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© Equipe Editorial Bibliomed
Neste Artigo:
- Quais são os tipos de depressão?
- Quais são as causas da depressão?
- Existem fatores de risco para depressão?
- Qual a gravidade da depressão?
- Como a depressão é tratada?
A depressão é uma doença extremamente comum, mas,
infelizmente, dois terços dos pacientes afetados não são tratados
adequadamente pois não têm a doença diagnosticada ou não conseguem ajuda
médica. Os sintomas incluem distúrbios do sono, insatisfação com as
atividades diárias, desânimo, dificuldade de concentração e muitos outros.
Todo mundo passa por períodos de desânimo. Os sentimentos
de pesar e dor que acompanham estes períodos geralmente são necessários e
transitórios, e podem até mesmo representar uma oportunidade de crescimento
pessoal. Todavia, quando a depressão persiste e começa a prejudicar a vida
diária, isto pode ser o indício de uma doença depressiva, e não somente um
quadro passageiro de melancolia. A gravidade, a duração e a presença de
outros sintomas são os fatores que distinguem a tristeza normal de um
distúrbio depressivo.
A maioria das pessoas deprimidas não procura auxílio
médico. Nos idosos, devido à relação complexa entre depressão, medicações
e doenças graves, é especialmente importante não deixar de detectar este
distúrbio. Ao contrário do que acontecia no passado, hoje a depressão é
reconhecida como uma doença.
Quais são os tipos de depressão?
Existem 5 tipos principais de Depressão: Depressão Maior,
Depressão Crônica Leve (ou Distimia), Depressão Atípica, Distúrbio Afetivo
Sasonal, Tensão Pré-menstrual e Pesar.
Depressão Maior
Os pacientes com este tipo de depressão apresentam pelo
menos 5 dos sintomas listados a seguir, por um período não inferior a duas
semanas:
1. Desânimo na maioria dos dias e na maior parte do dia (em adolescentes e
crianças há um predomínio da irritabilidade).
2. Falta de prazer nas atividades diárias.
3. Perda do apetite e/ou diminuição do peso.
4. Distúrbios do sono – desde insônia até sono excessivo – quase todo
dia.
5. Sensação de agitação ou languidez intensa
6. Fadiga constante
7. Sentimento de culpa constante
8. Dificuldade de concentração
9. Idéias recorrentes de suicídio ou morte
Além destes critérios, devem ser observados outros pontos
importantes: os sintomas citados anteriormente não devem estar associados a
episódios maníacos (como na doença bipolar); devem comprometer atividades
importantes (como o trabalho ou os relacionamentos pessoais); não devem ser
causados por drogas, álcool ou qualquer outra substância; e devem ser
diferenciados de sentimentos comuns de tristeza. Geralmente, os episódios de
depressão duram cerca de vinte semanas.
Os sintomas da depressão nas crianças podem ser diferentes
daqueles dos adultos, incluindo tristeza persistente, incapacidade de se
divertir com suas atividades favoritas, irritabilidade acentuada, queixas
freqüentes de problemas como dores de cabeça e cólicas abdominais, mau
desempenho escolar, desânimo, concentração ruim ou alterações nos padrões
de sono e de alimentação.
Depressão Crônica (Distimia)
A depressão crônica leve, ou Distimia, caracteriza-se por
vários sintomas também presentes na Depressão Maior, mas eles são menos
intensos e duram muito mais tempo – pelo menos 2 anos. Os sintomas são
descritos como uma "leve tristeza" que se estende na maioria das
atividades
Em geral, não se observa distúrbios no apetite ou no
desejo sexual, mania, agitação ou comportamento sendentário. Pensamentos
suicidas não são comuns. Talvez devido à duração dos sintomas, os pacientes
com depressão crônica não apresentam grandes alterações no humor ou nas
atividades diárias, apesar de se sentirem mais desanimados e pessimistas. Os
pacientes crônicos podem sofrer episódios de Depressão Maior (estes casos
são conhecidos como depressão dupla).
Depressão Atípica
As pessoas com esta variedade geralmente comem demais,
dormem muito, sentem-se muito enfadadas e apresentam um sentimento forte de
rejeição.
