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O câncer de mama é o tipo mais freqüente e a causa mais comum de morte por câncer na população feminina, em muitas regiões geográficas. Este tipo de tumor maligno atinge o pico máximo de incidência entre as idades de 50 e 55 anos. Apresenta uma taxa de mortalidade anual de 46 mil mulheres. Este panorama e o fato do risco de as mulheres nos Estados Unidos desenvolverem câncer de mama de ser de um cada oito, fazem desta doença um problema de saúde significativo. A causa do câncer de mama não é conhecida, mas diversos fatores estão correlacionados a sua ocorrência como: idade, história familiar, influências étnicas e efeitos hormonais. Essa doença é geralmente
notada como um nódulo indolor e descoberta casualmente pela paciente no exame físico de
rotina ou na mamografia (estudo radiológico das mamas).
A propedêutica mamária complementar (exames utilizados para auxiliar na detecção de doenças da mama), em especial, a mamografia (estudo radiológico da mama), vem apresentando progressos, com detecção cada vez maior de lesões subclínicas (que não
se manifestam). Tal fato tem grande importância para a prevenção do carcinoma de mama.
A mamografia é um método de inquestionável importância no diagnóstico precoce e na
detecção do câncer de mama. O achado precoce de um tumor aumenta as chances de sucesso
do tratamento. Os esforços para procurar e detectar câncer de mama precocemente são
baseados no auto-exame, no exame médico e nas técnicas de imagem da mama. Dentre as
técnicas citadas, a mamografia merece especial consideração, por ser um exame bem
estudado e padronizado e, comprovadamente, se realizado anualmente, diminuir a taxa de
mortalidade por câncer de mama em cerca de 25 %.
Recentemente, um debate público, realizado nos
Estados Unidos, acerca da recomendação de mamografia de screening (para
rastreamento de câncer de mama), em mulheres com idade entre 40 e 49 anos, recebeu
especial atenção em jornais da área da saúde, especialmente, médicos e na imprensa em
geral.
Em um trabalho publicado em maio de 2000, na revista Archives of Internal Medicine
acerca do referido debate, verificou-se que a maioria das mulheres americanas
entrevistadas se mostrou interessada e dispensou atenção à recente discussão sobre a
realização de mamografia para o rastreamento de câncer de mama.
Segundo estudo suíço, publicado na revista Lancet, em 1993, o câncer de mama
pode ser diagnosticado precocemente, se a realização de mamografia acontecer em mulheres
entre 40 a 49 anos de idade. A importância da realização de mamografia em mulheres
nessa faixa etária, foi corroborada por pesquisadores americanos, que investigaram o
conhecimento das mulheres americanas sobre o rastreamento da doença maligna da mama
através da mamografia e a sua posição diante do assunto discutido em recente debate.
O Estudo
Nesse trabalho, foi enviada uma
pesquisa (questionário) a uma amostra aleatória de mulheres americanas, com idade igual
ou superior a dezoito anos. Mais da metade (66%) das mulheres que receberam o
questionário, o respondeu completamente. Os aspectos relevantes nessa pesquisa foram: as
reações das mulheres ao debate, sua sugestão para a idade em que deve ser realizada a
mamografia para o rastreamento do câncer de mama e a sua compreensão acerca do debate.
Os pesquisadores desenvolveram o questionário como parte integrante de um projeto de
pesquisa sobre a realização de mamografia, financiado pelo Departamento Americano de Prevenção do Câncer de Mama. Nesse questionário, foram indagados aspectos inerentes à prevenção do câncer de mama,
através da realização do exame radiológico em mulheres de faixa etária entre 40 a 49
anos (proposta salientada no debate); também foi investigada a opinião dessas mulheres
quanto à idade ideal para a realização da primeira mamografia de rastreamento do tumor
maligno de mama; se as mulheres acompanharam o debate e como reagiram a ele; por fim, sua
conclusão sobre o debate.
Resultados
Os pesquisadores verificaram que a maioria das mulheres (aproximadamente 95% das
entrevistadas) se mostrou interessada no
debate recentemente realizado sobre a realização rotineira de mamografia de screening
(rastreamento) em pacientes de 40 a 49 anos de idade. Entretanto, uma parcela dessas
mulheres acreditou ser o debate acerca da questão financeira, não sendo dada verdadeira
importância ao benefício desse exame. O governo americano recomenda a implementação de
serviços especializados em mamografia e a realização desse exame em grande escala, como
método de screening. Além disso, recomenda aos serviços de mamografia, a
necessidade de disseminação efetiva da idéia da realização desse exame
rotineiramente, em mulheres de meia-idade.
O questionamento da necessidade real (evidenciada cientificamente) da realização de
mamografia em mulheres nessa faixa etária, levou o National Institutes of Health
(NIH- Instituto Nacional de Saúde) à conclusão inicial
de que as mulheres decidam por si mesmas essa necessidade. O National Cancer Institute's
Advisory Board (Instituto Nacional do Câncer), sob pressão do governo americano,
inverteu a conclusão inicial do Instituto Nacional de Saúde, preconizando a realização
de mamografia de rotina em mulheres jovens.
As mulheres que acompanharam o debate tiveram
melhor acesso à informação e se sentiram mais confiantes no momento de decidir sobre a
realização da mamografia.
Verificou-se, nesse estudo, que a maioria
das mulheres acham que a idade ideal para a realização de mamografia era aos 40 anos.
Uma pequena parcela, cerca de 10%, indagou sobre a existência ou não de benefício;
houve controvérsia sobre o momento ideal e a
idade de se realizar o exame como
rastreamento do câncer de mama. Entre as mulheres que acompanharam o debate, muitas (53%)
concluíram que a fonte da controvérsia entre a idade ideal era a questão financeira, ou
seja, o custo deste exame para o sistema de saúde.
Fonte: Arch Intern Med 2000;160:1434-1440.
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