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Neste artigo:
- Introdução
- Quando começar?
- A primeira consulta
- Periodicidade do Acompanhamento
- Nutrição
- Outras Questões Importantes
- Conclusão
"O acompanhamento pré-natal compreende a realização de
consultas médicas durante a gravidez, nas quais o médico realiza a avaliação
global da gestante e também do crescimento do bebê. Além disso, são realizados
diversos exames laboratoriais. Todas essas ações têm como objetivo detectar e
tratar precocemente doenças ou condições que possam exercer efeitos danosos na
saúde da mãe e/ou do bebê."
Introdução
A gestação não é uma doença, e sim um processo fisiológico
normal, que na grande maioria das vezes transcorre sem complicações. Esse grupo
de mulheres que não apresenta complicações compõe o chamado grupo de gestações
de "baixo risco". Porém, em alguns casos, a gestação pode já começar com
problemas, ou esses surgem durante a mesma, apresentando uma possibilidade maior
de evolução desfavorável tanto para a mãe quanto para a criança. São as chamadas
gestações de "alto risco". O objetivo do pré-natal é garantir o bom andamento
das gestações de baixo risco e, também, identificar adequada e precocemente
quais as pacientes com maiores chances de evolução desfavorável.
Quando começar?
A assistência pré-natal deve ser iniciada assim que a
possibilidade de gravidez for considerada, geralmente devido a atraso menstrual.
Quanto antes for iniciado o acompanhamento, melhores serão os resultados
alcançados.
A primeira consulta
Na primeira consulta, o obstetra tem a oportunidade de
realizar uma entrevista detalhada com a gestante, englobando vários aspectos.
São questões a serem levantadas: os sintomas que a paciente esteja sentindo; a
história de doenças no passado; detalhes sobre os ciclos menstruais, a prática
sexual e o uso de métodos anticoncepcionais; gestações prévias; doenças atuais,
como pressão alta, diabetes, e outras; aspectos emocionais, se a gravidez foi
planejada, se está sendo bem recebida.
A partir daí, inicialmente deve-se confirmar o diagnóstico de
gestação. Para isso, existem alguns sinais no exame da paciente que podem
ajudar, como o aumento do útero, mudanças nas mamas, na vagina e no colo do
útero. Realiza-se também um exame de sangue, para detecção de um hormônio que
está presente durante a gravidez, fechando o diagnóstico.
Após confirmada a gestação, a mulher deve fazer vários exames
de sangue. O objetivo é detectar qualquer alteração ou doença que possa acometer
a criança ou comprometer o seu desenvolvimento no útero. Os exames realizados,
geralmente, são os seguintes:
• Grupo sanguíneo e fator Rh: importante porque se a mãe for Rh negativo e a
criança Rh positivo (caso o pai seja Rh positivo), pode ocorrer uma
incompatibilidade sanguínea que leva à destruição das células vermelhas do feto,
podendo levar à sua morte antes mesmo do nascimento.
• Glicemia: para avaliação da presença de diabetes mellitus.
• Anti-HIV: para detectar a infecção por esse vírus (vírus da AIDS). Isso é
importante porque existem medicamentos que se utilizados de maneira correta e no
momento certo podem reduzir bastante o risco de transmissão do vírus para o
bebê.
• Exame de sífilis: essa doença é causada por uma bactéria e pode ser
transmitida ao bebê, podendo causar malformações.
• Exame de toxoplasmose: doença causada por um protozoário, também pode ser
transmitido ao feto e causar malformações.
• Exame de rubéola: doença viral, que pode levar a abortamento e malformações
graves.
• Exame de urina e urocultura: para detectar infecção urinária. A ocorrência
de infecção urinária, durante a gestação, pode aumentar o risco de parto
prematuro e de infecções mais graves (como a renal).
• Exame de hepatite B: caso a mãe seja portadora do vírus, existem condutas
que reduzem a transmissão do mesmo para o bebê.
• Ultra-sonografia (US): atualmente, temos observado a utilização exagerada
da US durante a gestação. Às vezes nos deparamos com mulheres que realizaram
mais de 4-5 exames, o que é desnecessário. Indica-se, geralmente, dois exames.
Um no primeiro trimestre, entre 11 e 13 semanas de gestação, para avaliação da
idade gestacional. O outro, entre 18 e 20 semanas (segundo trimestre), para
avaliar a presença de malformações. A realização de exames adicionais depende da
presença de condições específicas, que exijam um monitoramento mais cuidadoso,
como nas gestações de alto risco.
Periodicidade do
Acompanhamento
Nas gestações de baixo risco, as consultas devem ser
realizadas mensalmente até o sétimo mês de gravidez. A partir daí, a consulta
deve ser a cada duas semanas até completar uma idade gestacional de 36 semanas.
Depois disso, as consultas são semanais. Nas gestações de alto risco, o
intervalo das consultas é menor, dependendo da necessidade de cada caso.
Em cada consulta são realizadas a entrevista e o exame
físico, com palpação do abdome e determinação do tamanho do útero e a ausculta
dos batimentos cardíacos fetais.
Nutrição
Outro aspecto importante do pré-natal é a avaliação a
respeito da nutrição da gestante. Nas consultas, o médico faz um acompanhamento
do ganho de peso da mãe, que não deve ser inferior e nem superior ao
recomendado. Devemos ter em mente que as necessidades calóricas estão
aumentadas, durante a gravidez, porém a mulher deve ter uma dieta balanceada,
tendo o cuidado para evitar o ganho de peso excessivo, que pode ser prejudicial.
Além disso, indica-se a reposição de duas vitaminas. O ácido
fólico é indicado nas primeiras semanas de gravidez, pois ajuda a prevenir
algumas malformações. O ferro (sulfato ferroso) é recomendado a todas as
gestantes a partir do segundo trimestre, até o término da lactação, pois ele não
pode ser suprido apenas pela dieta normal da gestante. Recomenda-se também que a
gestante receba alimentos ricos em cálcio.
Outras Questões
Importantes
Além de todas essas abordagens já descritas, o acompanhamento
pré-natal permite a avaliação de queixas comuns em gestantes, como náuseas e
vômitos, constipação intestinal, queimação no estômago, inchaço e varizes nas
pernas, cãibras, tonteiras, cansaço e dor nas costas. Essas queixas preocupam
bastante as mulheres, e durante as consultas elas podem ter suas dúvidas
esclarecidas ou receberem tratamento adequado. A orientação do uso de meia
elástica também é importante para evitar o surgimento de varizes e diminuir o
risco de trombose durante a gestação.
Outras questões levantadas durante o pré-natal são relativas
ao uso de medicamentos. Sabemos que muitos remédios não podem ser utilizados
durante a gestação, por causarem efeitos graves no feto. Assim, o acompanhamento
médico é essencial para garantir que a gestante não utilize tais medicações. O
médico também indicará a vacinação com a vacina antitetânica, que deve ser feita
em todas as gestantes.
Conclusão
Como vimos, o pré-natal é de extrema importância, pois
permite que a gestação seja conduzida da forma mais saudável possível. Além
disso, as possíveis alterações são detectadas e tratadas precocemente, o que
reduz bastante a chance de resultados desfavoráveis, protegendo a saúde da mãe e
do bebê.
Copyright © 2005 Bibliomed, Inc. 17 de
novembro de 2005.
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