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Neste artigo:
- Introdução
- Fatores de risco
- Sintomas
- Diagnóstico
- Complicações
- Tratamento
- Prevenção
"A vesícula biliar é um órgão que se localiza junto ao fígado
e tem a função de armazenar a bile, a qual é produzida pelo fígado, e liberada
no intestino após as refeições. A bile ajuda na digestão das gorduras e tem um
alto teor de sais biliares, que são produzidos a partir de colesterol. Assim, a
vesícula funciona como uma bolsa armazenadora desses sais biliares, ricos em
colesterol. Nos intervalos entre as refeições, a parte líquida da bile vai sendo
absorvida pelas paredes da vesícula, fazendo com que a mesma fique mais
concentrada, ou seja, menor quantidade de água. Este é o mecanismo pelo qual
começam a se formar os cálculos ou pedras".
Introdução
Os cálculos biliares ("pedras na vesícula") são formados
geralmente no interior da vesícula biliar. O que acontece é que quando a água da
bile vai sendo absorvida, os sais biliares vão ficando mais concentrados. Como
já dito, esses cálculos são ricos em colesterol. O mecanismo é semelhante ao da
formação dos cálculos renais ("pedras nos rins"), e se assemelha à formação das
pérolas, nas conchas. Os sais biliares, mais concentrados, vão ficando mais
próximos e acabam se agrupando; com o passar do tempo, mais e mais sais se
juntam aos anteriores. Já que os sais são ricos em colesterol, podemos concluir
que os cálculos são formados principalmente por esse componente. Esses cálculos
ficam armazenados na vesícula e, em determinado momento, podem migrar pelos
canais que levam a bile até o intestino. É aí que está o maior problema.
Fatores de risco
Alguns fatores estão associados a um risco maior de
desenvolvimento de "pedras na vesícula". São eles:
• Obesidade: aumenta a secreção de colesterol na bile;
• Perda importante de peso: também aumenta a perda de colesterol na bile;
• Uso de anticoncepcionais orais;
• Sexo feminino;
• Idade avançada;
• Gravidez;
• Dieta rica em gorduras;
• Vida sedentária;
• Hipertensão arterial (pressão alta);
• Tabagismo;
• Predisposição genética;
• Anemia hemolítica crônica: ocorre quando as hemácias (células vermelhas do
sangue) são destruídas.
Sintomas
Algumas vezes, os cálculos podem não causar nenhum sintoma,
de forma que o indivíduo nem imagina que tem esse problema. Os sintomas surgem
principalmente quando ocorre inflamação da vesícula ou quando o cálculo migra
para os canais que conduzem a bile.
No caso da migração das pedras, elas acabam obstruindo os
canais, pois esses são muito estreitos. Com isso, a pressão dentro da vesícula
aumenta e ocorre distensão (como se ela aumentasse de tamanho muito rápido),
levando ao sintoma mais característico: a chamada cólica biliar. Essa dor
aparece na região da "boca do estômago", vai aumentando de intensidade e passa a
localizar-se mais para o lado direito do abdome. O indivíduo pode também contar
que sente dor no ombro direito ou nas costas. Nos casos sem complicações, dura
até uma hora. Pode ser desencadeada após refeição muito gordurosa, refeição
normal ou quando o paciente se alimenta após um longo período de jejum.
Náuseas e vômitos podem surgir no momento em que a dor atinge
o máximo de intensidade. A febre ocorre quando há inflamação dos canais ou da
vesícula. Se a febre for alta e acompanhar-se de calafrios, indica a existência
de infecção por bactérias, uma doença chamada colangite.
Quando o cálculo obstrui o canal de drenagem da bile, o
paciente pode apresentar icterícia ("amarelão"), ou seja, fica com a pele e a
porção branca dos olhos com coloração amarelada. Isso ocorre porque a bile fica
"parada" na vesícula e a bilirrubina (pigmento amarelado presente na bile) vai
sendo absorvida e passa para o sangue. Nesses casos, a urina pode ficar escura
(amarronzada) e as fezes claras.
