|
© Equipe Editorial Bibliomed
Neste Artigo
- Quais as
causas da depressão?
- Quais os fatores
de risco para depressão?
Quais as causas da
depressão?
As causas da depressão não são completamente esclarecidas,
sendo resultado provavelmente da combinação de fatores genéticos, biológicos
e ambientais. Você já deve ter ouvido falar que na depressão ocorre um
desequilíbrio químico no cérebro, sugerindo que a depressão seria uma
doença orgânica, e não psicológica. No entanto, todos os transtornos
psicológicos podem apresentar sintomas físicos, assim como as doenças
orgânicas também apresentam algum componente relacionado à mente. É verdade
que ocorrem desequilíbrios químicos cerebrais, nos pacientes com depressão,
que geralmente desaparecem com o tratamento psicoterápico, mesmo quando o
paciente não faz uso de medicamentos para corrigir esses distúrbios. Isso
sugere que o desequilíbrio químico seria uma resposta do organismo à
depressão psicológica.
Alguns tipos de depressão acometem membros da mesma
família, o que indica a possibilidade de uma vulnerabilidade
genética/hereditária. Parece ser esse o caso do chamado transtorno bipolar e,
em menor grau, do transtorno depressivo maior. Alguns estudos realizados com
famílias, nas quais existem membros acometidos pelo transtorno bipolar, em cada
geração, mostraram que os indivíduos acometidos apresentam alguma alteração
genética que os não-acometidos não apresentam.
No entanto, o contrário não é verdadeiro. Nem todas as
pessoas com possível vulnerabilidade genética desenvolvem o transtorno.
Fatores adicionais, ditos ambientais, como o estresse, e outros fatores
psicológicos parecem estar envolvidos no desencadeamento da doença. Do mesmo
modo, o transtorno depressivo maior também parece ocorrer em famílias,
geração após geração, mas não com uma freqüência que sugira uma causa
orgânica. Além disso, o transtorno também ocorre em indivíduos que não
apresentam história familiar de depressão. Assim, embora existam alguns
fatores biológicos que contribuam para a ocorrência da depressão, ela é um
distúrbio claramente psicológico.
Diversos fatores psicológicos parecem ter um papel na
probabilidade de desenvolvimento de depressão, especialmente as formas graves.
Provavelmente, esses fatores são os principais responsáveis por outras formas
de depressão leve e moderada, principalmente a chamada depressão reativa. Esse
tipo de depressão é geralmente diagnosticado como um distúrbio de ajuste,
durante o tratamento.
Pessoas com baixa auto-estima, que vêem o mundo e a si
mesmas com pessimismo ou que são facilmente arrebatadas pelo estresse, estão
mais propensas ao desenvolvimento de depressão. Os profissionais da psicologia
frequentemente descrevem fatores de aprendizado social, como sendo
significativos no desenvolvimento da depressão, bem como outros fatores
psicológicos. As pessoas aprendem formas bem e mal-adaptadas de manejo do
estresse e de resposta aos problemas enfrentados no ambiente familiar, na escola
e nos ambientes social e profissional. Esses fatores, relacionados ao ambiente,
influenciam o desenvolvimento psicológico e a forma como as pessoas tentam
resolver seus problemas, à medida que eles surgem. Esses fatores de aprendizado
social também explicam porque os problemas psicológicos parecem ocorrer mais
frequentemente em membros da mesma família. Se uma criança cresce em um
ambiente pessimista, no qual o desencorajamento é comum, e o encorajamento é
raro, ela vai desenvolver uma propensão à depressão.
Uma perda grave, doenças crônicas, problemas de
relacionamento, estresse no trabalho, crises na família, problemas financeiros
ou qualquer alteração na vida, que não seja bem-vinda, podem desencadear um
episódio de depressão. Frequentemente, uma combinação de fatores
biológicos, psicológicos e ambientais, estão envolvidos no desenvolvimento
dos transtornos depressivos, bem como de outros problemas psicológicos.
Quais os
fatores de risco para depressão?
1) Sexo e Depressão
- Depressão em mulheres: estima-se que, em qualquer momento
de suas vidas, cerca de 5% a 9% das mulheres apresentam um episódio depressivo,
comparada a uma porcentagem de 1% a 3% entre os homens. Além desse maior risco
de desenvolvimento de depressão, em comparação aos homens, as mulheres são
mais propensas a desenvolver múltiplos tipos de transtornos depressivos, como a
distimia e o transtorno depressivo maior.
- Depressão em homens: a depressão não é uma doença rara
em homens. De fato, sabe-se que meninos, no início da adolescência, apresentam
maior risco de depressão do que as meninas da mesma idade. Homens idosos
também apresentam risco muito maior de suicídio e, como as mulheres,
apresentam risco de complicações de saúde devidas à depressão. Os estudos
mostram que os homens, mais freqüentemente, tentam mascarar sua depressão com
o uso de bebidas alcoólicas, o que pode ser responsável pela menor taxa
relatada de depressão em homens. Foram sugeridos os seguintes indicadores para
a identificação de homens com depressão:
- Baixa tolerância ao estresse;
- Comportamento impulsivo, com ocorrência de "acessos";
- História de abuso de álcool ou outras substâncias;
- História familiar de depressão, alcoolismo ou suicídio.
