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Neste artigo:
- Primeiro saiba o que o cigarro pode causar
- Doenças relacionadas ao
tabagismo
- Como parar de fumar?
- Estágio de pré-contemplação
- Estágio de preparação
- Estágios de ação e
manutenção
- Medicamentos
- Conclusão
- Artigos relacionados com
esse tema
"Apesar de 70% dos pacientes que fumam afirmarem que
gostariam de parar de fumar, apenas 7.9% conseguem fazê-lo sem ajuda. Estima-se
que a simples advertência do médico eleve esta taxa para 10.2%, e que o uso
combinado de reposição de nicotina, bupropiona (Zyban ®) e suporte social ou
comportamental possa elevá-la para 35%. Saiba aqui as mais recentes condutas
comprovadamente eficazes para a interrupção do tabagismo."
Primeiro saiba o que o cigarro pode causar
O uso do tabaco não é algo novo. Existem relatos de que
essa prática foi apresentada a Cristóvão Colombo pelos nativos
norte-americanos, sendo levado para a Europa, onde disseminou. Porém,
considera-se que o uso do tabaco na forma de cigarro é um fenômeno moderno.
A queima do tabaco gera, além da nicotina e do monóxido de
carbono, mais de 4.000 compostos químicos. Na fumaça gerada, a maior parte das
partículas apresenta tamanho que favorece a sua deposição nos pulmões,
permitindo a elas exercerem seu efeito tóxico e carcinogênico. A nicotina é o
principal componente do tabaco e, como sabemos, é a responsável pelo
desenvolvimento da dependência, de forma que os fumantes vão regulando o
número e a freqüência de cigarros para satisfazer a dependência e evitar a
abstinência.
Há mais de quarenta anos a medicina vem acumulando
conhecimentos acerca dos malefícios do cigarro para a saúde humana. O primeiro
relato de associação do tabagismo com o desenvolvimento de doença foi em
relação ao câncer de pulmão, em 1964. A partir de então, vários outros
relatos da associação do tabagismo a várias outras doenças foram surgindo. O
tabaco aumenta o risco de doenças em vários sistemas orgânicos, não apenas o
respiratório, mas também o cardiovascular, o gênito-urinário, endócrino.
Por ano, mais de 400.000 pessoas morrem de forma prematura
devido ao tabagismo, nos EUA. Estima-se que aproximadamente 40% dos fumantes
morrerão mais cedo, caso não parem de fumar. Esses números são alarmantes,
fazendo com que o tabagismo seja uma importante causa de morte prevenível. Por
isso, são destinados tantos recursos ao desenvolvimento de campanhas e
estratégias contra o início do tabagismo, bem como no auxílio à cessação
desse vício. A cessação do tabagismo é difícil, mas não é impossível,
ressaltando-se que mais ou menos 3 milhões de norte-americanos abandonam o
tabagismo, a cada ano. Nesse artigo vamos abordar os benefícios da cessação
do tabagismo.
Doenças relacionadas ao
tabagismo
1) Sistema Respiratório
O tabagismo é o principal fator de risco para o
desenvolvimento da chamada "doença pulmonar obstrutiva crônica" (DPOC),
representada por duas apresentações: o enfisema pulmonar e a bronquite
crônica. A DPOC é uma doença progressiva, irreversível, que afeta de maneira
importante a qualidade de vida do paciente. Ela compromete a capacidade de
exercer atividades físicas e, em estádios avançados, faz com que o paciente
tenha dificuldade até mesmo para comer e tomar banho; nessa fase, o paciente
pode necessitar passar a maior parte do dia conectado a um balão de oxigênio.
Embora o dano pulmonar seja irreversível, a cessação do tabagismo faz com que
a queda na função do pulmão (acontecimento normal com o envelhecimento) fique
mais lenta. Além disso, associa-se a melhora dos sintomas de tosse crônica e
com expetoração. O tratamento médico para a DPOC tem pouco benefício, caso o
paciente não pare de fumar. Alguns tipos mais raros de doenças dos pulmões
podem desaparecer completamente, após o indivíduo parar de fumar. Além das
doenças dos pulmões, a cessação do tabagismo favorece também doenças das
vias aéreas superiores, como a rinite alérgica.
2) Sistema Cardiovascular
O tabagismo aumenta o risco de doença arterial coronariana
(angina, infarto do miocárdio) em aproximadamente três vezes, sendo que a
interrupção do uso reduz rapidamente esse risco (à metade em um ano, e
continua caindo com o passar do tempo). Vale lembrar que o aumento do risco é
maior quanto maior o número de outros fatores de risco que o indivíduo
apresente. O uso do tabaco pode ser responsável por até 90% das doenças
vasculares periféricas, nos pacientes não-diabéticos. Aumenta também o risco
de derrame cerebral. Após 15 anos da cessação do tabagismo, o risco de
infarto do miocárdio é semelhante ao das pessoas que nunca fumaram.