Diagnóstico
A história que o paciente conta é bem característica, e
orienta o pensamento do médico para o diagnóstico. Para a confirmação da
presença dos cálculos realiza-se o exame de ultra-som. No caso dos cálculos
biliares, como a maioria é formada de colesterol, eles não aparecem na
radiografia, ao contrário dos cálculos renais (que são formados principalmente
por cálcio e, como os ossos, aparecem à radiografia). Por isso o ultra-som é tão
importante. No entanto, outros exames podem ser utilizados, como a cintilografia.
Exames de sangue podem ser solicitados quando há suspeita de
alguma complicação da doença.
Complicações
Além da cólica biliar, o paciente com cálculos biliares está
sob risco de outras complicações:
• Colecistite aguda: é a inflamação aguda da vesícula, que
ocorre quando o cálculo fica preso logo na saída do órgão. O paciente apresenta
uma dor forte e constante e também febre.
• Coledocolitíase: o colédoco é o principal canal que leva a
bile desde a vesícula até o intestino. A coledocolitíase desenvolve-se quando o
cálculo obstrui esse canal. Nesses casos o paciente apresenta a icterícia
("amarelão").
• Colangite: é a infecção dos canais biliares por bactérias,
após a obstrução. A bile "parada" favorece a proliferação de bactérias.
• Pancreatite: inflamação do pâncreas. Ocorre porque o canal
que leva a bile da vesícula para o intestino passa dentro do pâncreas e se junta
com o canal principal que drena o suco pancreático. Quando o cálculo obstrui
esses ductos, o suco pancreático fica retido e acaba agredindo o próprio
pâncreas.
Tratamento
O tratamento pode ser feito com medicamentos ou por cirurgia,
com a retirada da vesícula (colecistectomia). Os medicamentos atuam dissolvendo
o cálculo, e podem ser indicados para aqueles pacientes que não apresentam
sintomas. Porém, esse tratamento apresenta alguns inconvenientes, como: uso
prolongado de medicamento caro; recorrência dos cálculos após a interrupção do
uso. Esses fatores, aliados aos ótimos resultados obtidos com a colecistectomia
por laparoscopia, têm feito com que a cirurgia seja preferível.
A cirurgia está indicada nos seguintes casos:
• Paciente com sintomas graves o bastante para interferir com
sua rotina diária.
• Paciente que apresentou alguma complicação devido à presença dos cálculos.
• Paciente que possui algum fator que aumente seu risco de desenvolvimento de
complicações.
A colecistectomia pode ser realizada de duas maneiras:
1. convencional, na qual o cirurgião faz uma incisão no abdome e
visualiza diretamente a vesícula;
2. laparoscopia, na qual o cirurgião introduz duas ou três cânulas em
pequenas aberturas na parede abdominal, e visualiza a cavidade por meio de um
monitor. A via laparoscópica é preferida, pois o resultado estético é melhor, a
dor no pós-operatório é mais leve, a duração da internação é menor e o paciente
volta mais rápido ao trabalho e a suas atividades habituais.
Outro tratamento que pode ser utilizado é a litotripsia
extracorpórea, da mesma forma que utilizada para os cálculos renais. Nessa
técnica, aplicam-se ondas de choque na superfície do abdome, dirigidas ao
cálculo, com o objetivo de quebrá-lo em pedaços menores que possam ser
eliminados. Deve ser utilizada em associação aos medicamentos que dissolvem os
cálculos. Porém, as indicações desse tratamento são restritas.
Prevenção
Ainda não foram determinadas maneiras para prevenir a
formação dos cálculos biliares, porém algumas recomendações são feitas:
• Dieta rica em fibras e com menor quantidade de gordura;
• Manter o peso ideal, evitando a obesidade;
• Prática de atividades físicas;
• Interromper o tabagismo.
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Atualizado em 21 de Setembro de 2006
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