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NEW YORK, 08 de março – Se você é um fumante – ou mesmo exposto ao fumo passivo – você está sob grande risco de infecções graves pela bactéria pneumococo, infecções estas que incluem meningite, pneumonia, ou infecções generalizadas.
"Fumantes são aproximadamente a metade dos adultos saudáveis em outros sentidos que apresentam infecções invasivas por pneumococos," relata o Dr. J. Pekka Nuorti, do Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) em Atlanta, Georgia, e associados. Em um estudo de 228 pacientes com idades entre 18 e 64 anos que apresentavam infecções no sangue ou meningite causada por pneumococos, 58% eram fumantes à época da infecção, de acordo com um artigo publicado na edição de 9 de março do The New England Journal of Medicine. Em comparação, somente 24% dos 301 indivíduos controles "saudáveis" eram fumantes à época do estudo.
Quando outros fatores de risco para estas infecções foram levados em conta – como aglomeração doméstica, falta de seguro de saúde, baixa renda familiar, alto consumo de álcool e asma – pessoas com infecções foram quase quatro vezes mais propensas a serem fumantes. Os não fumantes com estas infecções foram duas vezes mais propensos do que as pessoas saudáveis a serem expostos ao fumo passivo.
De acordo com um modelo desenvolvido pelos autores, o tabagismo responde por mais da metade do risco de infecção pneumocócica invasiva, comparados com 17% para o fumo passivo, 14% para doenças crônicas, 57% para a combinação de tabagismo e doença crônica, e 11% para o fato de morar com crianças pequenas que estavam em creches.
O tabagismo inveterado aumenta ainda mais o risco de infecção pneumocócica, indicam os resultados. Com o aumento do número de cigarros fumados por dia de 1 a 14 por dia para mais de 25 cigarros, a chance de infecção invasiva aumenta de 2.3 vezes para 5.5 vezes. De forma semelhante, mais tempo os indivíduos fumam, maior o risco de contrair uma infecção grave.
Para ex-fumantes, o risco de doença pneumocócica diminui gradualmente, ao ponto em que o risco é semelhante ao dos não fumantes aproximadamente 13 anos após o abandono do vício, indicam os pesquisadores.
"Nosso estudo documenta outro exemplo de efeito danoso à saúde ligado ao tabagismo ativo (da pessoa que fuma) e ao tabagismo passivo (da pessoa que convive com quem fuma)," concluem Nuorti e colaboradores. "A redução do número de cigarros a 15% diminui o risco de doença pneumocócica em adultos não idosos em aproximadamente 18%, prevenindo cerca de 4.000 casos anualmente nos Estados Unidos.
"Esta forte associação com o tabagismo pode apresentar implicações na extensão das aplicações de vacinas anti-pneumocócicas," escrevem os Drs. John Sheffield e Richard Root do Centro Médico Harborview em Seattle, Washington, em um editorial relacionado. Pessoas com mais de 65 anos ou aquelas com doenças crônicas podem ser vacinadas contra o Streptococcus pneumoniae (nome científico do pneumococo), de acordo com o CDC.
Mas o mais importante é que os fumantes deixem de fumar. "Pacientes procurando por mais motivação agora têm uma nova razão para parar de fumar," concluem Sheffield e Root.
FONTE: The New England Journal of Medicine 2000;342:681-689, 732-734.
Publicado em Bibliomed Saúde em 17/03/2000
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