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Anticoncepcional não aumenta peso da mulher, defende pesquisadora

11 de Junho de 2003 (Bibliomed). O ganho de peso é um dos pretextos mais comuns usados por mulheres em idade reprodutiva para justificar o abandono dos métodos anticoncepcionais. Para saber o real efeito dos contraceptivos hormonais sobre o peso corpóreo, a médica Daniela Fink Hassan desenvolveu um estudo que resultou na dissertação de mestrado intitulada “Avaliação da variação do peso corpóreo de usuárias de um método contraceptivo não hormonal” e será publicado nos próximos meses na revista científica americana Contraception.

Durante cerca de cinco anos, a pesquisadora analisou cinco mil prontuários médicos de mulheres que passaram pelo atendimento no Ambulatório de Planejamento Familiar da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. Daniela buscou saber a variação do peso das mulheres em idade reprodutiva que não faziam uso de contraceptivo hormonal e constatou que ocorreu ganho progressivo e significativo de peso das pesquisadas, mas esse ganho seria conseqüência da tendência natural da mulher em adquirir peso relacionado com o aumento da idade e com o fenômeno da transição alimentar ocorrido nos anos 80. “Na década de 80, observa-se o surgimento de um grande número de redes de fast food, da troca por alimentos ricos em gordura e do aumento do poder aquisitivo da população em geral, que passou a ter maior acesso aos produtos alimentícios”, explicou.

Para comprovar que as mulheres em idade reprodutiva ganham peso independente do contraceptivo adotado a médica adotou uma metodologia inédita. Dos 5 mil prontuários médicos, a pesquisadora selecionou 1.697 mulheres, com idades entre 16 e 48 anos, usuárias do Dispositivo Intra-Uterino (DIU) com cobre e não hormonal, por um período mínimo de cinco anos. Elas foram acompanhadas no Ambulatório, no período de 1977 a 2002. A seleção do grupo levou em consideração que o método não influenciaria no peso e as mulheres não estariam expostas a uma elevada taxa de gravidez.

A pesquisadora observou que as mulheres com mais de 30 anos adquiriram mais peso que as mais jovens e tiveram um aumento maior do IMC. Segundo a pesquisadora, isso acontece porque a taxa metabólica do indivíduo diminui em torno de 2% por década após os 18 anos, o que torna inevitável o ganho de peso ao longo da vida. Outras variáveis como paridade e a presença de hipertensão não exerceram influência no ganho de peso entre as mulheres analisadas.

Segundo a pesquisadora, a taxa de descontinuação com os anticoncepcionais orais atinge 50% em adultos após um ano de uso e 50% em adolescentes nos primeiros três meses. Já com o injetável acetato de medroxiprogesterona, conhecido comercialmente como Depoprovera, a taxa é de 50 a 80% no primeiro ano, caindo para 40% a 60% no segundo ano de uso. No caso dos implantes subdérmicos e injetáveis combinados (de prescrição mensal), as taxas de abandono foram, respectivamente, de 16,8% e 7,5% após um ano.

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