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Albérico Aureliano Tejo
Antônio Almeida
Cláudia Jacqueline Mendes dos Santos
Débora de Cássia Silva
José Adriano de Oliveira
Míriam Gabrielle Barros de Oliveira
Sérgio Alexandre de Medeiros Alas*
* Alunos de Graduação em Nutrição da Faculdade do
Vale do Ipojuca – FAVIP,
sob a orientação da Professora Karina Correia da Silveira
Neste Artigo:
- Soja
- Alho
- Vinho
- Tomate e cebola
- Feijão
- Considerações finais
-
Referências
Bibliográficas
Soja
No Brasil é o alimento que mais oferece possibilidades para
o desenvolvimento dos produtos funcionais. A soja está tendo uma considerável
atenção, devido à qualidade e quantidade de proteína, sendo considerada um
ótimo alimento de origem vegetal. Já é comprovado que seu consumo, em grande
quantidade, baixa a incidência de doenças cardiovasculares, osteoporose,
sintomas da menopausa e certos cânceres (mama, próstata e cólon).
Foi observado que mulheres que vivem nos países asiáticos,
consomem de 30 a 50 vezes mais produtos de soja que as ocidentais, e foi
registrada uma diferença da excreção urinária de isoflavonas (componente
ativo presente na soja, semelhante ao estrogênio humano, chamado de
fitoestrógenos), entre as ocidentais e as mulheres orientais que era
surpreendente: Enquanto se constatou ema excreção de 2000 – 3000 nmol/24h de
isoflavonas nas orientais e nas ocidentais a excreção foi em torno de 30 –40
nmol/24hs, sendo verificada o consumo de 50 – 100 mg/dia nos orientais e menos
de 1 mg/dia nas ocidentais.
A partir de 38 estudos clínicos, comprovou-se o efeito
benéfico das proteínas da soja sobre os lipídios séricos. Os pesquisadores
concluíram que são necessárias, no mínimo, 25g de proteína de soja/dia para
reduzir os níveis de colesterol total, LDL e triglicérides. Sendo assim foi
reconhecido que todos os produtos que tenham mais de 6,25g de proteína de
soja/porção "reduzem o risco de doença cardiovascular". Os
fitoestrógenos são biologicamente ativos nas mulheres e nos homens, inibindo
células tumorais. Na soja há também as isoflavonas, que têm uma atividade
antioxidante. Estudos mostram que quando esses dois componentes estão juntos,
combinados em uma quantidade adequada, é possível reduzir o risco ou prevenir
doenças como as cardiovasculares, osteoporose, certos tipos de câncer como de
mama e próstata, além de amenizar os sintomas da menopausa, principalmente as
ondas de calor.
Atualmente existem estudos avaliando o papel da genisteína
(uma isoflavona da soja) em melhorar a função cognitiva (memória,
raciocínio, concentração, etc) e prevenir doenças neurodegenerativas, como o
mal de Alzheimer. As isoflavonas da soja podem agir de três diferentes formas:
como estrógenos e anti-estrógenos; como inibidores de enzimas ligadas ao
desenvolvimento do câncer e como antioxidantes.
A proteína de soja é considerada a de melhor qualidade
entre as proteínas vegetais, assemelhando-se muito às proteínas da carne.
Além do excelente conteúdo de proteínas de alta qualidade, a vantagem de se
utilizar a carne de soja, em relação às carnes em geral, está no baixo
conteúdo de gorduras saturadas do alimento, na ausência de colesterol e no
alto teor de fibras. A única desvantagem fica por conta do menor conteúdo de
ferro e ausência de vitamina B12, nutriente encontrado somente em alimentos de
origem animal. A fervura, o cozimento e a tostagem não trazem grandes
prejuízos nutricionais. Além disso, o processamento térmico é importante,
para inativar fatores anti-nutricionais presentes no grão e para inativar
também a ação de enzimas (lipoxigenases), que dão à soja um sabor
desagradável.
Alho
Pesquisas têm demonstrado efeitos, principalmente em
relação a sua atividade imuno estimulante, antiaterosclerótica,
anticancerígena, normalizadora da pressão arterial, promotora da atividade
fibrinolítica (ou seja, da cicatrização) e inibidora da agregação
plaquetária e antimicrobiana. Embora alguns dos resultados ainda sejam
conflitantes, devido às falhas metodológicas, as evidências sugerem resultado
positivo contra várias enfermidades.
Atualmente seu poder terapêutico é reconhecido pelo
ministério da saúde. Além de seu uso culinário, nas mais variadas culturas,
desde a antiguidade, é usado como medicamento para as mais variadas moléstias.
Os estudos científicos identificaram a presença de vários compostos que agem
terapeuticamente, no tratamento de parasitoses, desconforto gastrintestinal,
dislipidemias, verminoses intestinais, na doença hipertensiva, cardiovascular,
câncer, além das atividades antiinflamatórias, antimicrobiana, e
antiasmática.
Estudos epidemiológicos e experimentais evidenciam a ação
anticarcinogênica do alho, principalmente devido à presença dos seus
componentes sulfurados. Foi comprovada que a atividade dos leucócitos, de
pessoas alimentadas com alho, é 139% superior do que a dos leucócitos de
pessoas que não incluíam o alho em sua alimentação. Esta proteção parece
ser resultado de vários mecanismos: bloqueio da formação de compostos
nitrosaminas, proteção hepática contra substâncias carcinogênicas,
supressão da bioativação de vários carcinogênicos, aumento do reparo do DNA
e redução da proliferação celular. Possivelmente vários desses eventos,
ocorrem simultaneamente e a ação dos componentes sulfurados parece ser
influenciada por diversos componentes da dieta
Vinho
As bebidas possuem compostos antioxidantes, tornando-se
atrativas na prevenção de doenças, especialmente o vinho tinto, o qual
contém os polifenóis. O suco de uva e o vinho tinto contêm os compostos
fenólicos, presentes nos fitoquímicos, que apresentam uma elevada atividade
antioxidante. Os antioxidantes, bloqueadores de radicais livres, são os
principais agentes inibidores da carcinogênese. Vários estudos mostram que o
consumo de bebidas alcoólicas diminui a agregação plaquetária, sendo que os
fenólicos do vinho também inibem a oxidação do LDL. O consumo moderado de
álcool, associado às DVC, em pacientes com diabetes utilizando o vinho tinto,
juntos às refeições, não causa nenhum dano.
