|
© Equipe Editorial Bibliomed
Neste Artigo:
- Quais os sintomas
mais comuns?
- Quais as causas da síndrome?
- Como é feito o diagnóstico?
A síndrome das pernas inquietas (SPI) é uma doença
neurológica que se caracteriza por sensações desagradáveis nos membros
inferiores, associadas a uma necessidade urgente de movimentar-se, quando em
repouso, para alívio dos sintomas. Frequentemente, os pacientes que sofrem
dessa síndrome queixam-se de sensações como: queimação,
"fincadas", formigamento.
A principal característica da doença é o desencadeamento
dos sintomas após o paciente ter deitado, ou às vezes, sentado. Como
resultado, muitos pacientes apresentam problemas para dormir (insônia). Quando
não é tratada, a doença acaba causando sensação de cansaço extremo e
sonolência durante o dia, o que afeta a vida profissional e social do
indivíduo acometido. Frequentemente, esses pacientes apresentam dificuldade de
concentração, problemas de memória e para realizar as tarefas diárias.
Estima-se que aproximadamente 12 milhões de pessoas sejam
acometidas por essa síndrome, nos EUA. No entanto, parece que esse número é
bem maior, já que muitas vezes a doença não é diagnosticada. Além disso,
muitos pacientes não procuram atendimento médico, pois acham que suas queixas
não serão levadas em consideração ou que não existe tratamento para os
sintomas.
A SPI ocorre igualmente em homens e mulheres, embora seja
ligeiramente mais comum em mulheres. Os sintomas podem iniciar-se em qualquer
faixa etária, porém a grande maioria dos indivíduos sintomáticos
apresenta-se entre a terceira e quinta décadas de vida. Foi observado, também,
que a gravidade dos sintomas piora à medida que a idade avança, de forma que
os idosos apresentam sintomas mais freqüentes e mais prolongados.
Quais os sintomas
mais comuns?
As pessoas com essa síndrome apresentam sensações
desconfortáveis nos membros inferiores, principalmente quando sentados ou
deitados, acompanhados de um desejo intenso de movimentar-se. Essas sensações
são sentidas profundamente no membro, entre o joelho e o tornozelo. Raramente,
os sintomas podem acometer, também, os pés, as coxas e os membros superiores.
Na maioria das vezes, os sintomas são sentidos nos dois membros.
Como a movimentação do membro melhora os sintomas, os
pacientes tendem a manter as pernas em movimento. Eles podem ficar batendo os
pés no chão ou revirando na cama. Muitos pacientes relatam que os sintomas
são mais pronunciados durante a noite, com alívio pela manhã, horário em que
conseguem dormir melhor. Sabe-se que existem outras situações que desencadeiam
os sintomas, como: longos períodos de imobilização (como viagens longas);
ficar sentado muito tempo no cinema; vôos de longa distância; durante
exercícios de relaxamento.
Quais as causas da
síndrome?
Em grande parte dos casos, a causa da doença é
desconhecida. Em quase metade dos casos, o paciente relata que outras pessoas na
família apresentam os mesmos sintomas, o que sugere algum fator genético
envolvido. Os pacientes com história familiar tendem a ser mais jovens ao
início dos sintomas e apresentam evolução mais lenta dos sintomas.
Nos outros casos, alguns fatores parecem estar associados ao
desenvolvimento da síndrome, embora ainda não se saiba se eles realmente são
causadores:
- Indivíduos com níveis baixos de ferro no organismo ou anemia podem ter
um maior risco de desenvolver essa síndrome. A correção da deficiência
de ferro associa-se à melhora dos sintomas;
- Algumas doenças crônicas parecem associar-se à síndrome, como a
insuficiência renal, o diabetes mellitus, a doença de Parkinson. O
tratamento dessas doenças geralmente leva à melhora dos sintomas da SPI;
- Em algumas mulheres, a síndrome surge durante a gestação,
principalmente no último trimestre, tendo melhora até a quarta semana
após o parto;
- Algumas medicações podem piorar os sintomas: medicamentos usados contra
as náuseas e vômitos, anticonvulsivantes, antipsicóticos, antialérgicos.
Foi relatado também que a cafeína, o cigarro e o álcool
podem piorar os sintomas, em pacientes predispostos ao desenvolvimento da
síndrome.
Como é feito o
diagnóstico?
Não existe um exame específico para o diagnóstico da SPI.
Assim, o diagnóstico é feito com base no relato do paciente e no exame físico
realizado pelo médico. Mesmo assim, é difícil o estabelecimento do
diagnóstico. Se a descrição dos sintomas, feita pelo paciente, for
compatível com a síndrome, o médico poderá solicitar alguns exames
laboratoriais e de imagem, com o objetivo de descartar outras doenças que podem
apresentar sintomas parecidos. Caso os exames sejam negativos, o diagnóstico
fica sendo o de SPI.
Em alguns casos, pode ser realizada a polissonografia, que é
um exame que permite avaliar o padrão de sono do paciente.
Em crianças, o diagnóstico é mais difícil ainda de ser
realizado, já que esses pacientes podem não descrever corretamente seus
sintomas. Frequentemente, os sintomas são atribuídos a "dor de
crescimento" ou ao déficit de atenção/hiperatividade.
Copyright © 2008 Bibliomed, Inc.
26 de fevereiro de 2008
|