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Equipe Editorial Bibliomed
Neste Artigo:
- A Menopausa
- Se não é doença, por que
tratar?
- Contradições e Riscos Apontados
- Efeitos Colaterais
- Contra-indicações
A Terapia de Reposição Hormonal (TRH) é um polêmico
tratamento para a menopausa. Seria ela uma doença que precisa ser tratada?
Embora seja descrita como uma fase natural da vida de qualquer mulher, a
menopausa vem muitas vezes acompanhada de uma série de sintomas desagradáveis.
Por outro lado, o tratamento com hormônios também pode
acarretar em alguns riscos, principalmente no que diz respeito ao câncer de
mama, embora, de acordo com especialistas, esta incidência não esteja
comprovada.
Antes de falarmos do tratamento, seus benefícios e
conseqüências, no entanto, cabe, para começarmos, definir precisamente a
menopausa.
A Menopausa
De acordo com o Comitê de Nomenclaturas da Federação
Internacional de Ginecologia e Obstetrícia, a menopausa é a fase em que a
mulher passa do estágio reprodutivo para o não reprodutivo.
Em outras palavras, a menopausa é a parada de funcionamento
dos ovários, que deixam de produzir os hormônios estrógeno e progesterona.
Não é uma doença, mas apenas um estágio na vida da mulher.
Sua principal característica é a parada das menstruações,
embora possa anunciar-se pelas irregularidades menstruais, hemorragias ou
escassez de menstruação. Ocorre geralmente entre os 45 ou 55 anos, mas pode
variar bastante de mulher para mulher.
Embora algumas mulheres nada sintam durante a menopausa,
alguns sintomas podem ocorrer com freqüência, tais como ondas de calor ou
fogachos (acontece de 75 a 80% das mulheres), suores noturnos, insônia, baixa
do desejo sexual, irritabilidade, depressão, osteoporose, aumento do risco de
doenças cardiovasculares, ressecamento vaginal, dor durante o ato sexual e
diminuição da atenção e memória.
A causa destes sintomas está na diminuição de produção
do estrogênio, hormônio responsável, na adolescência feminina, pelo
aparecimento dos seus sinais sexuais secundários (crescimento das mamas, pêlos
pubianos, alargamento dos quadris, distribuição feminina da gordura, textura
da pele, entre outros).
Na menopausa, com a redução de produção deste hormônio,
diminui o brilho da pele feminina e a distribuição de gordura passa a
concentrar-se na barriga. Sem o estrogênio, a mulher passa a sentir secura
vaginal e conseqüente dor no ato sexual. Na ausência do estrogênio,
desequilibram-se as gorduras no sangue, o colesterol e o hdl-colesterol, o que
aumenta a chance de ataques cardíacos ou doenças cardiovasculares.
Por último, o estrogênio é responsável pela fixação do
cálcio nos ossos. Após a menopausa, grande parte das mulheres passará a
perder o cálcio dos ossos, doença chamada osteoporose, responsável por
fraturas e por grande perda na qualidade de vida da mulher. Estudos recentes
têm associado a falta de estrogênio também ao Mal de Alzheimer, perda total
da memória.
Se não é
doença, por que tratar?
A principal pergunta que vêm depois da explicação sobre o
que é menopausa é a razão de procurar-se um tratamento, tendo em vista que
estamos falando de uma fase normal na vida da mulher, e não de uma doença.
Diante de toda esta sintomatologia e dos riscos que a falta
de estrogênio pode causar, parece que não restam muitas dúvidas sobre a
necessidade de aplicar-se a reposição hormonal.
Segundo o IBGE, ainda nesta década estaremos com 1/3 da população feminina
vivendo em menopausa. Considerando a idade média da menopausa, por volta dos 45
anos, veremos também que as mulheres passarão um terço de suas vidas sem
hormônios.
Ginecologistas opinam que não há dúvidas sobre o
benefício que suas pacientes têm com o tratamento de reposição hormonal.
Cerca de 20% apenas precisam rever a medicação, trocando-a,
mas que todas, sem exceção, declaram-se extremamente beneficiadas pelo
tratamento. De acordo com vários estudos, 80% dos médicos ao redor do mundo
são partidários da TRH, porém recomendam sempre que tratamento deve ser
sempre acompanhado por um médico e monitorado freqüentemente.