Distúrbio Afetivo Sasonal (DAS)
Este distúrbio caracteriza-se por episódios anuais de
depressão durante o outono ou o inverno, que podem desaparecer na primavera ou
no verão – quando então tendem a apresentar uma fase maníaca.
Outros sintomas incluem fadiga, tendência a comer muito
doce e dormir demais no inverno, mas uma minoria come menos do que o costume e
sofre de insônia.
Tensão Pré-menstrual (TPM)
Há depressão acentuada, irritabilidade e tensão antes da
menstruação. Afeta entre 3% e 8% das mulheres em idade fértil. O diagnóstico
baseia-se na presença de pelo menos 5 dos sintomas descritos no tópico
Depressão Maior na maioria dos ciclos menstruais, havendo uma piora dos
sintomas cerca de uma semana antes da chegada do fluxo menstrual, melhorando
logo após a passagem da menstruação.
Pesar
Os sintomas de Pesar e da depressão possuem muito em comum.
Na verdade, pode ser difícil diferenciá-los. O Pesar, contudo, é considerado
uma reposta emocional saudável e importante quando se lida com perdas.
Normalmente é limitado.
Nas pessoas sem outros distúrbios emocionais, o sentimento
de aflição dura entre três e seis meses. A pessoa passa por uma sucessão de
emoções que incluem choque e negação, solidão, desespero, alienação
social e raiva. O período de recuperação consome outros 3-6 meses. Após esse
tempo, se o sentimento de pesar ainda é muito intenso, ele pode afetar a saúde
da pessoa ou predispô-la ao desenvolvimento de uma depressão propriamente
dita.
Quais são as causas da depressão?
Fatores Psico-sociais
As pessoas que já experimentaram períodos de depressão
relatam um acontecimento estressante como o fator precipitante da doença. A
perda recente de uma pessoa amada é o fato mais citado, mas todas as grandes
perdas (e mesmo as pequenas) causam um certo pesar.
Acontecimentos traumáticos, como a perda súbita de um ente
querido, ou mesmo eventos naturais como enchentes, podem causar uma depressão
imediata, sendo necessário um longo período de recuperação. A maioria das
pessoas supera este estado sem se tornar cronicamente deprimida. Alguns fatores
genéticos ou biológicos podem explicar a maior vulnerabilidade de certas
pessoas. A existência ou a ausência de uma forte malha social ou familiar
também influenciam – positiva ou negativamente – na recuperação.
Fatores Biológicos
Alterações nos níveis de neurotransmissores
(principalmente serotonina, acetilcolina, dopamina, epinefrina e norepinefrina)
relacionam-se à susceptibilidade para depressão. Alguns hormônios também
podem ter um papel importante – ainda que isto não esteja muito claro. Ainda,
atrofias em certas áreas do cérebro (particularmente no lobo pré-frontal)
responsáveis pelo controle das emoções e produção de serotonina são
responsáveis por distúrbios depressivos importantes.
Outras possíveis causas de depressão
Medicamentos como betabloqueadores, corticosteróides,
anti-histamínicos, analgésicos e anti-parkinsonianos podem causar depressão,
bem como a retirada de qualquer medicação utilizada no longo prazo.
Existem fatores de risco para depressão?
Sim, existem. Qualquer pessoa que já passou por um episódio
de Depressão Maior possui uma chance de 50% de apresentar outro episódio –
podendo acumular 4 a 5 episódios por toda a vida. Algumas pessoas apresentam
crises depressivas recorrentes separados por vários anos de sanidade mental.
Outras passam por crises repetidas separadas por breves períodos normais.
Infelizmente, cerca de 35% das pessoas apresentam uma depressão crônica que
nunca desaparece, nem mesmo com o tratamento adequado.
O problema parece estar crescendo. Neste século, cada
geração teve mais episódios de depressão que a anterior, e cada vez em idade
mais tenra.
Mulheres
A correspondência de casos de depressão entre mulheres e
homens é de 2:1. Não se sabe exatamente porquê isto ocorre –
hereditariedade, desequilíbrios hormonais, maneira de lidar com as próprias
emoções, maior facilidade em diagnosticar depressão em mulheres, pior
situação sócio-econômica, abuso físico e sexual, etc.
