitos dos pacientes acometidos não morrerão em decorrência da doença.
Quando o tumor é pequeno e atinge somente a próstata, frequentemente não é
detectado. Nesses casos, o paciente não apresenta sintomas e os exames podem até
ser normais. Assim, o homem pode viver durante muitos anos sem nem saber que tem
a doença.
Mas por que isso acontece? Na verdade, os sintomas mais
comumente relacionados ao câncer de próstata surgem quando ocorre a compressão
da uretra (como vimos, a uretra passa por dentro da próstata). O câncer,
geralmente, começa na parte mais externa da próstata, ou seja, longe da região
central, que é onde passa a uretra. Com o crescimento do tumor, ele passa a
acometer toda a glândula, que então comprime a uretra e causa os sintomas.
O primeiro sintoma, comumente, é a dificuldade para urinar.
Porém, devemos lembrar que esse sintoma pode ser causado por qualquer doença da
próstata e não significa, necessariamente, câncer. A compressão da uretra é
progressiva, levando ao agravamento gradual dos sintomas, podendo chegar à
obstrução total em estádios bastante avançados da doença.
O conjunto de sintomas associados às doenças da próstata é
conjuntamente denominado de "sintomas de prostatismo", sendo os seguintes:
• Atraso para começar a urinar, ou seja, o paciente tem o desejo de urinar,
mas o jato demora a começar a sair;
• Necessidade que o paciente tem de fazer esforço para terminar de urinar;
• O tempo necessário para urinar fica aumentado;
• O jato miccional vem entrecortado, ou seja, em pequenos jatos com intervalos
de tempo entre eles;
• A bexiga fica palpável no abdome;
• Gotejamento no final da micção.
Na presença desses sintomas, o médico deve ser procurado para
que se inicie o mais rápido possível à investigação. Devemos lembrar, porém, que
o câncer de próstata costuma ser totalmente assintomático até que esteja em
estádio avançado, às vezes sem possibilidade de cura. Por isso, é de extrema
importância o exame preventivo, que permite o diagnóstico precoce.
Como é feito o
diagnóstico?
O diagnóstico de certeza do câncer de próstata é feito por
meio da biópsia guiada pelo ultra-som. No entanto, esse exame só é feito caso os
exames iniciais de rastreamento estejam alterados. E quais seriam esses exames?
• Toque Retal: é o que mais amedronta os homens, dificultando o diagnóstico
precoce de muitos casos. Nesse exame, o médico introduz o dedo indicador no ânus
do paciente e palpa a próstata. É um exame de extrema importância, porque como
já dito o câncer inicia na parte mais externa da glândula, a qual pode ser
palpada nesse exame. O médico pode diferenciar bem a presença de câncer de
próstata ou de uma doença benigna chamada Hiperplasia Prostática Benigna (essa
representa um crescimento não canceroso da próstata, na forma de vários
nódulos). Quando há câncer, a próstata fica com consistência endurecida,
semelhante a uma pedra. Esse exame deve ser encarado como parte comum do exame
físico, não representando em hipótese alguma perda da masculinidade.
• Dosagem do Antígeno Prostático Específico: é o famoso PSA! Esse elemento é
produzido normalmente pelas células da próstata, e somente por elas. Importante
lembrar que o PSA pode estar aumentado também em outras doenças da próstata, não
sendo específico do câncer.
Quando utilizados em conjunto, esses dois exames conseguem
detectar os pacientes com câncer em mais de 90% das vezes, um resultado muito
superior ao uso isolado de cada um. Assim, vemos que os dois exames são
importantes e que em nenhum caso o PSA substitui o toque retal. Porém, eles não
são confirmatórios e, caso estejam alterados, o paciente é encaminhado para a
realização da biópsia.
• Biópsia: nesse exame, uma sonda de ultra-som é introduzida no ânus para
visualização da próstata. A imagem é utilizada para a determinação dos locais
para retirada de fragmentos, a qual é feita com uma agulha. São retiradas várias
amostras, que são enviadas ao laboratório para análise histopatológica. É ela
que vai dar o diagnóstico definitivo.
Os outros exames são utilizados para verificar se o câncer
disseminou para outros órgãos. Podem ser usados: radiografia de tórax,
cintilografia óssea, tomografia computadorizada, urografia excretora,
ressonância magnética. Lembrar que eles não estão indicados em todos os casos,
devendo o médico avaliar em cada caso a necessidade de realizá-los.
Como é feito o rastreamento do câncer de próstata?
