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Neste artigo:
- Tratamento das Doenças das Coronárias
- Tratamento da Insuficiência Cardíaca
- Veja ainda em Boasaude
“A medicina busca a cada dia novas tecnologias na tentativa de prolongar a vida
e principalmente manter a qualidade de vida com o envelhecimento. Novas
descobertas principalmente na área da cardiologia vem solucionando problemas
deste órgão tão importante para o organismo – o coração”.
Tratamento das Doenças das Coronárias
A introdução da angioplastia por balão há cerca de 20 anos revolucionou o
tratamento das doenças cardíacas coronarianas, como a angina e o infarto: o
procedimento usa um cateter com um balão minúsculo no interior das artérias
coronárias obstruídas, para dilatá-las e restaurar o fluxo de sangue sem
necessidade de cirurgia de pontes de safena. Mas descobriu-se logo que as
artérias se obstruíram freqüentemente outra vez – em até metade dos pacientes
dentro de seis meses após o procedimento. Mais recentemente, os médicos
começaram a introduzir bobinas minúsculas de fio metálico chamadas stents, para
manter as artérias abertas, como se fosse um arcabouço de sustentação.
Mas a reoclusão dos stents - ou reestenose - ocorre em aproximadamente 20% dos
pacientes submetidos a este tipo de procedimento. Esta reestenose é causada por
processos fisiológicos, que levam ao crescimento de células no interior do stent
colocado, e é o maior fator limitante da técnica da revascularização coronária
percutânea (por cateterismo). Esta reestenose tem sido muito estudada ao longo
dos anos, na tentativa de buscar soluções que impeçam o seu surgimento.
Agora, uma nova técnica nova pode ter resolvido o antigo problema de manter
desobstruídas as artérias do coração após a colocação de um stent: pesquisadores
acreditam que stents revestindo com determinados medicamentos podem resolver
este problema da reestenose. Em um estudo cujos resultados foram publicado na
revista The New England Journal of Medicine em junho de 2002, sugere-se que
stents implantados nas artérias coronárias podem ser 100% livres de reestenose,
mantendo os vasos abertos, desde que revestidos com uma droga chama de sirolimus
(rapamicina).
Neste estudo mundial publicado, chamado de Ravel, e que teve parte dele
desenvolvida no Brasil, nenhum dos pacientes tratados com os stents revestidos
desenvolveu a reestenose seis meses após seu implante, comparado com 25% dos
pacientes tratados com os stents não revestidos com a droga.
Na experimentação, quase 240 pacientes foram selecionados aleatoriamente para
receber os stents revestidos com o sirolimus ou stents sem revestimento. Seis
meses após o implante, nenhum dos pacientes tratados com os stents revestidos
tiveram reestenose significativa, comparado com 27% dos pacientes tratados com
os stents sem revestimento. Um ano após o implante, 6% dos pacientes no grupo
stent revestido tinha tido um ataque cardíaco ou outro problema de coração,
comparados com 29% dos pacientes que tinham recebido os stents padrão (sem
revestimento).
Os autores acreditam que no futuro este tipo de stent revestido poderá se tornar
o padrão para este tipo de intervenção.
Tratamento da Insuficiência Cardíaca
Um novo tipo de marcapasso chamado de biventricular, e que controla tanto o lado
direito quanto o lado esquerdo do coração pode auxiliar pacientes com
insuficiência cardíaca congestiva (ICC), revela um estudo multicêntrico também
publicado em junho de 2002 na revista The New England Journal of Medicine. Neste
estudo, mais de 400 pacientes foram avaliados e submetidos ao implante do
aparelho. Em alguns, o aparelho foi ligado, e em outros, mantido desligado, para
que se criasse um grupo de controle.
Este dispositivo pode auxiliar pacientes com ICC, uma condição em que o coração
se torna dilatado e começa a bombear com menor eficácia. Entre os sintomas da
insuficiência cardíaca congestiva podem ser citados a falta de ar, o edema nos
membros inferiores, e a fadiga. Contrações musculares coordenadas de ambas as
câmaras do coração, conhecidas como ventrículos, são necessárias para um
batimento cardíaco normal capaz de bombear o sangue para todo o corpo.
Este novo marcapasso biventricular é particularmente útil para aqueles pacientes
portadores de uma alteração no eletrocardiograma caracterizada por um retardo na
ativação do ventrículo direito para o esquerdo. Pelo menos 30% dos pacientes com
ICC apresentam este tipo de anormalidade.
O marcapasso biventricular ressincroniza a contração e o relaxamento dos
ventrículos, o que por sua vez diminui a quantidade de sangue que reflui para
dentro do coração e aumenta a quantidade de sangue ejetado das câmaras. Esta
ação melhora os sintomas da insuficiência cardíaca.
Este novo tipo de marcapasso não só foi capaz de melhorar a qualidade de vida
dos pacientes após 6 meses, como também de diminuir a necessidade de
internações.
Os autores do estudo acreditam que um grande número de pacientes portadores
desta condição altamente incapacitante, a insuficiência cardíaca congestiva,
poderá vir a se beneficiar do aparelho.
Referências Bibliográficas:
1. The New England Journal of Medicine, Volume 346:1773-1780, June 6, 2002
2. The New England Journal of Medicine, Volume 346:1845-1853, June 13, 2002
Copyright © 2002 Bibliomed, Inc. 25 de Julho de 2002.
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