3) Câncer
O tabagismo é responsável por quase 90% dos casos de
câncer de pulmão, e a interrupção do tabagismo reduz o risco desse câncer
já após 5 anos, embora os ex-fumantes ainda mantenham um risco maior do que
quem nunca fumou. Outros cânceres cujo risco aumenta com o tabagismo são:
câncer da cavidade oral; câncer de esôfago; câncer de bexiga; câncer de
estômago; câncer de pâncreas; câncer de laringe; câncer de colo uterino;
câncer de rim. Alguns estudos sugerem que o cigarro também aumenta o risco de
câncer de intestino grosso e de mama. Mesmo após o diagnóstico de algum
desses cânceres, a cessação do tabagismo é benéfica, pois reduz o risco de
um segundo câncer, além de melhorar a chance de sobrevida relacionada ao
primeiro câncer.
4) Gravidez
A gravidez apresentam risco aumentado em mulheres fumantes,
como: ruptura prematura das membranas; descolamento de placenta; placenta
prévia; abortamento espontâneo (pequeno aumento no risco), baixo peso do
recém nascido, prematuridade, maior risco de morte após o nascimento e durante
o parto, complicações respiratórias após o nascimento e até mesmo atraso de
desenvolvimento nos primeiros anos de vida. Há aumento do risco da síndrome de
morte súbita do lactente.
5) Outras Doenças
O tabagismo atrasa a cura das úlceras pépticas, e a cessação do mesmo
reduz o risco de desenvolvimento dessa doença. O tabaco aumenta a taxa de perda
óssea, favorecendo o desenvolvimento de osteoporose e aumentando o risco de
fraturas. Esse risco reduz-se após 10 anos da interrupção do fumo. Outros
problemas associados ao tabagismo são as rugas e a disfunção sexual (por
exemplo, a "impotência sexual").
Como parar de fumar?
Os consensos atuais afirmam que o tratamento para interrupção do tabagismo
é efetivo, e que deve ser oferecido a todos os tabagistas por ocasião da
consulta médica. Assim, torna-se importante questionar todos os pacientes sobre
o hábito de fumar. Quando a resposta for positiva, indica-se a realização de
algumas perguntas básicas que auxiliarão a descobrir se existe dependência
física da nicotina. Uma vez feito este diagnóstico, deve-se sondar a
disposição do paciente a abandonar o cigarro.
Um screening apontado como eficiente para avaliar a dependência da nicotina é
o questionário CAGE, que consiste de 4 perguntas. Neste questionário,
considera-se que existe dependência quando há resposta positiva a duas das
seguintes perguntas:
1. Você alguma vez já tentou ou já sentiu necessidade de parar de fumar?
2. Alguma vez você já se sentiu incomodado com as pessoas o aconselhando a
parar de fumar?
3. Alguma vez você já se sentiu culpado por fumar?
4. Você costuma fumar na primeira meia hora após ter acordado?
Outra opção interessante de questionário é o Fagerström abreviado,
cujas respostas montam um escore onde 5 a 6 pontos representam dependência
pesada da nicotina, 3 a 4 pontos representam dependência moderada e 0 a 2
pontos representam dependência leve. O Fagerström consiste das
seguintes perguntas:
Você fuma o seu primeiro cigarro:
( ) Menos de 5 minutos após acordar (3 pontos)
( ) 5 a 30 minutos após acordar (2 pontos)
( ) 31 a 60 minutos após acordar (1 ponto)
Quantos cigarros você fuma por dia?
( ) mais de 30 cigarros (3 pontos)
( ) 21 a 30 cigarros (2 pontos)
( ) 11 a 20 cigarros (1 ponto)
A disposição a abandonar o tabagismo pode ser dividida em cinco estágios:
pré-contemplação, contemplação, preparação, ação e manutenção.
Considera-se que na pré-contemplação o paciente não acredita que fumar é um
problema ou se recusa a considerar a idéia de interromper o hábito. Na
contemplação, o paciente reconhece que fumar é um problema e quer interromper
o tabagismo. No estágio da preparação, o paciente elabora planos para parar
de fumar, e eles serão colocados em prática no estágio de ação. O último
estágio, da manutenção, é o tempo durante o qual o paciente se mantém em
abstinência do cigarro. As recaídas são comuns e os pacientes freqüentemente
retornam ao início do ciclo várias vezes até obterem uma abstinência
estável.