Estima-se que uma em cada 4 mulheres apresentará um
episódio de depressão ao longo de sua vida. A maioria das mulheres deprimidas
encontra-se entre 25 e 40 anos, é casada e tem filhos para criar. A depressão
é mais comum nos dois extremos sócio-econômicos e naquelas que fazem uso
abusivo de medicamentos.
Crianças
Acontecimentos desagradáveis na escola ou em casa podem
desencadear uma crise depressiva, esta, porém, quando dura mais de duas
semanas, torna-se preocupante. Crianças deprimidas tornam-se irritadiças,
cansadas ou ansiosas. Podem perder o interesse em suas atividades habituais,
recusar a ir para a escola ou se auto-agredir (batendo a cabeça contra a
parede, por exemplo). Até mesmo crianças de 5 ou 6 anos de idade podem tentar
o suicídio.
Em geral, a depressão dura cerca de 7 meses, e as chances da
criança vir a apresentar um novo período depressivo são grandes. A consulta
médica é imprescindível para se confirmar o diagnóstico de depressão e,
principalmente, excluir a possibilidade de outras doenças.
Algumas crianças e adolescentes podem necessitar de
medicamentos antidepressivos, mas os remédios devem ser utilizados como parte
de um tratamento que inclua acompanhamento psicoterápico. Entretanto, ainda
existe muita controvérsia quanto ao uso de antidepressivos nesta faixa etária.
Em geral, os antidepressivos tricíclicos são a primeira escolha, pois seus
efeitos já são bastante conhecidos. A principal preocupação com seu uso é o
risco de morte, principalmente decorrente de problemas cardíacos, que tem sido
associada ao uso de desipramina (um tipo de tricíclico) em jovens hiperativos.
Adolescentes
Muitas pessoas experimentam sua primeira grande crise de
depressão durante a adolescência, ainda que não o saibam. Comumente ocorre
entre os 15 e 19 anos de idade e o suicídio é sempre uma preocupação nesse
grupo. Pode manifestar-se como baixa auto-estima, consumo de drogas e/ou abuso
de álcool, abandono da escola, problemas com a autoridade, comportamento
anti-social, pessimista, supersensível, pouco cooperativo ou agressivo. Uma vez
que estes padrões de atitude são, até certo ponto, considerados normais por
nós em um adolescente, não é de se espantar que muitos casos de depressão
neste grupo permaneçam não-diagnosticados e sem tratamento adequado.
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Depressão em Adolescentes: sinais de alarme para o
risco de suicídio |
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• Tentativas anteriores: jovens que tentam suicidar-se permanecem
vulneráveis por vários anos, especialmente nos primeiros três meses
após a tentativa.
• Antecedentes psiquiátricos: o risco é maior em pacientes que
já foram internados para tratamento psiquiátrico.
• Insucesso pessoal: metas muito difíceis e críticas rígidas
podem desencadear uma espiral descendente que terminará no suicídio.
• Perdas recentes: a morte de um ente querido ou de um amigo,
divórcio, gravidez indesejada ou o fim de um namoro podem fazer com que
o adolescente se sinta tão perdido que o suicídio lhe pareça como a
única saída. |
• Armas em casa: pode facilitar o suicídio de um adolescente
problemático.
• Violência familiar: ensina aos jovens que a maneira mais fácil
de resolver qualquer conflito é através da violência.
• Falta de comunicação: a incapacidade de discutir raiva e
sentimentos desconfortáveis com a família podem levar ao suicídio.
• Abuso de drogas: alguns adolescentes fazem uso de drogas ou
álcool para escapar da depressão, mas isto pode apenas aumentar o
risco de suicídio. |
Idosos
Este é outro grupo onde a depressão é mal interpretada.
Estima-se que cerca de 20% das pessoas acima de 65 anos de idade apresentem
distúrbios depressivos. Na verdade, a depressão é 4 vezes mais comum nesta
faixa etária que na população em geral, e o risco de suicídio para pessoas
com mais de 65 anos é 15 vezes maior.
A depressão não faz parte do envelhecimento, apesar de se
acreditar justamente o contrário. Uma vez que esta doença causa dificuldade de
concentração, indiferença, problemas de memória e desorientação,
freqüentemente ela não é percebida, sendo confundida com senilidade. Cerca de
12% dos idosos com diagnóstico de demência na verdade estão deprimidos
(associações entre demência e depressão também são possíveis).