Tomate e cebola
Na atualidade, o consumo do tomate têm aumentado cada vez
mais, principalmente entre os da faixa etária acima de 40 anos, por motivos que
vão além de suas características organolépticas, mas, sobretudo devido as
propriedades funcionais deste alimento. Está comprovado pela ciência, que o
pigmento licopeno (que confere a cor vermelha ao tomate quando maduro) que é um
tipo de carotenóide da família dos terpenos, e confere a propriedade
funcional ao tomate, assim como outros pigmentos presentes como os flavonoídes.
O licopeno, segundo estudos científicos atuais, possui
atributos como o de ser anticarcinogênico e antioxidante, o seu efeito
antioxidante consiste em poder inibir a ação dos radicais livres, produtos das
reações do organismo, sendo os lipídeos e demais fluídos corporais
protegidos da ação deletéria dos radicais livres, evitando a oxidação das
células e conseqüentes patologias associadas. Conforme ensaios clínicos,
muitos já conclusivos, têm-se observado que um consumo regular de tomate, pode
diminuir a incidência de neoplasias principalmente do esôfago, intestinos,
estômago, bexiga, colo uterino, pele e até pulmões.
Outro importante guardião da boa saúde é o tubérculo
cebola, planta hortense originada do bulbo é largamente utilizada em temperos e
saladas cruas temperadas, com sabor e aroma bem característicos. A cebola,
assim como a chicória, soja, alho, aspargo e banana, possuem os
oligossacarídeos que fazem parte de um grupo composto ainda de
frutooligossacarídeo e inulina (citados anteriormente em prebióticos e
probióticos) verdadeiros auxiliares da saúde. Devemos ainda atinar para outra
substância encontrada na cebola, de fundamental importância funcional, a
alicina, que é antibiótica, atua na oxidação das vitaminas do complexo B e
na sua absorção, baixa os níveis lipídicos, controla a pressão arterial,
aumenta as defesas imunológicas e inibe a ação das nitrosaminas (resultantes
dos nitratos e nitritos, aditivos utilizados na indústria de alimentos para os
embutidos) que são potencialmente carcinógenos.
Feijão
O consumo, em quantidades de média a alta, de feijão, está
sendo associado à diminuição do desenvolvimento de doenças como o diabetes,
obesidade, doenças
cardiovasculares e até mesmo neoplasias.
Acredita-se que esse efeito benéfico seja devido à presença de metabólitos
secundários nessa leguminosa,
os fitoquímicos.
Considerações finais
O conceito sobre os alimentos funcionais vêm significando,
desde simples alimentos com substâncias protetoras, até produtos
caracterizados como "suplementos alimentares". Aqui no Brasil o
alimento ou ingrediente, que alegar propriedades funcionais ou de saúde pode,
além de funções nutricionais básicas, quando se tratar de nutriente,
produzir efeitos metabólicos e ou fisiológicos benéficos à saúde, devendo
ser seguro para consumo sem supervisão médica. Os principais mecanismos de
ação e os respectivos efeitos benéficos dos diversos alimentos funcionais
são: atividade antioxidante e proteção de órgãos vitais (fígado, cérebro,
rins, sistema cardiovascular); modulação de enzimas de detoxificação de
xenobióticos (compostos tóxicos); diminuição da agregação plaquetária e
do risco de trombose e aterosclerose; alterações no metabolismo do colesterol
e diminuição do risco de aterosclerose; controle nas concentrações de
hormônios esteróides e do metabolismo endócrino; redução da pressão
sanguínea; efeitos antibacterianos e antivirais; atividades anti-inflamatórias;
efeitos anticancerígenos.
Uma vida saudável está relacionada não somente com os
alimentos que são ingeridos, mas faz parte de todo um contexto, no qual estilo
de vida, hereditariedade e a interferência do meio têm cada um o seu peso.
Não podemos considerar os alimentos funcionais milagrosos, mas sim como parte
desse contexto em que visa a prevenção de doenças.
Palavras-chave: alimentos, funcionalidade dos alimentos,
nutracêuticos.
Referências
Bibliográficas
- COLLI, C.; SARDINHA, F.; FILISETTI, T.M.C.C. Alimentos
Funcionais. In: CUPPARI, Lílian. Nutrição: nutrição clínica no adulto. 2ª
Edição, Editora Manole, p. 71-87.
- FERRARI, C. K. B.; SILVA, E. A. F. Alimentos funcionais:
Melhorando a nossa saúde, disponível em www.scielo.com.br
, acessado em 15 de novembro de 2006.
- SAAD, S. M. I.. Probióticos e prebióticos: o estado da
arte. Rev. Bras. Cienc. Farm., Mar 2006, vol.42, no.1, p.1-16.
Disponível em www.scielo.br, acessado em 15 de novembro de 2006.
- MARCHIORIL, V. F. Propriedades funcionais do alho,
disponível em www.scielo.br , acessado em 15 de novembro de 2006.
Copyright © 2007 Bibliomed, Inc.
27 de setembro de 2007
Veja também: Alimentos
Funcionais – parte I
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