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Equipe Editorial Bibliomed
As infecções hospitalares mais freqüentes são as
urinárias, em torno de (40%), as septicemias (10%), as pós-cirúrgicas (25%)
e as pneumonias (10%). As outras infecções correspondem a uma proporção de
15%. Este percentual é variável, de acordo com as características das
instituições.
No Brasil, o estudo sobre as taxas de infecções nos
hospitais é limitado. Apesar das limitações de amostra (99 hospitais) e
outros aspectos relacionados à coleta de dados, há um único estudo nacional
recente. Neste estudo, as infecções respiratórias inferiores correspondiam
a 28,9%, cirúrgicas 15,6%, pele 15,5%, urinárias 11% e sepses 10%. Outras
infecções apareceram em 18% das ocorrências.
Freqüentemente, quando os pacientes não estão
respondendo à terapia antibiótica, a resposta de muitos médicos
simplesmente é alterar a prescrição e esperar seu resultado. A seleção de
alternativas terapêuticas sem aderência para um programa que tenha ótimas
respostas clínicas e bacteriológicas como metas primárias, ou sem uma
razão baseada em dados da literatura médica, pode promover resistência
antimicrobiana.
O gasto com antibióticos é responsável por mais da
metade das despesas com medicamentos e, ao contrário das muitas histórias
favoráveis que emanam da literatura, as despesas com antibióticos continuam
subindo a uma taxa anual de 3,8%.
As políticas de antimicrobianos visam basicamente o
controle de custos e da resistência microbiana. Entretanto implanta - las,
sem aderência da equipe de saúde ou sem o respaldo de criteriosa análise da
literatura médica pode, ao contrário, elevar as despesas e selecionar
bactérias resistentes.
Recente apresentação feita pelo Dr Robert Gaynes,
do CDC mostrou, em revisão dos dados de 1997 a 2003, que houve um aumento
expressivo das Bactérias gram negativas (BGN).
O crescimento da resistência dessa classe de patógenos
confunde-se com a pobreza de novos antibióticos - não haverá praticamente
nenhum novo agente disponível para tratamento de BGN resistente nos próximos
cinco anos.

Em um estudo nos Estados Unidos, pacientes com bacteremia
causada por Staphylococcus aureus resistente ficaram internados em
média 2,7 dias a mais do que pacientes com cepas sensíveis e representaram
um custo adicional de U$3.500,00 por caso.
É lógico supor, portanto, que uma política de
antimicrobianos deve enfocar a prescrição adequada dessas drogas e não
simplesmente limitar escolhas.
O controle da infecção deve ser a base de atuação de
todos os profissionais de saúde. A falta de controle da IH (infecção
Hospitalar) e o aparecimento de germes MR (multi resistentes), ocasionam
vários tipos de custos, destacando se:
- Perda de vidas e variáveis graus de incapacidade temporária ou
permanente
- Aumento do custo resultante da necessidade de isolamento de pacientes
portadores de bactérias MR.
- Aumento do custo conseqüente ao prolongamento da internação
(principalmente em locais de maior diária, como nos CTIs).
- Aumento do custo com medicamentos, principalmente antibióticos de
última geração.
- Aumento do custo relacionado ao aumento de procedimentos invasivos
(cirurgias, por exemplo).
A solução para uma melhoria do controle do uso de
antimicrobianos e da resistência bacteriana é um fortalecimento das
Comissões de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH).
Dados sobre eficácia das ações de controle foram
obtidos de publicações americanas, onde se constatou um aumento relativo
de 18% nas infecções hospitalares, nos hospitais sem CCIH, contra uma
redução relativa de 32% naqueles que desenvolviam ações controladoras
efetivas.
Estudo Nacional, realizado no hospital da USP
(Universidade de São Paulo), de janeiro a abril de 2002, mostrou uma
redução substancial no consumo mensal de antimicrobianos e uma regulação
adequada de seu uso, a partir do momento em que a CCIH passou a avaliar caso
a caso, as indicações do uso de antibióticos.
A redução do uso de antimicrobianos não acarretou
nenhum prejuízo para os pacientes.
Referências:
1 - Clinical Microbiology & Infection, vol 11 Issue 1 pg
73 – January 2005 doi: 10.111/j.1469 – 0691.2004.01031.x
2 - Implementation of the Campaign to Prevent Antimicrobial
Resistance in Healthcare Settings: 12 Steps to Prevent Antimicrobial Resistance
Among Hospitalized Adults--experiences from 3 institutions. Am J Infect Control.:53-4
3 - Antimicrobial resistance among gram-positive organisms in
the intensive care unit. Curr Opin Crit Care. 2003 Oct; 9 (5):403-12
4 - Antimicrobial resistance among gram-positive organisms in the intensive care unit.NM Clark, E Hershberger, MJ Zervosc, JP Lynch 3rd
Section of Infectious Diseases, Department of Internal Medicine, University of
Illinois at Chicago, Chicago, Illinois, USA.
5 - Fernandes et al "infecção hospitalar e suas
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6 - O emprego do benchmarking na área de saude - Dra Sujata
M. Bhavnani, Am. J. Health System Pharm57 13 – 20, 2000.
7- Controle de infecção hospitalar guia pratico Mozart de
Castro Neto, Julia Maria Vieira Porto Ribeiro
8 - Antimicrobianso e Sindromes infecciosas: guia pratico,
2da edição – Starling, Carlos Ernesto Ferreira Silva e Estevão Urbano.
9 - Campaña de Prevencion de la Resistencia a los
Antimicrobianos – cdc – spanish
10 - Neil Fishman, Md, ICAAC, Antimicrobial Resistance
Prevention Initiative – 2004.
11 -Revista Chilena de Infectologia vol 19 e 20, maio de
2004, abril de 2004.
12 - Impacto dos programas de controle de antimicrobianos
sobre os custos e a resistencia microbiana - Joseph A. Paladino, Am. J Health
System Pharm 57 (supp2) 10 –12, 20000.
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23 de março de 2006.
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