Além disso, muitas das doenças que acometem os idosos podem
se manifestar como depressão: doença de Parkinson, doença de Cushing,
doenças da tireóide, doenças pulmonares, deficiências de vitaminas, câncer
e derrame. Uma vez que o metabolismo diminui com a idade, geralmente os idosos
necessitam de uma dose menor de antidepressivos para obter uma boa resposta.
Qual a gravidade da depressão?
A preocupação com o suicídio ou ameaça de suicídio,
especialmente vinda de alguém sabidamente infeliz ou que tenha sofrido uma
perda recente, deve ser considerada séria.
Estima-se que a depressão contribua para cerca de 50% de
todos os suicídios e é uma causa importante de morte entre jovens. Na velhice,
os homens respondem por cerca de 80% dos casos de suicídio – o maior risco
encontra-se entre os divorciados ou viúvos.
A depressão exerce um efeito importante na piora de várias
doenças e pode até mesmo predispor a pessoa a outros males. Estudos recentes
indicam que a depressão pode influenciar aspectos do sistema imune,
coagulação sanguínea, pressão arterial, vasos sanguíneos e ritmo cardíaco
- em alguns casos, até mesmo prejudica a resposta aos medicamentos utilizados
para controlar uma doença cardíaca. A saúde dos idosos deprimidos que são
hospitalizados tende a piorar, e sua recuperação é mais lenta.
Existe uma forte associação entre depressão e aumento na
incidência e na gravidade de derrames e ataques cardíacos. A depressão
aumenta a autocrítica e diminui o desejo sexual, além de ter um efeito direto
sobre o sistema nervoso, podendo acarretar problemas de ereção. Por outro
lado, disfunções eréteis podem causar depressão, e as duas condições podem
terminar perpetuando-se. A pessoa deprimida possui um maior risco de alcoolismo,
tabagismo e abuso de outras drogas.
Como a depressão é tratada?
A despeito da eficácia do tratamento, mais de dois terços
das pessoas com depressão não serão tratados. Mesmo nos EUA, pesquisas
indicam que apenas 3% dos idosos com depressão estejam sendo adequadamente
tratados. Imagine no Brasil...
Algumas vezes, o distúrbio é sério o suficiente para
necessitar hospitalização, mas na maioria dos casos o tratamento pode ser
realizado no consultório ou ambulatório. Psiquiatras são médicos e são os
únicos que podem prescrever medicamentos, mas muitos Psicólogos possuem
acordos com psiquiatras para medicar seus pacientes.
A confiança do paciente em seu médico ou psicólogo é o
componente mais importante do tratamento. Não se sinta embaraçado em dizer ao
seu analista que você não se sente à vontade com ele, e troque de
profissional se não se sentir confiante.
A maioria dos adultos necessita de antidepressivos e
psicoterapia – estes variam de caso para caso. Nos casos que não conseguem
sucesso com esta abordagem, a terapia com eletrochoques pode ser uma boa
opção. Existe muito preconceito com respeito a esta ferramenta terapêutica,
mas pesquisas desenvolveram técnicas e medidas de segurança que tornaram os
eletrochoques uma forma de tratamento bastante eficaz, desde que indicada
apropriadamente. Os casos que não respondem ao tratamento eletroconvulsivo
podem ser triados para cirurgia.
Crianças e adolescentes respondem melhor a psicoterapia que
ao uso de remédios. Quando se necessita lançar mão de uma droga, os
inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS) são os mais
indicados. Os medicamentos são mantidos inicialmente por 6 meses, quando se
inicia a fase de manutenção, que pode durar um ano ou mais.
Em idosos, se dá preferência ao uso de ISRS, pois seus
efeitos colaterais são menos intensos que aqueles dos tricíclicos. Contudo,
devido aos benefícios ainda modestos destes medicamentos e o risco de queda, os
especialistas recomendam psicoterapia para os casos leves e moderados. Idosos
com depressão grave respondem melhor ao uso de antidepressivos tricíclicos –
mas estes devem ser usados com cautela devido ao risco de doença cardíaca e
outros efeitos indesejáveis.
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Dezembro de 2009
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