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Equipe editorial Bibliomed
Neste Artigo:
- Introdução
- Diagnóstico
- Tratamento
- Conclusão
- Referências bibliográficas
"O freio labial é uma faixa de tecido, que pode ou não estar relacionado
ao diastema mediano. Quando relacionado a ele seu tratamento é cirúrgico, a
frenectomia".
Introdução
Durante a 4ª semana de vida intra-uterina (V.I.U.), inicia-se a embriogênese
da face. Por volta da 7ª semana de V.I.U. o lábio superior se forma pela fusão
dos processos maxilares e nasais mediais, e a partir do tecido remanescente de
células centrais da lâmina vestibular tem origem o freio labial superior. O
freio se faz presente a partir do 3º mês de V.I.U. e consiste de um tubérculo do
lábio superior à papila palatina, sendo então denominado freio teto-labial.
O freio labial é constituído basicamente por três planos: um plano mais
superficial, formado por epitélio pavimentoso estratificado queratinizado; um
plano intermediário ou lâmina própria, formado por tecido conjuntivo frouxo,
contendo também fibras elásticas; um plano mais profundo, submucoso, contendo
glândulas mucosas e vasos linfáticos. Se presentes, as fibras musculares derivam
do músculo orbicular dos lábios. Ele origina-se na mucosa da linha média da face
interna do lábio superior inserindo-se na face externa do periósteo, no tecido
conjuntivo da sutura maxilar interna e na apófise alveolar.
Há discordância entre autores quanto ao aspecto fisiológico do freio, uns
dizem que sua função é limitar os movimentos dos lábios principalmente, evitando
uma excessiva exposição da mucosa alveolar, enquanto que outros contradizem
defendendo a idéia que o freio não possui nenhuma função, e sua função, se
houver, é puramente passiva, em relação aos incisivos.
No recém-nascido, este freio labial pode estar inserido na papila palatina,
porém, com o desenvolvimento e crescimento do processo alveolar e a erupção
dental, a sua posição varia e há uma tendência à atrofia fisiológica e ele pode
assumir uma posição mais elevada, sendo denominado neste caso, normal. Sendo
assim, a inserção normal após erupção dos dentes será da porção interna do lábio
superior até a alguns milímetros acima da margem gengival. Quando o freio mantém
sua inserção na papila palatina, transformando-se em uma grossa faixa de tecido
que se estende por cima da crista alveolar até a papila palatina aumentando o
tamanho desta, denomina-se de freio labial anormal ou persistente.
O freio anormal pode causar diastema interincisal, dificultar a escovação dos
dentes, restrição dos movimentos de lábio, dificultar a pronuncia de certas
sílabas, possibilitar o acúmulo de partículas alimentares e a eventual formação
de bolsas periodontais.
Autores acreditam que a presença do diastema mediano possui uma relação com o
freio, concluindo então que o freio é freqüentemente a causa do diastema, porém,
existem autores que consideram esta relação somente quando o freio labial
superior tiver sua inserção na papila palatina. Há ainda os que acreditam que
não se deva atribuir a presença do diastema ao freio labial.
Diagnóstico
O diagnóstico é feito basicamente através de três sinais clínicos: inserção
baixa na margem gengival ou na papila palatina, isquemia da papila palatina
quando o freio é tracionado e diastema interincisal mediano.
Com relação ao diastema mediano, há que se considerar que o mesmo é
fisiológico na fase da dentição mista em que está ocorrendo a erupção dos
incisivos e caninos superiores.
Em relação à oportunidade cirúrgica (frenectomia) também à controvérsia entre
autores, alguns recomendam a cirurgia após a erupção dos caninos permanentes,
outros, recomendam após a erupção dos incisivos laterais. Em outros casos, a
cirurgia é indicada após a erupção dos incisivos centrais superiores
permanentes, onde falta espaço para os laterais associado à um freio labial
anormal e diastema interincisal mediano.
A frenectomia labial é indicada nos seguintes casos:
- presença de freio teto-labial persistente;
- presença de diastema interincisal não fisiológico;
- favorecimento do tratamento ortodôntico (durante o tratamento, caso não tenha
ocorrido a frenectomia, - o tecido que fica presente entre os incisivos, fica
acumulado, já que o tecido gengival não sofre reabsorção. As fibras colágenas
então são comprimidas e haverá uma força de reação que pode resultar numa
recidiva do diastema);
- risco periodontal (mais freqüente para o freio labial inferior).
Tratamento
A frenectomia possui diferentes técnicas, que podem ser classificadas em dois
tipos: exérese e reposicionamento. A primeira é quando se faz a remoção total da
porção anatômica visível do freio, a segunda, é a mudança da posição anatômica
do freio, alterando suas características morfofuncionais.
A anestesia usada para a cirurgia é do tipo infiltrativa (sempre precedida do
anestésico tópico), complementada por palatino, ao redor da papila incisiva.
Para que o edema que pode decorrer da infiltração da solução não mascare os
limites do freio, dificultando assim a demarcação da incisão, a punção é feita
distal aos incisivos centrais.
A utilização do laser de CO2 é usado neste caso de modo desfocado,
vaporizando o tecido e resultando em cicatrização por segunda intenção.
Homeostasia instantânea, diminuição do edema e da dor, esterilização dos tecidos
promovida pela aplicação do laser e a não necessidade de sutura, são vantagens
da cirurgia à laser, por outro lado, algumas manobras realizadas na técnica do
reposicionamento são dificultadas pela mesma.
A exérese pode ser exemplificada pela técnica conhecida como "duplo
pinçamento". O primeiro passo da técnica, é a apreensão do freio com duas pinças
hemostáticas, uma rente à parte interna e outra rente ao rebordo do lábio.
Depois, faz-se a incisão do freio e sutura na região labial. Uma incisão em
cunha é feita na inserção do freio do rebordo abrangendo até o limite de sua
inserção palatina e tamponamento da ferida cirúrgica.
A técnica de reposicionamento é a mais utilizada já que proporciona um melhor
resultado estético e permite a manutenção de morfologia e função da estrutura
anatômica, eliminando apenas a porção com inserção indesejável. Nesta técnica,
não se faz o pinçamento, para demarcar a incisão, o lábio é apenas tracionado de
forma a tencionar o freio. A incisão, então, é feita com a tesoura cirúrgica
rente ao rebordo, ate o limite entre a gengiva inserida e mucosa alveolar. A
inserção do freio na mucosa gengival é removida em fragmento triangular ate
atingir o periósteo, onde são desinseridas as fibras de tecido conjuntivo. A
completa desinserção destas fibras do rebordo é importante para evitar a
recidiva do diastema após o tratamento ortodôntico. É feita a sutura da mucosa
labial e colocação de cimento na ferida.
Conclusão
O profissional deve ter um pleno conhecimento das características anatômicas,
e da função dessa estrutura nas diferentes fases do desenvolvimento e
crescimento, pois elas trazem os insumos necessários para um correto
diagnóstico.
O exame clínico deve incluir a verificação da morfologia, tipo e local de
inserção do freio labial.
Palavras-chave: freio labial, diastema, frenectomia.
Referências bibliográficas
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01 de Setembro de 2005
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