Embora ainda existam controvérsias a respeito, recomenda-se
que o rastreamento do câncer de próstata deva ser realizado anualmente, com
toque retal e dosagem de PSA, nos homens com idade a partir de 50 anos e com
expectativa de vida de pelo menos 10 anos. Já nos homens com maior risco de
desenvolvimento da doença, como os que possuem os fatores de risco descritos
acima (principalmente a história de doença em parente de primeiro grau), o
início do rastreamento deve ser aos 45 anos.
E o tratamento?
Existem várias opções de tratamento para o câncer de
próstata, e a escolha de um desses métodos vai depender da idade do paciente, do
estádio de desenvolvimento do câncer, da velocidade com que ele cresce e da
saúde geral do paciente. Outros aspectos importantes nessa decisão é a avaliação
dos benefícios e potenciais efeitos colaterais de cada método. Se o tratamento é
iniciado em fase precoce da doença, o paciente pode ser curado. Em estádio mais
avançado, o tratamento pode prolongar a vida e aliviar os sintomas.
Vamos enumerar abaixo os vários tratamentos disponíveis:
1. Cirurgia: a cirurgia permite a remoção da próstata e de
estruturas próximas que estejam acometidas pelo câncer. Realizada geralmente em
estádios mais iniciais da doença, quando o câncer ainda está limitado à
próstata. Se o tumor for pequeno e não tiver disseminado, a cirurgia cura o
paciente. Além dessas vantagens, a cirurgia evita alguns dos problemas
observados com a radioterapia. Sua maior desvantagem, e que assusta a maioria
dos pacientes, é a possibilidade de lesão dos nervos da região, ocasionando
incontinência urinária (o paciente não consegue mais "segurar" a urina) e,
principalmente, impotência. A impotência ocorre mais frequentemente nos
pacientes mais velhos, especialmente aqueles com mais de 70 anos. Porém, com as
técnicas mais modernas, a incidência dessa complicação tem diminuído. Vale
lembrar que a impotência que ocorre após a cirurgia pode melhorar com o passar
do tempo; além do mais, atualmente a medicina dispõe de várias opções para
tratar esse problema.
2. Radioterapia: a radioterapia envolve a aplicação de raios
de alta energia, que são capazes de destruir as células do câncer. Pode eliminar
a doença, reduzir o tamanho do tumor ou prevenir que ele se dissemine. Como é
praticamente impossível direcionar os raios apenas para as células do câncer,
eles podem danificar células normais, levando aos efeitos colaterais do
tratamento. Assim como a cirurgia, os melhores resultados são obtidos quando o
câncer ainda não se disseminou. Porém, nos casos disseminados ela pode ser
utilizada em associação com outros tratamentos, como a hormonioterapia. Outro
uso importante é no alívio das dores ósseas relacionadas ao acometimento dos
ossos pela doença. A radioterapia pode ser aplicada externamente ou na forma de
"sementes radioativas" que são implantadas dentro da glândula. Nesse último
caso, a radiação é colocada mais próxima das células do tumor, reduzindo a
ocorrência dos efeitos colaterais. A maioria dos efeitos colaterais não é grave
e desaparece após o término das sessões. São eles: cansaço; lesões de pele na
região tratada; micção freqüente e dolorosa; irritação do estômago; diarréia;
sangramento pelo ânus.
3. Hormonioterapia: é mais comumente utilizada para
tratamento dos cânceres disseminados. Ela não cura o câncer e sim reduz seu
tamanho. São duas as opções: (1) remoção cirúrgica dos testículos: sabe-se que a
testosterona estimula a multiplicação das células da próstata, assim com a
remoção dos testículos a produção desse hormônio cai significativamente. O
objetivo é reduzir o tamanho do tumor e/ou prevenir o crescimento futuro. Mas
esse tratamento é dificilmente aceito por muitos homens. Os efeitos colaterais
são: redução do desejo sexual, sensibilidade e/ou crescimento das mamas, ondas
de calor, impotência; (2) medicamentos que inibem a produção ou a ação da
testosterona; os efeitos colaterais são semelhantes aos da remoção dos
testículos.
4. Quimioterapia: consiste no uso de medicamentos tóxicos que
atacam as células cancerosas. Porém, eles atacam também células sadias,
principalmente aquelas com alta taxa de multiplicação, como as células do
sangue, dos folículos pilosos, da pele, entre outras. A quimioterapia é
utilizada nos pacientes com doença avançada, que não respondem à hormonioterapia.
Os efeitos colaterais mais comuns são: queda de cabelo, náuseas, vômitos,
diarréia, alterações das células do sangue (que pode predispor a infecções).
Copyright © 2005 Bibliomed, Inc. 22 de
Dezembro de 2005.
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