Um dos principais danos causados pela deficiência de
hormônio ocorrida na menopausa é a perda de cálcio, que causa a osteoporose.
Ela aparece nos primeiros cinco anos da menopausa e é uma
doença muito grave, relacionada a fraturas de vértebras (coluna) e de bacia. O
tratamento com hormônios ou com substitutos hormonais reduz a ocorrência de
fraturas de bacia em 25% e de coluna em 50% e deve ser iniciado logo no início
da menopausa.
Outro fator importante a considerar é o risco de doenças
cardiovasculares, entre elas o infarto e o derrame. De acordo com
ginecologistas, o tratamento hormonal pode reduzir as mortes por doenças
cárdio-vasculares em aproximadamente 35%.
Contradições
e Riscos Apontados
Uma estudo abrangendo 121.700 mulheres, publicado no New
England Journal of Medicine em 1995, revelou que uma mulher, que tomou
hormônios por mais de cinco anos, tem de 30 a 40% mais chances de desenvolver
câncer de mama. Nas mulheres com idade entre 60 e 64 anos, este risco aumentou
para 70%.
A conclusão desta pesquisa científica é de que as mulheres
que usaram TRH por um período maior do que cinco anos, tem 45% mais chances de
morrer de câncer de mama, do que aquelas que não usaram ou que o fizeram por
um período menor.
De acordo com um vasto estudo publicado ainda mais
recentemente, no Journal of the American Medical Association (JAMA), em que
foram examinadas 46.000 mulheres, ficou demonstrado que o uso de Premarin/Provera,
na TRH, oferece maiores riscos de câncer de mama, do que o uso de estrogênio
não combinado.
Efeitos Colaterais
Existem ainda uma série de efeitos colaterais e danos
fisiológicos causados pelo uso prolongado de estrogênio: maior risco de
câncer endométrico, incremento na gordura corporal, retenção de sal e de
fluidos, depressão e dores de cabeça, prejuízos no controle de açúcar no
sangue (hipoglicemia), perda de zinco e retenção de cobre, redução nos
níveis de oxigênio em todas as células, espessamento da bílis e promoção
de doenças da vesícula biliar, aumento da possibilidade de fibrocistos no seio
e de fibrose uterina, interferência na atividade da tireóide, diminuição do
desejo sexual, coagulação sangüínea excessiva, redução do tônus vascular,
endometriose, cólica uterina, infertilidade, e restrição à função dos
osteoclastos.
No entanto, recomenda-se o uso de progesterona natural, por
considerar que todos estes estudos se referem às progestinas sintéticas. O
princípio ativo presente na progesterona natural e na sintética é o mesmo,
não havendo, portanto, esta diferença alegada.
A psicoterapia não resolve o problema, por que se trata de
uma desordem química do organismo. O hormônio também não é uma panacéia
que vai resolver todos os problemas femininos: não resolve casamento em crise
nem depressão pré-existente, mas alivia a maior parte dos sintomas causados
pela menopausa, estendendo a qualidade de vida da mulher.
Contra-indicações
Por outro lado o TRH também implica em algumas
contra-indicações, que devem ser monitoradas de perto pelo médico em sua
aplicação.
As principais contra-indicações à terapêutica
estrogênica seriam as hepatopatias atuais, tromboembolismo, anemia falciforme,
hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, diabetes mellitus, epilepsia,
cefaléia ou enxaqueca, porfiria, câncer de mama, câncer de endométrio e
tabagismo.
Na terapia baseada em progesterona, as contra-indicações
seriam as hepatopatias e tromboembolismo. Ainda assim, é possível, com
mudanças nas medicações aplicadas e suas doses, receitar a TRH mesmo para os
pacientes que possuem estas contra-indicações.
Diante de tantos efeitos e de tantas controvérsias, é
essencial que a mulher, antes de submeter-se a uma terapia hormonal, não apenas
esteja muito bem informada sobre todos os pós e contras deste tratamento, mas
também esteja realmente bem orientada por um profissional de sua confiança.
Com certeza a maioria dos médicos é bem intencionada e se
preocupa verdadeiramente com suas pacientes. No entanto, suas informações
advém, em boa parte das vezes, das próprias companhias farmacêuticas
interessadas em vender mais medicamentos. A busca de alternativas e os estudos
sobre a menopausa e seus sintomas permanece e merece toda a nossa atenção.
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09 de abril de 2007.
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