2) Idade e Depressão
- Depressão em crianças e adolescentes: um estudo realizado
na Austrália mostrou que 2,1% das meninas e 3,7% dos meninos com idade entre 6
e 12 anos vivenciaram episódio depressivo no decorrer de um ano. Antes da
puberdade, a depressão é mais comum entre os meninos; após essa fase,
torna-se mais comum entre as meninas.
- Depressão em idosos: estima-se que aproximadamente um
terço dos idosos apresente transtorno depressivo.
3) Status Socioeconômico
De uma maneira geral, pertencer a um grupo com menor poder
aquisitivo representa um fator de risco importante para o desenvolvimento de
depressão. O dinheiro, é claro, garante acesso a cuidados médicos de
qualidade, mas isso não explica completamente o fato de as pessoas mais pobres
apresentarem mais frequentemente transtornos depressivos. Indivíduos de
qualquer nível socioeconômico apresentam risco de depressão, caso apresentem
alguma doença crônica ou sejam socialmente isolados.
4) História Familiar
A presença de depressão, em membros da família, aumenta o
risco de depressão nos outros membros. Pesquisadores têm relatado que a
ocorrência de episódio depressivo com duração de um a dois meses é capaz de
aumentar o risco de depressão nos filhos. Quanto mais grave a depressão
materna, maior o risco de depressão na criança. Em um ciclo perpetuador, ter
depressão durante a infância aumenta o risco de depressão na idade adulta.
Além disso, sabe-se que os companheiros de pacientes deprimidos também
apresentam risco aumentado de desenvolver essa doença.
5) Conseqüências de Perdas e Traumas
Pacientes que apresentaram episódios depressivos graves,
freqüentemente relatam um evento estressante como precipitador da doença. A
ocorrência de eventos graves, durante a infância, aumenta o risco de
depressão na idade adulta. A separação dos pais, a ocorrência de abuso
físico e experiências de medo, estão especialmente associados ao
desenvolvimento de depressão, na idade adulta.
A ocorrência de eventos estressantes, na idade adulta,
também é capaz de desencadear um episódio depressivo. A perda de um
companheiro (por exemplo, um divórcio ou morte) é um fator de risco para
depressão. De fato, a perda do ente amado é o fator desencadeante mais
frequentemente relatado pelos pacientes. Porém, todas as perdas importantes
causam reações de tristeza. Os indivíduos que desenvolvem depressão após
uma perda, provavelmente apresentam fatores predisponentes (genéticos e/ou
ambientais). A existência ou ausência de relacionamentos fortes, com
familiares e amigos têm efeito positivo ou negativo, respectivamente, na
recuperação de um episódio depressivo. Muitas pessoas conseguem lidar com
isso e acabam não desenvolvendo depressão crônica.
6) Doenças Associadas
- Doenças graves ou crônicas: qualquer doença crônica ou
grave, que ameaça a vida ou está fora do controle do indivíduo doente, pode
levar à depressão.
- Doença da tireóide: as doenças da tireóide podem causar
depressão, porém muitas vezes não são detectadas.
- Dores de cabeça: parece existir uma forte associação
entre as dores de cabeça e a depressão.
- Acidente vascular encefálico ("derrame"). A
ocorrência de um acidente vascular encefálico aumenta o risco de depressão.
7) Tabagismo
Existe uma forte associação entre o tabagismo e a
suscetibilidade à depressão. As pessoas propensas a desenvolver depressão
apresentam uma chance de 25% de desenvolver essa doença quando param de fumar,
sendo que esse risco permanece aumentado por alguns meses. Além disso, os
pacientes com depressão e tabagistas apresentam menor chance de parar de fumar.
Por isso, o antidepressivo bupropion tem-se mostrado útil em ajudar os
tabagistas a pararem de fumar.
8) Transtorno de Ansiedade
A depressão ocorre comumente, em pacientes portadores de
transtornos ansiosos. Quase 100% dos pacientes com depressão apresentam
ansiedade concomitante.
9) Insônia e Distúrbios do Sono
Os distúrbios do sono são parte dos sintomas da depressão,
e mais de 90% dos pacientes deprimidos apresentam insônia. Embora o estresse e
a depressão sejam causas de insônia, a insônia pode causar aumento da
atividade de hormônios e de vias cerebrais que podem produzir problemas
emocionais. Mesmo pequenas alterações no padrão de sono de uma pessoa podem
causar alterações importantes no humor.
Copyright © 2010 Bibliomed, Inc.
04 de Janeiro de 2010
|