Estágio de pré-contemplação
Para definir quais as intervenções mais apropriadas, o médico deve avaliar em
qual dos cinco estágios se encontra o paciente. Oferecer reposição de
nicotina a um paciente no estágio de pré-contemplação, por exemplo, é uma
intervenção com poucas chances de sucesso, uma vez que para chegar ao estágio
de ação o paciente deve passar pelos estágios anteriores. Portanto, nesta
primeira etapa, o médico agirá de forma mais eficaz se simplesmente encorajar
o paciente a pensar sobre o tabagismo e a considerar a possibilidade de que
fumar seja um problema que mereça atenção.
Discutiremos a seguir o estagio de preparação, etapa na qual há uma maior
intervenção e participação, tanto do médico quanto do paciente.
Estágio de preparação
Uma vez que o paciente tenha optado por interromper o tabagismo, considera-se
como iniciado o estágio da preparação. Neste momento é adequado discutir os
vários sistemas de reposição de nicotina, o possível uso da bupropiona (Zyban
®) e a necessidade de apoio social e familiar. Neste momento, o médico
deve também auxiliar o paciente a formar uma estratégia simples de
interrupção do tabagismo, que deve incluir os seguintes pontos:
1. Definir uma data para parar de fumar. Freqüentemente, o paciente fica mais
motivado quando esta data tem algum significado especial, como a comemoração
de um aniversário.
2. Obter apoio. O paciente deve informar familiares e amigos (solicitando apoio)
sobre sua decisão de parar de fumar em determinada data. O médico deve
encorajar o paciente a procurar grupos de apoio ou programas comunitários que
enfoquem a interrupção do tabagismo.
3. Preparar o ambiente. O paciente deve ser aconselhado a retirar cigarros,
isqueiros, cinzeiros e outros objetos relacionados ao tabagismo de sua casa,
escritório e/ou carro, e a solicitar aos demais que não fumem na sua
presença.
4. Montar planos para evitar recaídas. Durante a abstinência, vários
pacientes podem identificar imagens, rituais e experiências sensoriais que eles
associem ao cigarro. Por este motivo, é necessário que médico e paciente
discutam previamente estratégias que evitem a recaída nestas situações. Uma
boa estratégia é evitar o álcool, uma vez que ele reduz o autocontrole,
aumentando o risco de recaída do paciente.
5. Selecionar um sistema de reposição de nicotina, se necessário.
6. Iniciar bupropiona, se necessário. Ela deve ser iniciada uma ou duas semanas
antes da data prevista para a interrupção.
Estágios de
ação e manutenção
Esta fase se inicia na data marcada para a interrupção do tabagismo. Nesta
data, o paciente já deve ter iniciado a bupropiona (se necessário), iniciar a
reposição da nicotina (se necessário) e ter limpado seu ambiente de quaisquer
elementos relacionados ao cigarro.
Durante esta fase, o apoio de um grupo ou o acompanhamento próximo (por visitas
ou telefonemas) de um profissional responsável pode aumentar as chances da
interrupção ser efetiva. Estes contatos devem ser realizados semanalmente no
primeiro mês de abstinência e semanalmente quando for futuramente interrompido
o uso de bupropiona e/ou de reposição de nicotina.
Medicamentos
Sinais e sintomas de abstinência de nicotina incluem irritabilidade, ansiedade,
bradicardia, aumento do apetite, inquietude e dificuldade de concentração.
Estes problemas podem ser reduzidos nos pacientes com dependência alta ou
moderada através de medicamentos.
Estudos têm demonstrado que a reposição de nicotina diminui em 2 vezes a taxa
de recaída dos medicamentos. Existem 4 formas disponíveis de reposição
igualmente eficazes: adesivos, goma de mascar, spray nasal e inalador. O uso de
qualquer uma delas deve ocorrer na data de interrupção do cigarro e o uso
combinado pode otimizar o tratamento nos tabagistas de alta dependência.
A bupropiona(Zyban ®) também pode ser usada, e reduz a compulsão do
paciente pelo cigarro, aumentando sua capacidade de se abster de fumar. O uso
deve começar 2 semanas antes da data prevista para interrupção, e deve
persistir por 8 a 12 semanas após esta data.
Conclusão
A maioria dos pacientes sofre recaída nos primeiros 6 a 12 meses após a
tentativa de interrupção. Quando isto ocorre, o paciente deve ser encorajado a
tentar novamente.
Estudos têm demonstrado que o uso da bupropiona (Zyban
®) resulta em 30% de abstinência em 12 meses, contra 16% de abstinência
com o uso isolado da nicotina. O uso combinado da nicotina e da bupropiona tem
se mostrado mais eficaz do que os dois tratamentos isolados. A terapia
comportamental, o apoio do grupo e a persistência do médico e do paciente são
essenciais ao sucesso do tratamento.
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de Risco para Doenças Vasculares, Arteriosclerose e Homocisteína
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29 de Maio de 2006.
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